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GRANDE SERTÃO: VEREDAS (1985)  / DVD-r

Baseada no clássico homônimo do escritor Guimarães Rosa, a história se passa nas primeiras décadas do séc.XX e acompanha a narrativa de Riobaldo (Tony Ramos) que, por meio de suas andanças, personifica a aspereza sertaneja e se transforma em uma espécie de intérprete do sertão. Ele narra as heroicas lutas dos bandos de jagunços, repletas de tramas com vinganças, amores e mortes.

Riobaldo e o bravo Reinaldo (Bruna Lombardi) – ou Diadorim, como também é chamado – são amigos há muito tempo e compartilham o fascínio pelas aventuras no sertão de Minas Gerais. Os fortes laços entre os dois perturbam Riobaldo, que, mesmo assim, cultiva a relação, cuja pureza contrasta com a aridez sertaneja. Mas existe um segredo que Riobaldo ignora: Reinaldo é, na verdade, Maria Deodorina da Fé Bittencourt Marins. Valente e destemida, ela finge ser homem e se mistura aos jagunços para fugir do destino da mulher sertaneja, sempre infeliz e marginalizada.

Companheiros na adolescência, Riobaldo e Reinaldo se reencontram em meio a batalhas. Riobaldo se aliara às tropas federais, lideradas por Zé Bebelo (José Dumont). Mas, como Reinaldo está do outro lado da guerra, ele abandona a causa e passa a lutar com os jagunços.

 As disputas por poder e terra não preservam companheiros de batalha: o chefe do bando de Riobaldo, Joca Ramiro (Rubens de Falco), é assassinado pelo traidor Hermógenes (Tarcísio Meira). Revoltado, Riobaldo jura vingança e persegue Hermógenes por toda a região. No combate derradeiro com Hermógenes e seus homens, Riobaldo consegue se vingar, mas, para sua tristeza, seu oponente mata Reinaldo durante a luta. Ao final, na hora em que lava o corpo de Diadorim, Riobaldo descobre que seu querido companheiro era, na verdade, uma mulher, Deodorina, filha de Joca Ramiro.

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Pelé: O Nascimento de uma Lenda (2016)

A piada do "Chaves" em que o personagem repetia incontáveis vezes, no cinema, que "era melhor ter ido ver o filme do Pelé" perdeu um pouco seu sentido. Pensando bem, ver o filme do Pelé não é uma opção tão boa assim.

Pelo menos é a conclusão que se tem ao ler as primeiras críticas da imprensa americana sobre "Pelé - O nascimento de uma lenda", filme baseado no começo da carreira de Edson Arantes do Nascimento e seu surgimento como rei do futebol na Copa de 1958. 

Parte técnica = camisa 10
Roteiro, atuações e o filme como um todo são mal falados. A parte técnica é que rende elogios. As imagens e cores criadas pelo diretor de fotografia Matthew Libatique (de "Cisne Negro" e "Noé") são consideradas "vigorosas". A trilha sonora de A.R. Rahman ("Quem quer ser um milionário?") carrega forte na percussão e recebe adjetivos como "impecável".

A direção de Jeff e Mike Zimbalist não parece ser problema para os críticos. O trabalho dos irmãos americanos é elogiado, por terem familiaridade com os temas futebol e Brasil. Eles dirigiram o documentário "The Two Escobars", que mostra a história de dois colombianos, o narcotraficante Pablo Escobar e o lateral Andres Escobar, mortos nos anos 90. Também fizeram "Favela Rising", documentário sobre o Afro-reggae.

Veja trechos de textos publicados por críticos em sites americanos:

Ponto negativo: DIÁLOGOS SÃO CONSTRANGEDORES
Ponto positivo: É DIVERTIDO PARA QUEM CURTE FUTEBOL

"Ao dramatizar a vida de uma estrela e a primeira conquista de Copa do Mundo, o filme falado em inglês tenta fazer seu melhor visualmente para mostrar o quão revolucionário foi o surgimento de Pelé. Mas o longa deixa os espectadores continuamente paralisados graças a uma narrativa sem inspiração e ultra tradicional.

Os diálogos são bem constrangedores e o roteiro é esteriotipado, mas mesmo assim fãs do futebol vão se divertir ao ver jogadores famosos recriados. Estão incluídos Felipe Simas como o alegre e acima do peso Garrincha e Fernando Caruso na pele do ranzinza Zito.

Os três montadores conseguem manter frenética a ação no campo. Os dois atores escalados para viverem Pelé parecem ter sido escolhidos mais por serem parecidos com o jogador e serem bons de bola do que por seus talentos como ator, mas, francamente, o desempenho deles na atuação é tão bom quanto o filme precisa. Seu Jorge [como Dondinho, pai de Pelé] acaba se tornando o melhor ator do filme." Andrew Barker, do site da 'Variety'

Ponto negativo: FOTOGRAFIA E EDIÇÃO SÃO INVENTIVAS
Ponto positivo: DRAMATIZAÇÃO É MEDIANA


"O filme vai com certeza agradar os aficionados pelo "jogo bonito", como dizia Pelé. Infelizmente, falta a faísca necessária para atrair quem não é fã. (...) O estilo de jogo não-ortodoxo e fluido, apelidado de "ginga", leva a conflitos com seus treinadores, que argumentam que aquilo estava abaixo da dignidade do futebol. Isso acontece até que Pelé apareça, com a liderança do técnico Vicente Feola (Vincent D'Onorio, que se parece com o personagem real, mas não é exatamente convincente como brasileiro).

A dramatização no filme é estritamente mediana, mas as sequências de futebol são soberbamente encenadas com fotografia e edição inventivas. Elas conseguem imergir totalmente o espectador (não é de surpreender que três montadores tenham sido utilizados).

Mas, ironicamente, as cenas mais emocionantes chegam com os créditos finais, em que emocionantes gravações em preto e branco de jogos e destaques da lendária carreira de Pelé na Copa do Mundo são exibidos." Frank Scheck, da revista 'Hollywood Reporter'

Ponto negativo: FALTA ALEGRIA E SOBRA MELANCOLIA
Ponto positivo: CLICHÊS DE FILMES DE ESPORTE NÃO PREJUDICAM

"O ícone brasileiro Pelé era lendário não só por sua transcendente habilidade no campo, mas por sua efusividade desenfreada. O filme é bastante decepcionante não por abraçar os clichês habituais dos filmes de esporte, entre eles as fraquezas intermiváveis que se transformam em virtudes, mas principalmente em sua notável ausência de alegria.

Ao cobrir os anos de formação de Pelé, nos quais ele foi de uma criança pobre ao jogador que ajudou o Brasil a ganhar a Copa de 1958, os irmãos Zimbalist optam por repetidamente abusar de um sentimentalismo melancólico.

Kevin de Paula, que interpreta o jogador entre 13 e 17 anos, imita Pelé e parece ser dominado mais por uma forte determinação do que pelo desempenho atlético incomum do jogador. O jogo bonito, como Pelé chama o futebol, nunca se mostrou tão cansado e calmo." Nick Prigge, do site Slant Magazine

Ponto negativo: FILME É MUITO HOLLYWOODIANO
Ponto positivo: DIRETORES SABEM DE FUTEBOL E BRASIL


"Então, 'Pelé: O nascimento de uma lenda' vai pelo caminho mais fácil. Os cineastas focam nos primeiros anos da carreira do jogador, antes que ele crie sua personalidade 'maior do que a vida'. Mas mesmo dentro desses limites, 'Pelé' é suave demais e muito hollywoodiano (é português brasileiro com sotaque inglês). Às vezes é divertido, uma biografia deslumbrante no campo, mas construída em torno de protagonistas totalmente sem sabor.

Os documentaristas Jeff e Michael Zimbalist conhecem o Brasil ("Favela Rising") e o futebol ("The Two Escobars"). Eles sabem do tema, mostram conhecer bem a pobreza do jovem engraxate chamado Edson Arantes do Nascimento. Racismo, pobreza, preconceitos e tragédia estão no caminho do garoto. (...)

O jovem Kevin de Paula sabe dar cabeçadas, bicicletas e chapéus nos adversários, como os que fizeram Pelé ficar famoso. Vemos a ação, mas muito pouco da poesia, do prazer, do sentimento do pequeno garoto se divertindo e se tornando adulto. Aqui, a vida gloriosa vivida graças ao "jogo bonito" é mais uma pintura estática. Não uma celebração colorida e animada de uma lenda que ganhou todo o mundo tendo habilidade com os pés e sorriso contagiante." Roger Moore, do site Movie Nation

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A Natureza Está Falando (2014)

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EM BUSCA DA JUSTIÇA (2016)

O prejuízo de escrever sobre filmes é que o crítico de cinema geralmente conhece os bastidores de uma produção antes que o resultado seja apresentado ao público. As desavenças na equipe, os adiamentos e as modificações em cima da hora impostas por um estúdio são indícios de que haverá danos no que apreciaremos. Lançado direto em homevideo no Brasil, “Em Busca da Justiça” é esse tipo de filme que já vem cheio de rachaduras antes mesmo de ser avaliado.

Para quem não sabe, o filme seria originalmente dirigido por Lynne Ramsay, de “Precisamos Falar Sobre o Kevin”. No primeiro dia de filmagens, a cineasta simplesmente não apareceu no set, deixando todos em apuros. Especulou-se que Ramsay estaria descontente com os rumos do projeto em sua pré-produção, desfazendo o contrato ao concluir que o filme não teria resquícios de sua autoria.

Além de Ramsay, Jude Law, então substituindo Michael Fassbender, também se despediu da produção antes de gravar a sua participação. Em solidariedade à Ramsay, o diretor de fotografia Darius Khondji foi o último a se desvincular do faroeste. Restou a contratação emergencial de Gavin O’Connor por trás das câmeras, bem como a escalação de Ewan McGregor, um pau pra qualquer obra, como o vilão John Bishop.

Na premissa. Natalie Portman é Jane Hammon, apresentada em um momento delicado. Fora da lei, o seu marido Bill (Noah Emmerich) se envolveu em negócios escusos com Bishop, voltando ao seu lar baleado. Sem saber como agir e com uma filha pequena para proteger, Jane pede ajuda a Dan Frost (Joel Edgerton), um amor mal resolvido de seu passado que promete protegê-la dos capangas de Bishop – o brasileiro Rodrigo Santoro faz uma breve participação como um deles.

A ênfase nos imbróglios nos bastidores é importante por duas razões. A primeira vem a ser a desorganização da narrativa, deixando evidente que as coisas foram feitas às pressas para respeitar um cronograma. A presença dos flashbacks tenta ser justificada pela existência de um passado nebuloso vivido pelos protagonistas, mas o resultado só reduz a força de algo bem expresso em palavras e sugestões.

Já a segunda razão é como “Em Busca da Justiça” soa descaracterizado, indo de um western que privilegia a atuação de uma mulher em um ambiente árido e imoral para algo essencialmente masculino. Gavin O’Connor havia feito de “Livre para Amar” um filme de alma feminina. Aqui, por outro lado, ele transforma Natalie Portman em uma figura frágil, quase de porcelana, sempre a ofuscando ao contracenar com Joel Edgerton, repetindo a parceria iniciada com o bárbaro “Guerreiro”.

Para não dizer que “Em Busca da Justiça” é um fiasco completo, a meia hora final passa a ser mais incisiva ao concluir o desenho dos personagens, trazendo à tona um episódio trágico de Jane que revive o filme no exato momento em que os aparelhos que o mantinham pulsando estavam prestes a ser desligados. Caso fosse impregnado dessa energia em sua totalidade, estaríamos diante de um exemplar raro a driblar muito bem os empecilhos de sua concepção.

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RIO 2 (2014)

Carlos Saldanha (A Era Do Gelo 2) volta ao colorido mundo das ararás azuis com Rio 2. A nova aventura deixa a cidade maravilhosa de lado e parte para a Amazônia, onde o protagonista Blu enfrenta um novo perigo: a família de sua esposa, Jade. Embora belo visualmente, o longa deixa a desejar pela falta de criatividade e não supera o original.

Logo após o Réveillon, o ornitólogo Túlio (voz de Rodrigo Santoro) eLinda estão na Amazônia estudando pássaros raros quando cruzam com ararás consideradas extintas. Eles anunciam para o mundo sua descoberta e entram no caminho de um contrabandista de madeira ilegal. Blu, acostumado com a vida doméstica, e Jade, decidem ajudá-los a encontrar outros de sua espécie e se preparam para cruzar o país em busca de seus parentes perdidos. Assim partem com os filhos para Manaus.

O exagero de antagonistas deixa a trama bagunçada e rasa. Roberto rivaliza com Blu pelo amor de Jade, Eduardo é o sogro durão que quer um genro à altura, as ararás vermelhas são inimigas das azuis, até Nigel, vilão do primeiro, retorna com dois capangas em busca de vingança. Isso sem falar dos madeireiros citados acima. São personagens demais para acabar com a graça do protagonista e falta tempo para resolver de forma coerente todas as tramas paralelas.

Apesar da narrativa fraca, o visual é impressionante. Saldanha teve muita atenção aos detalhes na hora de recriar a Amazônia com CGI e, mais uma vez, as cores explodem na tela, especialmente em 3D. As coreografias inspiradas em danças nativas como carimbó, maracatu, ciranda e quadrilha junina, estão ótimas e funcionam bem durante os números musicais. As canções deixam de lado o samba e focam nessas outras sonoridades brasileiras - quem gosta desses estilos musicais não poderá reclamar.

O humor da animação da Blu Sky é extremamente físico e faltam tiradas inteligentes presentes em filmes como Uma Aventura Lego e Frozen - Uma Aventura Congelante, longas que impressionaram nesse último ano e cujas canções também são mais interessantes, apesar de Rio 2 ser tão musical quanto. A vantagem aqui é ter músicas criadas em português, que ficam mais naturais para o público brasileiro.

Rio 2 é capaz de divertir a criançada sem deixar os pais entediados. E isso já é muito se levarmos em consideração outras animações recentes. O filme tem personagens carismáticos, marca registrada de Saldanha, e ótimas sequências de ação, como uma animada partida de futebol. Faltou segurar a onda na hora de criar conflitos e desenvolver melhor as situações apresentadas.

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Recém-Formada - 2009

Ryden Malby (Alexis Bledel) tinha um plano. Após se formar na faculdade, mudar para um maravilhoso apartamento e conseguir o tão sonhado emprego como editora na cidade grande. Mas, quando Jessica Bard (Reitman), sua colega de universidade, rouba o emprego perfeito, Ryden é obrigada a voltar para sua cidade natal. Presa à sua excêntrica família - formada pelo teimoso pai Walter (Michael Keaton), a mãe Carmella, completamente permissiva (Jane Lynch), uma avó politicamente incorreta (Carol Burnett) e um estranho irmão caçula (Bobby Coleman), ela sente-se completamente longe de concretizar seus sonhos. Porém, a convivência com seu melhor amigo Adam (Zach Gilford) e o atraente vizinho David (Rodrigo Santoro) farão com que Ryden tenha novos planos em mente.

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Cinturão Vermelho - 2008

Este filme é fascinante por vários motivos. É dirigido e escrito por David Mamet, o que já é garantia de bons serviços prestados. Consegue ser um filme sobre artes marciais e ao mesmo tempo absolutamente cerebral, inteligente – o que é a união de duas coisas que jamais a gente poderia imaginar ver juntas. E, além disso, é cheio de brasileiros e referências ao Brasil.

Como é comum nas histórias de Mamet, a trama tem mais curvas do que a estrada de Santos e mais surpresas que o futebol. Nas primeiras seqüências, ele espalha diversos personagens.

O filme abre em uma academia de luta, com um homem  ensinando jiu-jitsu como se estivesse dando uma aula de filosofia zen. Uma mulher passa por eles rumo aos fundos da academia. Dois homens estão lutando, seguindo as instruções do treinador. A seqüência é longa.

Corta, e temos um carro sob chuva forte; dentro dele, uma jovem fala ao telefone. Está agitada, nervosa; procura uma determinada farmácia, precisa de um remédio que só encontraria ali, mas sabe que o lugar fecha às 8 da noite, são 8 da noite. Ela vê um homem saindo em seu carro que estava estacionado diante da farmácia; perdeu a hora, não encontrará o remédio. Ela se distrai, bate o carro num outro que está parado junto à calçada.

Corta. A mulher que entrou na academia está diante do computador, ao telefone; está cuidando das contas a pagar.

Corta. O homem que estava lutando pega uma arma, coloca no coldre – vemos que ele é um policial. Está se preparando para sair da academia. O treinador vem conversar com ele, mostra um golpe. O policial tira o revólver e o deixa numa mureta.

Neste momento, entra na academia a mulher nervosa que estava lá fora na chuva. Explica, sem ser ouvida direito, que bateu o carro, está disposta a pagar pelo estrago. O treinador pede que ela se acalme, que tire o casaco encharcado, pede ao policial que tire o casaco dela. O policial se aproxima para ajudá-la a tirar o casaco, ela reage bruscamente, quase histericamente, pede que o outro se afaste e não encoste nela, vai andando para trás, encosta no revólver deixado na amurada, a arma dispara, quebra o vidro frontal da academia.

É muita informação para apenas cinco, oito minutos de filme. É de tirar o fôlego. 

Veremos que a cidade é Los Angeles. O treinador é Mike Terry (Chiwetel Ejiofor), o dono da academia. O policial que aprende jiu-jitsu com ele chama-se Joe (Max Martini). A moça que cuida das contas é a mulher brasileira de Mike, Sondra (Alice Braga). A jovem nervosa é Laura (Emily Mortimer) – bem mais tarde veremos que ela é advogada, e ficaremos sabendo o motivo de seu pânico, suas reações quase histéricas.

Em seguida, surgirão diversos outros personagens – um famoso ator de cinema, Chet (Tim Allen); seu empresário, Jerry (Joe Mantegna); sua mulher, Zena (Rebecca Pidgeon). E várias outras pessoas envolvidas com jiu-jitsu, inclusive diversos brasileiros, com artes marciais e com luta-livre, uma grande paixão americana. 

Todas essas pessoas vão se envolver numa trama cheia de ambição, cobiça e, sobretudo, corrupção, muita corrupção. A teia de corrupção tentará envolver Mike Terry – um homem de princípios absolutamente rígidos, moral firme, que ensina a seus alunos que o esporte deve ser usado para o autoconhecimento e para a autodefesa em momento de necessidade, e nunca como forma de competição. Um herói de retidão de caráter cercado de lei de Gérson, cobiça e lama por todos os lados.

O elenco está todo excelente. Não é surpresa, em se tratando de Mamet, um experiente diretor de atores no teatro e no cinema. Esse rapaz Chiwetel Ejiofor é ótimo. A inglesa Emily Mortimer, como a jovem advogada, dá um show. É uma maravilhosa atriz, que já havia me impressionado no belo e triste Querido Frankie/Dear Frankie; trabalhou com Woody Allen em Match Point, é uma artista a ser observada e seguida. Rodrigo Santoro se sai bem.

E Alice Braga está muito, mas muito bem – e seu papel é importante, decisivo na trama. Ela é bonita, é gostosa, o inglês dela é ótimo, tem talento e tem sorte. A carreira internacional dela promete. Na verdade, não é que prometa – já cumpriu. Essa moça já chegou longe, para a tão pouca idade que tem (é de 1983). O que vier daqui pra frente, e que venha muito, é lucro.

Sou muito ignorante. Não tinha a menor idéia de que o jiu-jitsu brasileiro tivesse tamanho reconhecimento nos Estados Unidos. O Brasil é citado diversas vezes; São Paulo é tida como uma cidade importante no panorama do jiu-jitsu mundial. Numa seqüência ainda do início do filme, logo após aquelas que tentei descrever acima, Terry irá a um bar de brasileiros, chamado São Paulo, onde uma cantora de voz macia, suave, se apresenta – é Luciana de Souza, a brasileira radicada nos Estados Unidos que tem sido muito elogiada e respeitada lá, tem belos discos feitos lá cantando em inglês e em português.

Quem aparece muito pouco no filme é outra cantora e compositora nas horas vagas, a bela atriz Rebecca Pidgeon, mulher de Mamet na vida real. Quase não a reconheci – e sou fã dela, como atriz e como cantora.

Em um dos vários especiais do DVD do filme, David Mamet conta que fez luta livre no ginásio, praticou boxe e um pouco de kung fu. Cinco anos antes de fazer este filme, começou a praticar o que ele chama de “Brazilian jiu-jitsu”, com um professor brasileiro, Renato Magno. “Conheci todos os caras ao lado de quem ele cresceu em São Paulo”, diz o diretor, “e acabou que eles eram a família Gracie e os Machado, que revolucionaram o jiu-jitsu e inventaram o fenômeno das artes marciais misturadas”.

Quantos brasileiros sabem disso, dessa importância do Brasil e de brasileiros nas artes marciais? Ou será que a ignorância é só minha?

Bem, os outros, não sei, mas que é ignorância minha, lá isso é mesmo. Algumas semanas depois que vi o filme (e vi em 2008, o mesmo ano da estréia nos cinemas brasileiros), morreu, no dia 29 de janeiro de 2009, aos 95 anos de idade, Hélio Gracie, e vejo nos jornais que ele foi o fundador do que é chamado de Gracie Jiu-Jitsu, “um estilo totalmente seu de lutar e de ensinar a milhares de alunos e discípulos da milenar arte japonesa”. O Gracie Jiu-Jitsu é o que David Mamet chama de Brazilian jiu-jitsu. Mamet sabe tudo sobre os Gracie – eu é que não sabia nada. Santa inguinoransa.

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Em Roma na Primavera - 2003 / Legenda

Karen Stone (Helen Mirren) é uma atriz de meia-idade da Broadway que tem um talento questionável, mas é casada com Tom (Brian Dennehy), um milionário. Ela decide se aposentar e viajar com o marido pela Europa e Ásia mas, durante o vôo para a Itália, Tom tem um ataque e morre. Em razão do acontecido ela decide ficar morando em Roma, mas a desesperada necessidade de companhia e afeição a faz se envolver com jovens que lhe são apresentados por uma mulher que se intitula a Condessa (Anne Bancroft) mas não passa de uma cafetina, que ganha um percentual de tudo que seus rapazes conseguem arrecadar. Ao conhecer Paolo di Lio (Olivier Martinez), outro "amigo" da Condessa, Karen vai ficando cada vez mais dependente dele. Ela se torna tão feliz ao seu lado que se sente uma "viciada" em Paolo, apesar de no fundo saber que ele não a ama e que quer apenas se aproveitar do seu dinheiro.

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LOST (2007)

Lost (Perdidos) é uma premiada série de televisão norte-americana de drama e ficção científica que seguiu a vida dos sobreviventes de um acidente aéreo numa misteriosa ilha tropical, após o avião que viajava de Sydney, Austrália para Los Angeles, Estados Unidos cair em algum lugar do Oceano Pacífico.

A série teve um estilo único que seguia dois tipos de histórias não ligadas entre si: primeiro, a luta dos 48 sobreviventes do desastre para sobreviver e viver juntos na ilha, e segundo, a vida das personagens principais, antes do desastre, através de retrospectivas pessoais, os flashbacks, flashforwards e flash-sideways. Lost foi criada por Jeffrey Lieber, J. J. Abrams e Damon Lindelof e foi filmada em Oahu, Havaí. O episódio piloto foi ao ar nos Estados Unidos em 22 de setembro de 2004. Lost foi produzida por ABC Studios, Bad Robot Productions e Grass Skirt Productions e foi exibida pela Rede ABC em seu país de origem. A música incidental foi produzida por Michael Giacchino. Os produtores executivos são J. J. Abrams, Damon Lindelof, Bryan Burk, Carlton Cuse, Jack Bender, Jeff Pinkner, Edward Kitsis, Adam Horowitz e Elizabeth Sarnoff. Por causa de seu vasto elenco e os custos de se filmar no Havaí, a série é uma das mais caras produzidas até hoje.

Sucesso de crítica e público, a série teve uma média de 15,5 milhões de espectadores por episódio durante todo o seu primeiro ano de exibição, garantindo vários prêmios da indústria audiovisual, incluindo o Award Emmy para Melhor Série televisiva na categoria drama em 2005, melhor série americana importada na Academia Britânica de Prêmios Televisivos também em 2005 e o Golden Globe Award para Melhor Série (drama) em 2006.

A série foi logo agregada à cultura pop americana, por ser um fenômeno que encanta cada vez mais espectadores e mídias externas, como comerciais, revistas em quadrinhos, webcomics, revistas de humor e canções populares. O universo ficcional da série foi explorado também através de novelas e de jogos de realidade alternativa, com o Lost Experience e o Find 815.

Em maio de 2007 foi anunciado que Lost continuaria com a quarta, quinta e sexta temporadas, concluindo com o 121º episódio produzido em maio de 2010. As três últimas temporadas consistiriam-se de apenas 16 episódios, exibidos semanalmente sem interrupções ou reprises. No entanto, devido à greve dos roteiristas dos Estados Unidos, a quarta temporada foi encurtada para 14 episódios, incluindo o episódio final de três horas (exibido em diferentes noites para não colidir com os términos de temporadas de Ugly Betty e Grey's Anatomy). A quarta temporada estreou no dia 31 de janeiro de 2008 nos Estados Unidos e terminou no dia 29 de maio de 2008. Uma outra consequência da greve foi a decisão da ABC de prolongar o final de duas temporadas de Lost, adicionando um décimo sétimo episódio de cada época restante. Lost acabou em sua sexta temporada, contabilizando um total de 121 episódios, com seu último episódio exibido no dia 23 de maio de 2010. A última temporada teve 18 episódios.

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Tancredo - A Travessia (2011)

21 de abril de 1985. Morria Tancredo Neves, primeiro presidente civil do Brasil em mais de duas décadas. O choro compulsivo da população não era propriamente pelo falecimento de seu governante, mas pelo fim de um sonho. Um sonho de democracia, que levou milhões às ruas nas principais capitais pedindo o simples direito de votar. Um sonho de esperança, materializado naquele homem que significava novos tempos na política brasileira, apesar de já ter 75 anos. Um sonho de mudança, para um país que sempre foi apenas do futuro, ignorando o presente. Um sonho destruído.

O grande mérito de Tancredo – A Travessia é conseguir transmitir ao espectador a dimensão do que significou a ascensão e morte de Tancredo Neves para o Brasil. Entre o sonho e a realidade, o que se vê é um país extremamente complexo onde não apenas a vontade bastava. Havia também o jogo político, com seus inevitáveis interesses, e ainda a liberdade comedida, com limites sobre até onde se poderia agir. Em depoimento, Miro Teixeira conta uma declaração esclarecedora de Theotônio Vilela: “Vocês não entenderam. Ou é este projeto ou não vai ter anistia”. Retrato da ditadura, onde a vontade era imposta sem que houvesse muito espaço para negociações. Retrato do Brasil daquela época.

Entretanto, a história de Tancredo começa bem antes da década de 80. De forma bastante didática é apresentada toda sua trajetória política, passando por períodos marcantes do país. O suicídio de Getúlio Vargas é apresentado através de uma encenação com atores, baseada na peça teatral “O Tiro que Mudou a História”, que chama mais a atenção pelos nomes conhecidos presentes do que propriamente por sua utilidade para o documentário. A crise após a renúncia de Jânio Quadros, com as negociações que fizeram com que Tancredo assumisse como primeiro-ministro de um Brasil parlamentarista, é também apresentada em detalhes. Assim como o golpe militar que deu início à ditadura, em 1964.

Através de vários depoimentos e muitas imagens de arquivo, que ajudam bastante a contar uma época ao mesmo tempo distante e que deixou tantas marcas nos dias atuais, Tancredo – A Travessia é uma aula de história sobre a política brasileira nos últimos 60 anos. Imprescindível para quem deseja entender a formação recente do país e o real significado da campanha Diretas Já, uma época onde “parecia que o Brasil estava voltando para casa”, como diz a atriz Maitê Proença. Uma travessia que conta com, pelo menos, uma cena emocionante: o hino nacional cantado em pleno Congresso Nacional, após a emenda das eleições diretas para presidente não ser aprovada. De arrepiar.

Glauber, o Filme - Labirinto do Brasil - 2004

O documentário retrata a vida e a morte do cineasta Glauber Rocha, morto no dia 22 de agosto de 1981, aos 42 anos. O velório no histórico Parque Lage, no Rio de Janeiro, o enterro e a dor, unidos aos depoimentos de quem acompanhou, viveu, admirou, foi amigo e lutou com o mito do cinema nacional. O filme também mostra depoimentos recentes de Arnaldo Jabor, Darcy Ribeiro, José Celso Martinez Corrêa, Nélson Pereira dos Santos, João Ubaldo Ribeiro e Nelson Motta, entre outros.

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AS NOIVAS DE COPACABANA (1992)

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Morador do bairro de Copacabana, na Zona Sul da cidade, Donato (Miguel Falabella) leva uma vida acima de qualquer suspeita. É um conceituado restaurador de obras de arte e noivo da bela Cinara (Patrícia Pillar). Os dois só não se relacionam sexualmente.

Donato mata suas vítimas seguindo um meticuloso ritual. Seduz as mulheres e as estrangula em pleno ato sexual, sempre quando elas estão vestidas de noiva. Só dessa forma ele consegue atingir o orgasmo.

A história começa com Donato e Maryrose (Patrícia Novaes) passeando em uma praia deserta, à noite. O clima romântico prossegue até o momento em que a mulher coloca o vestido de noiva e, em meio ao ato de amor, é estrangulada brutalmente.

As vítimas de Donato são mulheres das mais diversas classes sociais. Marilene (Tássia Camargo) é uma professora suburbana, Kátia de Sá Montese (Christiane Torloni) é uma socialite de Copacabana e Fátima (Ana Beatriz Nogueira) é filha de um pastor protestante. Em comum, elas têm vestidos de noiva.

O envolvimento de Donato com as vítimas começa a partir de anúncios de vestidos de noivas colocados, por elas, em jornais. Após entrar em contato e chegar até as anunciantes, ele cria um ambiente romântico, adequado ao crime, e as envolve em seu jogo de sedução.

A semelhança entre os vários crimes intriga a polícia. Todos só podem vir de uma mesma mente doentia. O detetive França (Reginaldo Faria), encarregado de desvendar o caso das noivas assassinadas, segue, então, pistas que possam levar a um serial killer.

Apesar de seu lado sombrio e obsessivo, Donato vive com sua tia Eulália (Yara Lins), com quem tem uma relação doce e carinhosa. Seu amigo Paulão (Ricardo Petraglia) e sua noiva Cinara – com quem tem relações de camaradagem e afeto – nem sequer imaginam que o rapaz seja um criminoso.

Só França suspeita de Donato. O detetive, em crise no casamento com Mariana (Zezé Polessa), passa a se relacionar com Leiloca (Branca de Camargo), que vende artesanato no calçadão de Copacabana e lembra uma hippie dos anos 1970. Leiloca é usada como isca para atrair o assassino. A moça anuncia no jornal um vestido de noiva e espera Donato aparecer. A armadilha tem sucesso, e o criminoso é preso e levado a julgamento. Quando o psicopata é confrontado com a lei, seus amigos e familiares defendem sua inocência. Por falta de provas, ele é absolvido.

O motivo da tara doentia de Donato está ligado a um antigo relacionamento com Helena (Lala Deheinzelin), de quem foi noivo. Às vésperas do casamento, ele descobriu que ela havia se apaixonado por outro. Ele tentou matá-la, enquanto ela experimentava o vestido de noiva, chegando a partir a roupa em pedaços, mas Helena fugiu. Donato, no entanto, prometeu que, um dia, ele a mataria.

Em liberdade, Donato, enfim, tem uma noite de amor com Cinara e a pede em casamento. Dias antes da união oficial, Helena sabe da notícia pelo jornal e entra em contato com o detetive França, a fim de evitar que a moça se case com o assassino. Cinara descobre, assim, toda a verdade. Com a ajuda de Helena e da polícia, a noiva leva Donato para uma armadilha: Helena aparece vestida de noiva na noite de núpcias do casal, e Donato, então, revela sua verdadeira personalidade. Ao tentar matá-la, é preso mais uma vez.

O assassino é condenado e, após um ano, enviado a um manicômio judiciário por tempo indeterminado. Ao visitar Donato no presídio, Cinara descobre que ele havia fugido. As últimas cenas da minissérie mostram o psicopata com uma caneta circulando um anúncio de jornal e, em seguida, apresentando-se como interessado em comprar um vestido de noiva.

 

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Yndio do Brasil (1995)

"Yndio do Brasil" é uma espécie de autocrítica do cinema com relação à imagem do índio que ele ajudou a construir nos últimos 80 anos. É uma colagem de trechos de uma centena de filmes nacionais e estrangeiros sobre índios. São imagens de filmes de ficção -como "A Lenda de Ubirajara", "Casei-me com um Xavante", "Como Era Gostoso Meu Francês"-, documentários etnográficos, cinejornais etc.
Para o diretor do documentário, Sylvio Back, o cinema tem reforçado o olhar distorcido que a sociedade branca tem do índio. "Esse olhar tem várias vertentes: uma é a do cinema americano, em que os índios são maus, demonizados; outra é a da Igreja, que mostra de um lado o índio demonizado, e de outro o índio idealizado, ingênuo, idílico", diz o cineasta.
A trilha sonora é composta basicamente de MPB, além de poemas escritos pelo diretor e dramatizados pelo ator José Mayer.
"Durante a pesquisa para o filme, me dei conta de que a música popular usou muito o tema do índio e acabou reproduzindo o mesmo olhar preconceituoso, idílico, racista e discriminatório que o cinema passa", afirma Back.
Na raiz da visão que discrimina o índio, segundo o diretor, está a atuação da Igreja desde o período colonial. "A Igreja sempre quis enquadrar o índio desossificando-o de sua cosmogonia", diz Back, que em 1982 já havia abordado o tema no documentário "República Guarani".
Depois, já na República, o índio foi vítima da integração nacional preconizada pelo Exército. "De formação positivista, o Exército brasileiro tem tentado integrar o índio aos ideais de ordem, progresso, autoridade. Acontece que o índio é sinônimo de desordem. Ele não tem uma organização voltada para produzir e progredir."
Em sua crítica à política indigenista do Exército, Back não poupa o marechal Rondon, que aparece em algumas das imagens aproveitadas. Muito pelo contrário: "Rondon é um genocida branco. Embora tivesse o lema 'morrer se preciso, matar nunca', ao integrar o índio, ele o estava matando".
O diretor diz que fez um filme "desideologizado", se abstendo de dar ao espectador uma idéia pronta sobre o assunto. Daí, segundo ele, a ausência de narração.
"Desde 'A Revolução de 30' (1980) abdiquei do narrador em meus filmes. O cineasta que usa um narrador não acredita na sua imagem, e diminui assim o espectro do imaginário do espectador."
Back diz ter visto cerca de 700 filmes em sua pesquisa, realizada em arquivos e cinematecas do Brasil e dos EUA. O processo de seleção e montagem desse material levou cerca de três anos.
A colagem aparentemente desconexa de som e imagem obedece, segundo o diretor, a uma intenção: "Gosto de fazer o espectador ver dois filmes ao mesmo tempo: um filme de imagem e um filme de som, sem um acoplamento forçado entre as duas coisas".

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Gemidos E Sussurros (1987) / DEPOSITFILES

1- “Gemidos & sussuros”:

Claudete (Claudette Joubert) sai para visitar sua amiga Ana (Neide Casagrande). Ao chegar ao seu apartamento, depara com a porta aberta; ela entra e vê que seu marido Beto (César Roberto) está fazendo amor com sua melhor amiga. Chocada, controla-se e, sem que os dois notem sua presença, sai calmamente e vai para um bar, onde começa a beber. Embriagada, passa a noite com o garçom. Este a leva para o seu sítio. No dia seguinte, Beto chega e os dois discutem violentamente. Após mútuas agressões verbais, fazem as pazes e perdoam-se mutuamente.

2- “A casa dos prazeres proibidos”:

Mário (Laerte Calicchio) casou-se com a Condessa Marina (Fabíola Fayane), uma linda garota, mas louca por sexo em todas as suas formas. Seu marido nem ligava para ela e lhe dava toda liberdade, pois o que ele realmente queria era sua fortuna. Mário bolou um plano maquiavélico: contratou um casal de amigos que também gostavam desse tipo de sexo e montou um porão na mansão de Carol, uma sala de torturas, com a finalidade de atender aos casais que ali frequentavam, em busca de prazeres violentos. Colocado o plano em ação, o casal convidou a Condessa para participar de uma noitada de sexo em grupo naquela sala tétrica, onde o sexo e a tortura se aliavam, para poder assim matá-la de uma maneira diferente. Por várias vezes a Condessa participou dessa orgia, até que ela foi assassinada durante um ato sexual, cumprindo assim, o estranho e diabólico plano de Mário.

3- “Corpos ardentes”:

Teca (Teka Lanza), uma lésbica, para saciar seu instinto sexual, faz sexo com homens, mulheres e todos os tipos de animais. Sua amiga Márcia (Márcia Ferro), que também é louca por animais, participa de suas loucuras e as duas vivem as mais bizarras e inconseqüentes fantasias sexuais.

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Anahy de las Misiones - 1997

MINHATECA Partes 01 / 02 / 03

1839, interior do Rio Grande do Sul. Anahy (Araci Esteves) é uma mulher forte dos pampas, mãe de quatro filhos, todos de pais diferentes. Carregando uma carroça, ela luta para sobreviver em plena Revolução Farroupilha, . Indiferente às paixões políticas, seu objetivo é sobreviver mascateando com caramurus (defensores do Império) e farrapos (revolucionários) o que consegue pilhar dos mortos nos combates.

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O Silêncio do Céu - 2015

Uma cena de estupro. Dois homens se revezam na agressão sexual a Diana (Carolina Dieckmann). Eles ameaçam a vítima com uma arma, tapam a sua boca. A cena é longa, com a tensão ampliada pelo jogo de sons e luzes. O marido dela, Mario (Leonardo Sbaraglia), chega em casa e flagra o ato pela janela. Sem saber de que maneira interceder, não age. Ele testemunha escondido, até os agressores decidirem partir. Este filme começa da maneira mais difícil, tanto para o espectador quanto para a equipe, provavelmente. O início constitui um trauma de grande impacto. A narrativa que se segue busca colar os cacos deste momento.

Adaptado do livro "Era El Cielo", de Sergio Bizzio, O Silêncio do Céu adquire tons cada vez mais surpreendentes e sombrios. Nenhum outro momento iguala o impacto da cena inicial – ainda bem – mas todos os instantes de silêncio carregam este segredo perturbador. O fator mais interessante da premissa é ver o trauma contado pelo ponto de vista do marido, e não da esposa agredida. Ela, estoica, finge que nada aconteceu - é Diana, inclusive, que pergunta ao marido se ele está bem quando os dois se falam ao telefone – enquanto ele começa a remoer a culpa por sua passividade e pela incompreensão ao sigilo da esposa. Aos poucos, a incomunicabilidade evidencia conflitos mais antigos do casal.

Nos últimos anos, o diretor Marco Dutra tem criado uma série de crônicas sociais e familiares com toques de terror, chegando ao ápice da fusão de gêneros neste novo filme. O material é psicologicamente mais complexo que nos projetos anteriores, a produção é maior e mais afinada do que nos demais, e o domínio estético revela-se mais polido. Com luzes contrastadas e enquadramentos destacando o vazio dos cômodos e das ruas de Montevidéu, O Silêncio do Céu é um filme claustrofóbico e um tanto perverso, por fornecer ao espectador um olhar onisciente sobre a situação. A violência continua, muito após o estupro, no esfacelamento do casal e nas pequenas chantagens de Mario, visando extrair a confissão de que precisa para efetuar o próprio luto.

O roteiro faz uma bela escolha de trabalhar com símbolos, ao invés de cenas concretas. O realismo da agressão inicial é substituído pela atmosfera de paranoia, beirando a loucura. Para atingir este resultado, o projeto recorre a elementos lúdicos, como uma planta que se move sozinha, os dedos que mudam ao longo dos anos – e nem sempre seguram os anéis  -, os espinhos dos cactos, a transparência das janelas e vitrines. O filme faz alusões metafóricas aos conflitos entre o permanente e o efêmero, entre o passivo e o ativo, entre a natureza e o humano. A câmera desfila pelos ícones com o misto de hesitação e curiosidade típico do terror, como se temesse descobrir algum segredo, ou testemunhar algo que não deveria (mais uma vez). O ápice deste mecanismo se encontra nas belíssimas cenas da estufa, transformada em palco de um crime em potencial.

 Tamanha tensão se desenvolve com um trabalho curioso de atuações. O argentino Leonardo Sbaraglia, bastante expressivo, carrega no olhar todo o medo, culpa e raiva que se espera do marido. Carolina Dieckmann, em registro bastante distinto, faz o mínimo possível em sua composição, deixando pairar o mistério sobre a sua personalidade e suas atitudes. Por que ela não conta o que aconteceu? Por que não demonstra a mesma dor e raiva do marido? Como a história é contada pelo ponto de vista de Mario, as expressões indecifráveis de Diana são muito pertinentes à trama. Chino Darín e Mirella Pascual fazem aparições curtas, mas eficazes, transitando entre o drama e o suspense.

A densa construção de personagens é ajudada pela excelente narrativa em off, nos quais os personagens se abrem – a si mesmos, ao espectador, ao céu, como uma confissão – sobre suas fobias e pesadelos. Estas narrações, nunca sobrepostas a imagens referentes, tornam os personagens ainda mais complexos, e ao mesmo tempo mais opacos. O texto de teor literário não é destinado a explicar, e sim aprofundar o emaranhado de sentimentos nos quais se encontram Mario e Diana. Talvez o espectador termine a história sabendo menos sobre o casal do que no início da história. Melhor assim. O Silêncio do Céu é um destes filmes no qual se sente algo muito grave acontecendo a todo instante, em cada cena, sem conseguir exatamente dizer o quê. Ao final da sessão, o filme não deve sair da cabeça do espectador tão cedo.

 


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AGOSTO (1993) / MINHATECA Discos 01 / 02

A minissérie Agosto, adaptada do romance homônimo de Rubem Fonseca, é um thriller de ficção histórica que tem como cenário o Rio de Janeiro de 1954, em plena crise da era Vargas.

A história tem início com o assassinato do empresário Paulo Gomes de Aguiar (Paulo Fernando), no início do mês de agosto, relacionado a negociatas que envolvem uma empresa de importação e exportação fundada pela vítima. O incorruptível comissário de polícia Alberto Mattos (José Mayer) é incumbido de assumir a investigação do caso. Sua postura honesta na delegacia em que trabalha, um local fortemente entregue à corrupção, não é bem vista pelos colegas. Idealista, Mattos é um homem com capacidade de não se desviar de seus ideais. E, no que pode, ajuda os presos que vivem em precárias condições. Seu ponto fraco é uma gastrite, que o consome, provocando dores agudas.

Ao mesmo tempo, acontece o atentado contra Carlos Lacerda (Carlos Cabral), jornalista de oposição ao governo. Responsável pelo plano do atentado a Lacerda, Gregório Fortunato (Tony Tornado), chefe da guarda pessoal do presidente Getulio Vargas (Carlos Bernardo), consegue obter uma licença de importação da empresa de Paulo Aguiar por meio de ligações suspeitas. Por essas e outras evidências, Mattos passa grande parte da história acreditando ser Gregório o autor do crime contra o empresário. O culpado, porém, é Chicão (Norton Nascimento). Ele age a mando de Pedro Lomagno (José Wilker), amante e cúmplice da viúva de Aguiar, Luciana (Lúcia Veríssimo), que deseja assumir o comando na empresa do marido.

Mattos mantém um relacionamento com a ex-prostituta Salete (Letícia Sabatella), mas, apesar de saber que ela o ama, não consegue esquecer Alice (Vera Fischer), uma antiga paixão. No passado, os pais da moça proibiram o namoro dos dois e ela acabou se casando com Pedro Lomagno. Em meio às investigações, Alice e Mattos se reencontram e voltam a se relacionar. Mas ela, perturbada psicologicamente, acaba sendo internada em uma clínica psiquiátrica. 

No final da história, Mattos se declara a Salete, mas ambos são assassinados por Chicão. Pádua (Carlos Vereza), comissário na mesma repartição, prossegue investigando a morte de Alberto Mattos.Na trama, Mattos também é designado para investigar a morte de Getúlio Vargas. E, após constatar o suicídio do presidente, fica transtornado. Num ato inesperado, sob a emoção dos acontecimentos, Mattos permite a fuga dos presos de sua delegacia. 

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O PAGADOR DE PROMESSAS (1988)

MINHATECA Discos 01 / 02 / 03

O tema central da minissérie – adaptação da peça homônima de Dias Gomes – é a sobrevivência do homem e sua luta por aquilo em que acredita. O personagem condutor da narrativa é o humilde Zé do Burro (José Mayer), que, inconsolável, assiste ao padecimento de Nicolau, seu burro, vítima de um acidente.

O ingênuo Zé do Burro é de uma família de posseiros, que luta contra latifundiários, cujo principal representante é Tião Gadelha (Carlos Eduardo Dolabella). Alheio a esses conflitos, Zé vive num mundo à parte com seu fiel companheiro Nicolau. E, ao ver o animal em estado grave e sem responder a nenhum medicamento, decide fazer uma promessa a Iansã (Santa Bárbara, no catolicismo): caso o burro sobreviva, ele carregará uma cruz de madeira desde a sua roça, em Monte Santo, no interior da Bahia, até a igreja de Santa Bárbara, em Salvador. Com a recuperação de Nicolau, Zé começa a pagar a promessa, acompanhado da mulher, Rosa (Denise Milfont).

Ao chegar à porta da igreja, Zé do Burro é impedido de entrar por padre Olavo (Walmor Chagas) sob o argumento de que a promessa foi feita em um terreiro de candomblé.

Ele, entretanto, recusa-se a partir sem cumprir o prometido, afirmando que é um homem íntegro e fiel a Deus. Zé ganha o apoio da população, especialmente dos seguidores de candomblé, e passa a ser visto como mártir e santo.

Diante da situação, o presbitério se reúne sob a liderança de dom Germano (Mário Lago). Alguns padres vêem uma conotação política em sua atitude e criticam o suposto sincretismo religioso do peregrino. Outros defendem que Zé do Burro é apenas um homem do povo que quer cumprir uma promessa.

O último capítulo se passa no dia de Santa Bárbara, quando Zé se mistura à multidão durante uma procissão para tentar entrar no templo. Mas padre Olavo fecha as portas para ele novamente. A polícia cerca a igreja, e inicia-se um grande tumulto. O inescrupuloso policial Zarolho (Emiliano Queiroz) agita a multidão e insiste em prender Zé do Burro, que não se deixa levar. Em meio a uma briga em plena escadaria da Igreja de Santa Bárbara, Zé do Burro é atingido por um tiro, morrendo sem pagar sua promessa.

A população local, sensibilizada com o drama do posseiro, decide entrar na igreja com a cruz levando o corpo de Zé do Burro.

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A Mulher do Desejo (1975)

 Dirigido por Carlos Hugo Christensen

Elenco

  • José Mayer...Marcelo Veloso/Osman Fonseca
  • Vera Fajardo...Sônia
  • Palmira Barbosa...Cecília, a empregada
  • José Luiz Nunes...Nicolau, o mordomo
  • Ary Fontenelle...Dr. Domício, o advogado
  • Neimar Fernandes...Padre Paulo
  • Ezequias Marques...Dr. Romero, o médico
  • Lígia Lira...Dona da loja

Sinopse

Em Belo Horizonte, o bancário recém-casado Marcelo fica sabendo que seu tio, o recluso e solitário Osman de Ouro Preto, falecera e lhe deixara uma valiosa herança. Marcelo não conhecia pessoalmente o tio, que era irmão de sua mãe mas nunca lhe oferecera assistência quando ela ficara viúva, e não entende a razão do ato dele. O advogado explica que para Marcelo receber a herança, deverá morar com a esposa Sônia na grande mansão do falecido tio. O casal aceita a condição e resolve se mudar para lá, mas aos poucos coisas estranhas vão acontecendo. Na primeira noite, Marcelo sonha com o tio que lhe diz que se apaixonara por Sônia, a quem vira num retrato e achara parecida com um antigo amor que lhe rejeitara. Nos dias seguintes, Marcelo começa a mudar de comportamento e se transformar fisicamente no tio, e Sônia percebe que o marido está sendo possuído pela alma do falecido. E pede ajuda a um padre católico.

 

 

Nunca Fomos Tão Felizes - 1984

O conto "Alguma Coisa Urgentemente", do escritor João Gilberto Noll, é dos mais sinistros relatos a respeito do período da ditadura militar no país. Tema que permanece vivo em dezenas de livros, filmes e peças de teatro, nas mãos habilidosas de Noll ganhou enfoque exasperante. Em parte pela frieza do narrador -- um adolescente, às voltas com a fuga do pai --, em parte pelo período em que foi escrito -- final da década de 70, quando o medo e o ímpeto da denúncia andavam lado a lado.

Com esse ardor de grito abortado nos subterrâneos da alma é que se desenha a história do pai zeloso e condenado em busca do filho, das raízes familiares que a luta interditou e do relâmpago de uma convivência estruturante na vida do rapaz.

Tanto sentimento Noll resumiu em cerca de 2.560 palavras de conto. Alguns anos depois, o jovem Murilo Salles incubiu-se de tarefa igualmente difícil: rever, em seu filme de estréia, "Nunca Fomos Tão Felizes" (1984), a obra-prima do escritor.

Mesmo que "Alguma Coisa Urgentemente" guarde idas e vindas fáceis para um roteiro de cinema, o perigo seria perder nesse movimento o impacto do texto. Principalmente o espírito de uma Copacabana sombria, diferente do estereótipo turístico e luminoso que nos acostumamos a conhecer.

Esse gosto por transformar o bairro mais famoso do Brasil em espaço dark foi também utilizado por Noll em "A Fúria do Corpo", seu romance de 1981. Embora já existisse no cinema e na literatura ("Eu Matei Lúcio Flávio" recria o balneário como uma terra sem lei) foi nos 80, coincidindo com a decadência do Rio, que uma anti-Copacabana surgiria com força total. Lembrem do disco de estréia doperformer Fausto Fawcett, de 87 -- aquele que tem "Kátia Flávia", "Chinesa Videomaker" e mais um punhado de pérolas -- que nos faz pensar o quanto um "desaparecimento" na multidão copacabanense poderia ser mais eficiente que arriscar-se nos guichês de aeroportos repletos de milicos.

É para um amplo apartamento na Av. Atlântica que o guerrilheiro Beto (Cláudio Marzo) carrega seu filho, Gabriel (Roberto Bataglin), e esperam. Beto inexplicavelmente some, reaparece de novo. Enquanto isso, Gabriel -- saído de um colégio interno -- quer levar uma vida normal. Impotente em relação ao pai e em relação ao mundo, ninguém gosta dele. Mas Copacabana é um lugar diferente e rico. Nele Gabriel se descobre, enquanto espera. Espera sempre.

Tudo o que é provisório na vida do rapaz, sob perspectiva histórica, nos é plenamente compreensível. Enquanto a realidade de Gabriel a que assistimos não se move, ou se move bem pouco, a do pai adivinhamos entre assaltos a banco, sequestros e fugas da polícia. Filme e conto significam mais pelo que não mostram do que propriamente por aquilo que é narrado do ponto de vista de um inocente solto à própria sorte.

Como sempre, o filme é inventário de apetrechos fabulosos do passado: a tv Philco branco e preto a valvula; o radinho de pilha tocando a falecidíssima Rádio Jornal do Brasil AM; a caixinha de fósforos da boate na rua Gustavo Sampaio, Leme; além da capanga de Cláudio Marzo, um clássico masculino que os trombadinhas de Copacabana adoravam.

Quando pai e filho vão ao cinema, temos uma dica do ano em que a história se passa -- 1972 --, pois assistem a "Os Inconfidentes", de Joaquim Pedro de Andrade. Já a tv Philco exibe o grupo Hues Corporation interpretando o trepidante hit "Rock the Boat". A canção fez sucesso no Brasil em 1974. Ou "Os Inconfidentes" andava reprisando na cidade ou a produção comeu mosca.

Não é o único erro: apesar da presença ocasional do pai, Gabriel insiste em procurá-lo numa investigação melancólica. Assim, chega à dona do apartamento, a perfumista Leonor Camargo (Suzana Vieira), que acabara de abrir uma boutique na rua Barata Ribeiro, 828 loja 22. Ele descobre a inauguração através de convites entregues pelo correio. E, se minutos antes, um letreiro indicava que estamos no dia 28 de novembro, os convites solicitam presença para o dia 14 de setembro. Além disso, o sequestro do embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher, acontecido em dezembro de 1970, é citado explicitamente, aumentando ainda mais a licença poética em relação às datas.

No aniversário do filho, Beto se esforça, leva um bolo de chocolate, mas assim que as transmissões televisivas se encerram (com a Sessão Coruja exibindo "East of Eden", de Elia Kazan) e o menino dorme, o militante parte novamente. "Fique agora na tranquilidade do seu lar", diz o locutor global. Mas Beto não tem lar. Seu porto seguro é a luta.

O cerco começa a se fechar quando Beto marca um "ponto" com Gabriel, em um bar de São Cristóvão, e não comparece. No meio da coisa pegando fogo, Murilo Salles arruma tempo para cenas de sexo insólitas: mantendo caso com uma dançarina balzaquiana da boate Twist, Gabriel inicialmente a maltrata, depois solicita que raspe os pêlos pubianos (!?!). Em troca, recompensa a pantera com um maço de dinheiro que o pai lhe deixara.

Refém do desterro, sentado no calçadão da praia em frente à rua Santa Clara, assistido por seu único amigo -- o vendedor de cachorro-quente -- Gabriel ainda busca um referencial paterno. Tão felizes nunca fomos -- sugerem os créditos, mas há nisso uma ambiguidade: tanto o conto quanto o filme são sobre amor. Amor trágico, verdade, mas alguma réstia de felicidade uniu aqueles dois homens, o grande e o pequeno, em busca de uma intimidade clandestina.

 

Deu a Louca no Cangaço - 1969

Após serem expulsos de uma cidadezinha por venderem gato por lebre, a dupla Maloca (Dedé Santana) e Bonitão (Dino Santana) rouba roupas de alguns cangaceiros, e ao chegarem em outra cidadezinha, acabam confundidos com os temidos fora-da-lei nordestinos, principalmente, porque Maloca, é a cara cagada e cuspida do cangaceiro fodão Zé Maria (Dedé Santana) líder de um dos bandos. E o momento que os caras inventaram de aparecer por lá não é dos melhores, já que, além do bando está em conflito com um bando rival, a volante planeja acaba com a festa dos dois grupos desordeiros.

Comentários: Muita gente não sabe (inclusive, esse blogueiro, que só veio saber a pouco tempo, graças aos blogs O Poderoso Chofer e, principalmente, Os Trapalhões.Net, este prestando um excelente trabalho a memória do saudoso grupo, trazendo a mais completa filmografia), mas, o primeiro trapalhão a aparecer nas telonas não foi Renato Aragão, mas, Dedé Santana, que, fazia seu debute nas telonas quatro anos antes do debute de Aragão. Também é desconhecido pela maioria que Dedé teve carreira própria antes de se juntar em definitivo com o parceiro de longas datas, fazendo outra brilhante parceria com seu irmão, o saudoso Dino Santana (09/08/1940 - 26/12/2010), formando com ele a dupla Maloca e Bonitão, que fez sucesso na telinha e rendeu três filmes, cujo o primeiro é este, que tira sarro da modinha da época do nosso cinema de filmes sobre o cangaço. O problema do filme é  que o roteiro, escrito por Dedé Santana, é fraquinho e se perde em alguns momentos (como na desnecessária e patética sem graça sequência da miragem da dupla em confundir os cangaceiros com um monte de gostosas) com poucas piadas realmente engraçadas, e o pior, quando inventa de se levar a sério em alguns momentos no clímax (pelo menos rende um momento canastrão de Dedé que chega a ser hilário). Esperava-se mais de um filme roteirizado por Dedé e pelo próprio título prometer ser uma divertida paródia, como a maioria dos filmes dos Trapalhões. O resultado final é decepcionante, mas, não chega a ser um merda total, pois, felizmente, as poucas piadas que funcionam provocam risadas. E ver os impagáveis irmãos Santana em cena, como também os saudosos Gibe (10/01/1935 - 16/07/2010) - o eterno Papai Papudo da turma do Bozo, mais lembrado também por ter participado de algumas pegadinhas do Topa Tudo Por Dinheiro - e Rony Cócegas (17/04/1940 - 25/07/1999) - o eterno Galeão Cumbica da Escolinha do Professor Raimundo e Lindeza (do bordão "Calma, Cocada!") da A Praça é Nossa -, (Ah, Castrinho também marca presença numa ponta que não consegui identificar em qual cena) são motivos suficientes para o filme ser descoberto e assistido.

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Quando as Mulheres Paqueram - 1971

De um tempo em que as pessoas podiam fumar à vontade, Chacrinha não era considerado politicamente incorreto e pernocas de fora motivavam suspiros em vez de ódio, "Quando as Mulheres Paqueram" (1971) causará no espectador, quarenta anos depois, a incômoda impressão de ser avançado e ousado em excesso.

Na gênese da pornochanchada, a direção de Victor di Mello -- roteiro da atriz Dilma Lóes, sua mulher -- acertou em tudo, e não parece exagero dizermos que, ao lado de "Os Paqueras", esta foi a melhor comédia erótica realizada no país. Inicialmente chamado "Assim Nem a Cama Aguenta", exibido em festivais internacionais com esse título, angariou grande simpatia pelo lindo e jovem casal diretor-roteirista. Voltando ao Brasil a censura implicou, e a liberação terminou vinculada à troca de nome.

"Quando as Mulheres Paqueram" estreou no Rio em fevereiro de 1972. Carlos Imperial, em sua coluna, o definiu mais ou menos assim: "Conta a história de três garotas super da pesada que ficam abatendo os grandes abatedores de lebres que existem por aí" (sic). Traduzindo para o português de hoje, o filme pretende avançar na questão feminista -- grande pauta daquele ano que se iniciava -- mostrando duas primas, Ângela (Eva Christian) e Patrícia (Sandra Barsotti), além de uma amiga esquisitona, Meg (a própria Dilma Lóes), invertendo papéis e transformando em caça dúzias de garanhões caçadores.

Ângela é filha de um casal de meia-idade -- interpretado pelos pais de Dilma na vida real, Urbano Lóes e Lídia Mattos. Já a prima Patrícia retorna ao Brasil, junto com Meg, depois de longa temporada estudando em Londres. A produção se esforçou, despachando equipe para a Inglaterra e filmando na capital britânica as atrizes-turistas caminhando pela Carnaby Street, ouvindo discursos no Speaker´s Corner do Hyde Park e tumultuando a guarda do Palácio de Buckingham.

Por alguma razão misteriosa -- patrocínio? -- elas dispensam a Varig e compram passagens de volta ao Brasil pela Lufthansa. Já instaladas em terras cariocas iniciam um périplo, cada uma com seu objetivo: Meg pretende fazer pesquisas de comportamento; Patrícia quer faturar quantos homens puder. Ângela antipatiza com ambas, a quem considera umas "caretas".

Não se enganem com argumentos simplórios. Passeamos pela cidade maravilhosa do Antonio´s, do Zeppelin, do Castelinho e pelas inúmeras camas onde se deitam Ângela e Patrícia. Sandra Barsotti logo aprende a catequizar os locais com uma singela piscadinha, enquanto Eva Christian pratica topless em um apartamento cheio de amigos. Rivalizando em gostosura, vão enfileirando homens e situações não muito engraçadas, mas que servem de pano de fundo à crônica de costumes, tão ao estilo shagadellicda época.

Em certo momento o ator Cláudio Cavalcanti, antes de se apaixonar por uma melancia em "Vereda Tropical", faz o papel de si mesmo, saindo de uma incrível loja de artigos sonoros no Posto 6 -- e sendo abordado pelas furiosas. Outras vítimas são os galãs Carlo Mossy, David Cardoso e Francisco di Franco.

Sim, esta foi a primeira vez em que Carlo Mossy e David Cardoso -- os reis da pornochanchada - -- aparecem juntos nos créditos, embora não contracenem. Repetiram a dose, dezoito anos depois, no lendário "Solidão, Uma Linda História de Amor" (1989) -- também dirigido por Di Mello --, o maior elenco nacional já reunido em um dos piores filmes de todos os tempos.

Cansadas do Rio, as meninas sirigaitam em São Paulo, e a coisa ganha um ar ainda mais turístico que em Londres. De qualquer forma é bom ver a esquina de Paulista com Augusta irreconhecível, além do Monumento aos Bandeirantes, o Terraço Itália e outros pontos de interesse estereotipados, que certamente os realizadores cariocas puxaram pela memória.

Meg, a personagem de Dilma, é um espetáculo à parte com suas "pesquisas", chegando a vestir-se de mendiga para saber como é a vida nas ruas, tocando flauta de bumbum pra cima ou dirigindo um kart noite adentro. A última cena com Dilma, Mossy e Zózimo Bulbul na cama, sob um poster do futuro banido da vida artística Wilson Simonal, parece nos lembrar da impossibilidade de se compreender aquele espírito nos dias de hoje.

Não tanto pelos dramas descartáveis, mas pelas escolhas que seus personagens faziam, o cinema comercial dos anos 70 ganha ares cada vez mais exóticos e libertários. Responsáveis por seus atos, imunes ao vitimismo e à tutela, os ingênuos de outrora envelhecem como doces transgressores. Se discordam da observação sugiro experimentar em 2009 uma refilmagem de "Quando as Mulheres Paqueram". Depois chamem parte da crítica, do público -- quem sabe alguns alunos da Uniban -- para julgarem o resultado.

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Estou com AIDS - 1986

Amargando a decadência do modelo de produção que o consagrou na Boca, no final de 1985 David Cardoso dirigiu e atuou -- como entrevistador -- em um inacreditável filme-jabuticaba (fenômeno só possível no Brasil) chamado “Estou Com Aids”. Misto de ficção e reportagem, revisto e reavaliado nos oferece um verdadeiro tratado sociológico de como a doença era encarada (e mitificada) no país em meados da década de 80.

Sensacionalismo, preconceito e ignorância dão a tônica, embora David, coerente com sua linguagem e ambição popular -- críticos mal humorados diriam popularesca -- tente ser o mais neutro e respeitoso possível. Acontece que o meio onde se enfia é um pântano: entrevistar “personalidades” e transeuntes na rua, deixá-los falar à vontade. Ilustra os depoimentos com vinhetas e encenações de reportagens publicadas na grande imprensa, como a histórica capa da Veja de 14 de agosto de 1985.

Os créditos surpreendem com um vaticínio: “Htlv3=Aids=Morte”. Tal barbaridade é plenamente justificada pelo temor e pânico que a doença espalhava naquele ano. Entre outras coisas, difundia-se o boato de que as chuvas durante o Rock in Rio, realizado em janeiro, causaram a propagação do vírus no país. E que Nostradamus avisara antes.

Isso também explica a digressão da cantora Alcione, que afirma para David que os gays brasileiros são limpos, gostam de banho e que o problema estava nos estrangeiros. Em seguida aconselha para os brasileiros a tomarem cuidado com "aqueles dos olhos azuis" (!).

Entrevistas se sucedem: Dulce Damasceno de Brito fala sobre Rock Hudson, Pedro de Lara sobre a falta de valores cristãos e o lutador Maguila acredita que esportistas estão livres de tentações que levem à Aids. Já a atriz Zaíra Bueno busca paralelo entre a doença e a disseminada falta de amor-próprio. Em momento alucinógeno, David pergunta a um dono de restaurante se "a propagação da aids afetou o estabelecimento".

Nos trechos de ficção, o filme incute medo, muito medo. O caso da empregada doméstica, que transa com o patrão bissexual e termina na sarjeta, foi inspirado em box da matéria da Veja. Engraçado é o set de um filme pornô na Boca, onde a atriz -- que havia lido reportagem sobre o receio de Bo Derek fazer cenas eróticas -- recusa-se aofellatio em dois rapazes, a não ser que eles se lavem “com bastante álcool”.

Exemplo típico de abordagem simples para um assunto complexo, “Estou Com Aids” termina demonstrando situações de suicídio, delegados que se metem na vida particular de doentes e hemofílicos confundidos com homossexuais porque contraíram a moléstia. Assim, denuncia quase sem querer o horror de se estar frágil em um país subdesenvolvido, de saúde pública e meios de informação precários.

Trazido à tona hoje, dificilmente escapa de uma condenação taxativa, mas precisamos levar em conta seu mérito de honestidade absoluta. Não sendo hipócrita, nem sutil, muito menos liberal, David Cardoso quis fazer um instantâneo vivo do pensamento corrente (e reacionário) sobre a moléstia.

E se por outro lado ainda não veio a cura -- como profetiza otimista Anselmo Duarte -- pelo menos causa enorme alívio a percepção de que, em 25 anos, brasileiros avançamos bastante no quesito opinião pública. Desastroso, pitoresco, sinistro, execrável, “Estou Com Aids” é tudo de horrível, ruim -- inclusive bastante real.

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Ação Entre Amigos - 1998

O método de edição escolhido por Mingo Gattozzi demonstra como Ação Entre Amigos é diferente dos seus pares, já que seus créditos iniciais são exibidos como se fossem parte do relatório de uma das autoridades militares que estavam no poder em 1971. O filme é construído como um episódio antigo, mas é abordado de uma forma vanguardista, ao contrário do resto da iconografia típica do cinema brasileiro dos anos 90.

O presente mostrado em tela apresenta um grupo de amigos de meia-idade, já em uma fase decadente de suas vidas, relembrando momentos dos seus melhores dias, quando as ideologias eram muito mais presentes em suas ações, do que em suas idéias. A reunião é convocada por Miguel (Zé Carlos Machado), que teria descoberto um antigo torturador do seu grupo revolucionário, 25 anos após o aprisionamento dele e dos seus.

Miguel tem seu grito abafado por seus amigos, que ou não acreditam no fato do sujeito ainda estar vivo, uma vez que os jornais noticiaram a sua morte, ou não querem remexer em todo o passado, arriscando-se mais uma vez, já que a o peso da idade e da maturidade os obriga a pensar de modo menos instintivo e mais racional. A revolta toma Miguel, que não consegue esquecer o que sofreu, nem se conformar com isso, possivelmente até cedendo à paranoia típica dos anos de chumbo.

O extremismo dos ativistas é discutido no núcleo dos anos setenta. Lúcia (Melina Anthís) tenta convencer seu parceiro sexual de parar com a luta armada e resolve fugir com Miguel, ainda jovem (encenado por Rodrigo Brassalto), já que ela espera um bebê dele. O aborto para ela é um preço demasiadamente alto a pagar, mesmo com a luta e com a revolução que eles tencionavam instaurar a qualquer custo. Com alguns pontos semelhantes ao raciocínio sofista, os guerrilheiros normalmente não se envolviam com seus colegas exatamente para não cair na tentação de abrir mão da revolução.

Em 1996, Miguel segue com as suas suspeitas e, em uma reunião com seus três amigos, mostra os dados que reuniu, sendo mais uma vez  demovido de suas ideias. Em uma pescaria, ele resolve parar um instante para verificar o túmulo do sujeito e de sua esposa. Os membros do grupo, já adultos, têm a calvície em comum, exceto – obviamente – Miguel, talvez em uma referência visual à rebeldia e juventude ainda presentes na vida do personagem, enquanto os outros se permitiram envelhecer, tentando apagar de suas identidades as marcas da dor e do cárcere a que foram submetidos.

Como era de se esperar, o líder do grupo estava certo, descobrindo o paradeiro do ex-militar, que é pego em uma rinha de galo, um dos seus muitos pecados antigos. Os quatro encontram a propriedade do sujeito, um lugar enorme, fruto do sangue de muitos dos ativistas, onde vive com uma identidade nova. O revanchismo dentro do grupo era muito mais pessoal que político, movido pela emoção e com a mesma animosidade que os impedia de traçar um plano à prova de falhas.

O quarteto se divide, e somente três vão atrás do objetivo. O acerto de contas com o aposentado senhor ocorre sob protestos do idoso soldado, que declarava que aqueles eram tempos de guerra. Essa era mesma fala dita nos anos setenta, quando suas atitudes eram extremas, o que, claramente, não justifica o que ele fez a Miguel e aos outros.

O sentimento de vingança do protagonista o faz ficar cego e ir atrás do suposto delator. A sede de justiça passa dos limites, fazendo-o atentar contra o covarde que os deixou. O roteiro de Marçal Aquino, Brant e Renato Ciasca acaba trágico, validando até alguns dos pontos do acordo de anistia, que obviamente precisava ser revista, mas que tem pontos cruciais para as resoluções dos problemas do grupo. Beto Brant não tem qualquer receio em demonstrar suas influências estilísticas estrangeiras de Tarantino, Scorsese e Michael Mann. Em seu drama, é aventando o ódio desmedido, tão perigoso quanto a omissão e a falta de coragem de abrir os inconvenientes segredos pecaminosos entre os ditos amigos. Um thriller repleto de ansiedade, cujo fôlego impressiona por não se perder em nenhum momento.

 

Corpo Devasso (1980)

Uma belíssima surpresa este CORPO DEVASSO (1980), que já posso colocar entre os três melhores trabalhos de Alfredo Sternheim, ao lado de ANJO LOIRO (1973) e VIOLÊNCIA NA CARNE (1981). Pode-se notar a habilidade do diretor em lidar tanto com histórias mais sofisticadas, quanto com com filmes mais populares, cujo termo "pornochanchada" lhes cabem melhor. Ainda assim, acho que ele não se saiu tão bem assim em tentar fazer algo parecido com o que Walter Hugo Khouri fazia, em seu filme anterior, A HERANÇA DOS DEVASSOS(1979).

Os anos 80, principalmente a primeira metade, foram bem interessantes para a Boca do Lixo, já que começou uma abertura maior na busca por um erotismo mais gráfico. Muitos dos filmes desse período ainda são mais excitantes do que muito filme pornô que se faz hoje, tanto pela boa condução na narração, quanto por saber lidar com o erotismo com maestria.

No caso de CORPO DEVASSO, isso se deve tanto à participação de Ody Fraga no roteiro, quanto à produção e presença de David Cardoso, o principal nome masculino no elenco dos filmes da Boca do Lixo, o grande galã do cinema paulista da época, e que adorava ficar pelado na frente das câmeras, o que acabava sendo um chamariz também para as espectadoras do sexo feminino.

Tanto é que o tal corpo devasso do título se refere ao dele e não ao de uma mulher, como era de se esperar. Nesse sentido, o filme de Sternheim foi quase revolucionário, ao trazer o tema da homossexualidade com respeito (até pelo fato de o diretor ser gay) e sem as tradicionais visões preconceituosas e afetadas. O cineasta também demonstra o seu amor pelos livros em diversas cenas em que o protagonista (David Cardoso) elogia as bibliotecas pessoais e a cultura das pessoas que ele encontra pelo caminho.

A trama é pra lá de divertida, com Cardoso aparecendo como Beto, um caipira (com cabelo de Jeca Tatu e tudo) tentando aplacar a fome de sexo em uma bezerrinha, quando a filha do seu patrão o pega no flagra e se insinua para ele. Isso acaba lhe prejudicando quando os pais o pegam com ela na cama. Resultado: ele precisa fugir para São Paulo, a megalópole que o maltrata, mas que também traz muitas coisas boas. Lá ele se relaciona com mulheres e também com homens, quando, ao precisar de dinheiro, apela para a prostituição.

Mas, embora as cenas com Raul (Arlindo Barreto) sejam muito boas, as minhas preferidas são as com Neide Ribeiro, que interpreta uma fotógrafa que adora usar os homens como objetos sexuais e depois descartá-los. As cenas com ela são as mais excitantes do filme, tanto pela beleza de seu corpo quanto pelo modo como elas foram filmadas. É também o momento em que o personagem se vê em uma sociedade estranha à que ele estava acostumado, com direito a festas com orgias e tudo.

Pelo menos mais outras duas mulheres passam pelo caminho de Beto, em situações bem distintas. Uma se revelando bastante romântica; outra o querendo como um caseiro e amante. É nesse momento, já perto do final, que o filme perde um pouco o rumo. Poderia ser lembrado como um exemplar quase perfeito do gênero, ao lado de GISELLE, de Victor di Mello, realizado no mesmo ano, e que também contém cenas de sexo homossexual. Além do mais, CORPO DEVASSO trouxe temas que surpreendentemente passaram pela censura sem problemas, como a discussão sobre o socialismo e a difícil luta pelos direitos trabalhistas através da greve.

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O Dia do Gato (1987)

Um vigarista chamado Gato (David Cardoso) chega do Mato Grosso de ônibus, instala-se num hotel e prepara com cuidado seu disfarce. Passa a usar o apartamento de um milionário para dar golpes, atraindo pessoas, usando como isca a venda de um carro e se vê às voltas com intrigas, carrões, bandidos e mulheres bonitas.
“O dia do gato” foi o último filme produzido e dirigido por David Cardoso e também o último dele como astro, fechando o ciclo como o rei da pornochanchada, mas este não é muito erótico, só traz alguma nudez do próprio David que sempre fazia questão de aparecer nu em seus filmes e uma cena de sexo entre ele e a atriz Mariza Sommer.
Uma tragédia marcou as filmagens: a morte misteriosa de uma das atrizes Waldirene Manna.

David Cardoso era Celso, um estudante almofadinha em férias pelo sul brasileiro. Era o começo da carreira do ator de novelas e filmes nos anos 70/80 (Adalberto Day)

Férias no Sul (1967)

Blumenau era ainda uma cidade em crescimento acelerado em 1966 quando desembarcou por nossas bandas um diretor de cinema disposto a fazer daquela curiosa e simpática cidade um pano de fundo para uma história de amor, desencanto, juventude jovem guarda e romance. Trouxe com ele dois atores com potencial, muitas ideias e acabou saindo daqui com uma ligeira impressão de fez uma tragédia, mas sem saber da contribuição que deixaria para a história da cidade.

Causador de polêmicas mas um precioso recorte histórico, o filme Férias no Sul desperta toda a sorte em memórias e sentimentos a quem viu nos cinemas da cidade o melodrama estrelado por um jovem David Cardoso, ainda desconhecido do grande público. 

Quem se lembra do filme não esquece, não apenas da história e do que viu, mas também da repercussão negativa que causou nos puritanos da época. Era uma propaganda negativa da cidade, que rotulava o blumenauense como um ser certinho, que só pensa em trabalho e cujas moças, de temperamento difícil, se atiravam a qualquer forasteiro do sudeste brasileiro. Deu de tudo, e a película foi do sucesso a infâmia em um piscar de olhos. Foi esquecida por muitos, mas sempre lembrada de uma forma ou de outra pelos contemporâneos da obra.

O sonhador mato-grossense que falara no primeiro parágrafo era o diretor Reynaldo Paes de Barros, que escreveu e lidou com uma verba diminuta para rodar a película. Na trama, Cardoso vive o estudante paulista Celso, que veio passar as férias no sul brasileiro a convite de um amigo. Aqui, ele conhece duas mulheres, à época encantadoras: A blumenauense Helga, vivida pela atriz blumenauense Dagmar Heidrich, e a paulistana Isa, interpretada pela consagrada Elisabeth Hartmann.

No entanto, grande parte do elenco era composta por atores da própria composta por atores e figurantes da própria comunidade, a exemplo da própria Dagmar. A história também se passou em outras cidades, como Caxias do Sul e Gramado, no Rio Grande do Sul, e na então minuscula praia de Balneário Camboriú, ainda longe dos tempos glamourosos de hoje em dia. Quem imagina que o fim do filme foi feliz se engana, mas, não pense o amigo que darei uma de spoiler… Mas, quem viu sabe, o final não lembra em nada qualquer filme de romance que se conhece.

Fora a cópia de Cesar Hartmann, as outras cópias do filme se encontram em posse da TV Galega e no Arquivo da FURB TV. Agora, também podem estar na casa de todos, que podem conferir novamente os lances da desventura de Celso e os cliques de uma Blumenau que existe apenas em fotos e memórias.

E mais, quem tiver mais curiosidades sobre o filme e as histórias que despertou pode encontrar mais detalhes no blog de meu grande amigo e mentor em história, Adalberto Day. As crônicas são de autoria de outra figura indelével da cidade, o jornalista, presidente da Ampe e eterno Cid Moreira de Blumenau, Carlos Braga Muller. Clique, pesquise e fique a vontade

E, com vocês, sem mais delongas, Férias no Sul:

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O CORPO ARDENTE - 1966

Eixo da inquietação khouriana – a ponto de ser eleito o filme preferido do diretor, Walter Hugo Khouri – “O Corpo Ardente” (1966) manipula erotismo e esterilidade emocional a partir dos arquétipos de mãe – Márcia (Barbara Laage) – e filho – Roberto (Wilfred Khouri).

Os intérpretes mudariam quinze anos depois, em “Eros, O Deus do Amor” (1981). Dina Sfat no referencial materno, Roberto Maia no papel de Marcelo – alter-ego mais conhecido do realizador paulistano.

Note-se que a denominação diferente não impede que Roberto também seja Marcelo, pois o distanciamento entre ambos se dá no plano cronológico, e não essencial. Roberto vive a infância – como o Hugo de “Amor Estranho Amor”. Marcelo atravessa a adolescência – vide “O Último Êxtase” – e a maturidade – a exemplo de “Eros” e “Eu”.

Há, inclusive, um prolongamento natural entre “Eros” e “O Corpo Ardente”. Se o primeiro consagra o homem de meia-idade, insaciável, vazio, o segundo remete à fonte, ao início de tudo, e aproxima-se da mãe. Márcia é retratada por inteiro; Roberto-Marcelo simplesmente coadjuva.

Casada – com o personagem inominado de Pedro Paulo Hatheyer –, adúltera – com os de Mario Benvenutti e Miguel di Pietro –, traída – pela de Lilian Lemmertz, estreando no cinema –, a mulher de trinta e tantos anos procura refúgio no sítio da família, na região serrana, aonde passava férias quando criança. Leva consigo Roberto, e se a vegetação soporífera ao redor não consegue aplacar o comportamento depressivo, decide subir as montanhas como fazia quando pequena. Volta à infância, arrasta o filho junto e através do passado reconstrói o presente: atinge o cume e ao chegar por lá, consagra o filho como ídolo, colocando-o no trono de pedra. Escolhe para cetro um galho de árvore e, como ornamento, uma pedra oval, na mão esquerda.

― Sua Majestade, o rei das pedras. O rei.
― Vem aqui comigo.
― Não, [olhando para o lado] eu sento aqui. Porque o rei é você.

Percebam a cena como quem se aproxima de um achado gigantesco, o fio da meada. Roberto no topo do nada, no meio da neblina, estabelecendo com a mãe um vínculo que por ser intraduzível, é recontado em imagem.

O amor a que assistimos vem embrulhado na memória, daí a composição do quadro envolver a neblina típica das cordilheiras de Itatiaia, cidade ao sul do Estado do Rio. A memória do Roberto-Marcelo passará a ser reconhecida em outros filmes de Khouri pelo uso desta locação. Aqueles que ainda não associaram o lugar ao fato, basta lembrarem-se das últimas cenas de “Eros”. O trono de pedra expressa o drama edipiano.

Roberto veria, ainda, o cavalo puro sangue, indomável – simbologia evidente para o desejo sexual, compartilhado por mãe e filho, que então percebe o rubor da mãe. O nervosismo do filho retorna nos momentos finais, quando assistem juntos às gravações realizadas numa câmera Super-8, presente do pai. A criada, Glória (Dina Sfat, em seu segundo filme) aparece rapidamente.

O pai em “Eros” vibrava com os instintos priápicos de Marcelo, cedendo-lhe a garçonnière. Aqui em “Corpo Ardente” é ele que ordena a perseguição ao cavalo, a mãe ao volante do carro, o instante do close pela crina e músculos do animal. Em poucos takes “O Corpo Ardente” faz convergir pai, mãe e filho, e deste caldo temos uma espécie de prefácio para as imperfeições futuras de Marcelo.

Aspecto crucial para tanto, a montagem de Mauro Alice excede as expectativas. Através dela o humor de Márcia é percebido por Roberto e pelo público. Um exemplo talvez explique melhor. Depois das férias na casa de campo, Márcia olha para o afresco no fundo de um chafariz, imagem que simula a morte por afogamento da protagonista. Afasta-o com um golpe das mãos sobre a água, as ondinhas balançam a visão do desenho que, mesmo assim, permanece ao fundo.

A própria passagem do campo à cidade é apresentada em “O Corpo Ardente” a partir de descontinuidades temporais, que se alternam em pelo menos cinco momentos. Tempo 1: o affair de Márcia e Benvenutti; tempo 2: a insatisfação de Márcia com Benevenutti; tempo 3: o affair do marido com Lemmertz; tempo 4: a estação em Itatiaia; tempo 5: a festa que inicia, permeia e finaliza o filme. Na festa, há a promessa de um tempo 6, não mostrado à platéia, em que Márcia envolve-se com o novo amante (Pietro).

Mas aliada à ascese artística de Khouri – e que, conforme visto, extrapolou as fronteiras do filme –, existem curiosidades em “O Corpo Ardente” que nem sempre chegam ao conhecimento do público. Como nota de pé de página, podemos citar a toilette da francesa Barbara Laage, confeccionada pelo costureiro Clodovil, em sua fase dândi.

Quanto à mais pitoresca, refere-se ao diretor de produção, David Cardoso – em ponta, ao lado de Sérgio Hingst, como peões. Reza a lenda que o embaixador do Mato Grosso do Sul foi encarregado de tomar conta do alazão. Dentre outras tarefas, teve de acalmá-lo sexualmente – recurso comum em fazendas – com uma loção.

Em “O Corpo Ardente” Khouri ensaiava a criação de uma narrativa fílmica que se irradiaria por anos a fio. Saído da refrega de “Noite Vazia” (1964), em ocasiões posteriores precisou ser explícito, carregando nas cores para arrebanhar a bilheteria e prosseguir. No país que vira as costas aos que não se instalam nos monopólios bancados por incentivos governamentais ou privados, admira-se que existam épicos modernos, como a obra seminal que revisitamos agora. Logo ali, na esquina da eternidade alguém consolidou a paixão do filho pela mãe altiva; presságio de um amor primitivo e traiçoeiro.

Pôster de Corpo Presente

Corpo Presente - 2011

"Não tenho medo de nada, só de ser enterrada viva". A afirmação de Cynthia (Simone Iliescu) encerra um anúncio de jornal em que se anuncia como garota de programa. A frase reflete o temor dela e também do agente funerário Alberto (Marat Descartes) e da operária Beatriz (Raissa Gregori). Não se trata do horror literal de descer à cova ainda respirando, mas o pânico de ser sepultado pela vida sufocante e sem perspectivas que levam na metrópole paulista.

Estes três personagens centrais, cada um à sua maneira, lidam com o mal-estar urbano se alienando da realidade. Alberto atravessa os dias alucinado pelo efeito de drogas tarja preta. Cynthia se prostitui ocasionalmente, dança em uma boate e trabalha como manicure; anestesia-se da realidade sonhando em fazer parte de uma companhia de dança no Japão. Beatriz é mãe solteira, mora com a avó e seu trabalho na fábrica a mortifica; caminhar a esmo pela cidade é sua fuga inócua.

Diferente da maioria dos filmes com tramas paralelas, em Corpo Presente as vivências desses personagens nunca se cruzam. Eles estão unidos apenas pela cidade, São Paulo, ela mesma uma personagem que os oprime. Não demoramos muito a notar um desequilíbrio evidente entre as tramas. Enquanto as histórias de Alberto e Cynthia são mais bem urdidas e abundantes em essência dramática, a da operária Beatriz parece inoportuna e sem revelo.

O filme se propõe também a fazer uma homenagem ao cinema paulista da Boca do Lixo, marcado pelas produções baratas e de apelo sexual, que teve vez entre os anos 60 e 80. A reverência está nos enquadramentos, locações típicas e presença de nomes da época em papéis secundários. David Cardoso vive o vaidoso dono de um salão de beleza; Darlene Glória é uma cliente exigente e espalhafatosa; o cineasta Alfredo Sternheim interpreta um gângster.

Para quem viveu ou conhece o movimento da Boca, tudo está claro - certos cinéfilos se dão por satisfeitos só em conseguir apreender referência em filme. O espectador não-iniciado, no entanto, vai ignorar os louvores e se ater à história central do longa, ou seja, ao que interessa de fato. E esta, na sua tentativa de explorar dramas existências urbanos, deixa muito a desejar.

Corpo Presente padece do mesmo mal de seus personagens: alienação em relação ao entorno (no caso, o cinema que se faz hoje), falta de rumo e regularidade.

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Verdades Secretas (2015)

Arlete (Camila Queiroz), uma jovem do interior de São Paulo, chega à capital com um sonho: ser modelo. Ela conhece Visky (Rainer Cadete), um booker que se encanta imediatamente por ela e a convida para fazer parte do casting da agência comandada por Fanny Richard (Marieta Severo).

O novo trabalho vem a calhar. Arlete e a mãe, Carolina (Drica Moraes), vão morar com a avó, Hilda (Ana Lúcia Torre), mas as coisas não andam nada bem. Ela até consegue uma bolsa para estudar em um colégio excelente, mas falta dinheiro para as coisas básicas, como pagar a conta de condomínio. Arlete só pensa em ajudar em casa. Justamente por isso, Carolina aceita que a filha modele. Essa ideia nunca foi muito bem recebida por essa mãe, uma mulher simples e dedicada à família. Carolina abriu mão dos estudos muito cedo e nunca teve uma carreira. Futuro que ela não planeja para Arlete.

Os olhos de Fanny também brilham ao encontrar Arlete. Experiente e ambiciosa, ela vê na menina um caminho promissor. Angel, como ela é batizada artisticamente pela empresária, tem beleza e juventude. Mais do que estar nas passarelas e em campanhas publicitárias, Angel tem para ela outra serventia. Disfarçada de oportunidade, a garota é apresentada a um submundo: Fanny a convida para integrar outro tipo de catálogo, aquele que é conhecido como “book rosa”. Mas Angel só entende do que se trata quando as regras do jogo ficam claras: prostituição de luxo.

A princípio, Arlete fica receosa. Mas logo ela entende que o “book rosa” pode ser o meio mais rápido para multiplicar seus cachês e desafogar as finanças em sua casa. E é como prostituta que Arlete/Angel acaba vivendo uma intensa paixão com o rico empresário Alexandre Ticiano, o Alex (Rodrigo Lombardi), que, extasiado pelo sentimento que nutre pela jovem, se envolve com a mãe dela, Carolina, para ficar perto da garota e tê-la quando quiser, num jogo de amor e desejo arriscado que tem tudo para um final trágico.

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LABIRINTO (1998)

 "Labirinto" foi exibida originalmente em novembro e dezembro de 1998. Trata-se de uma trama policial inspirada em filmes clássicos de Hollywood, principalmente os suspenses dirigidos por Alfred Hitchcock - os mais óbvios, "Intriga Internacional" (1959) e "O Homem Errado" (1957).

Gilberto Braga criou a trama com a parceria de Sérgio Marques e Leonor Bassères para contar a mirabolante saga de André ( Fábio Assunção ), um rapaz humilde que é injustamente acusado de assassinar Otacílio ( Paulo José ), no primeiro capítulo da história.

André é fotografado com uma arma na mão - revólver que teria matado Otacílio, que após levar o tiro, despenca do alto de sua luxuosa cobertura em Copacabana, em plena noite de Réveillon. Mas apesar das evidências contra André, existem outros suspeitos: a viúva do morto, Leonor ( Betty Faria ), e o amante dela, Ricardo ( Antônio Fagundes ); o filho de Otacílio, Júnior ( Marcelo Serrado ); e Ivan ( Luciano Szafir ), entre outros.

Os personagens de Marcelo Serrado e Fábio Assunção são também ligados por outra presença: Virgínia ( Luana Piovani ), noiva de Júnior, mas que se apaixona por André. Essa parte da trama era nitidamente inspirada pelo filme "Férias de Amor" (Picnic, 1955).

Mas apesar do herói da série ser Fábio Assunção - no auge da beleza, aos 27 anos -, quem roubou a cena foi Malu Mader. Eterna musa do autor Gilberto Braga, Malu interpretava a prostituta de luxo Paula Lee. Uma garota que vinha de família rica e que aderiu à profissão para se rebelar contra o pai.

Paula Lee também se apaixona por André, e luta para provar a inocência do galã. A intrépida personagem chega a se casar com o perigoso Ricardo, para descobrir se este é o culpado pelo crime. As sequências finais, quando Ricardo sequestra e tortura Paula, são eletrizantes.

No elenco, ainda surgiam outros habituais frequentadores de obras criadas por Gilberto Braga: Isabela Garcia, Otávio Muller, Deborah Evelyn, José Lewgoy e Cláudia Abreu.

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ANOS REBELDES (1992)

MINHATECA Disco 01 / 02 / 03

Exibida entre julho e agosto de 1992, a minissérie Anos Rebeldes foi um dos momentos mais marcantes da televisão brasileira. A produção acompanhava a história de João Alfredo (Cássio Gabus Mendes) e Maria Lúcia (Malu Mader) entre 1964 e 1979, época em que o Brasil enfrentava uma ditadura militar. A política, longe de servir como pano de fundo, era a protagonista da trama. Censura, luta armada, tortura: tudo isso foi mostrado nos vinte capítulos da série. E quem caiu nas graças do público foi Heloísa, jovem que partiu para a resistência armada ao regime e terminou a história metralhada por um soldado. 

O papel elevou Cláudia Abreu ao estrelado. Mais do que isso: Heloísa serviu de inspiração para os cara-pintadas, jovens que tomaram as ruas para protestar contra o então presidente Fernando Collor de Mello. As primeiras passeatas pedindo seu impeachment, ainda tímidas, aconteceram durante a exibição da minissérie. O famoso discurso em que Collor pediu que os brasileiros usassem verde-amarelo em sua defesa e, em resposta, recebeu pessoas vestidas de preto aconteceu apenas dois dias após o final da trama. Nas manifestações seguintes, eram comuns as bandeiras com a frase "Anos Rebeldes último capítulo: Fora Collor".

Anos Rebeldes foi a obra mais política de Gilberto Braga, numa época em que o autor era bastante político. Em suas duas novelas anteriores, Vale Tudo e O Dono do Mundo, discutiu temas como corrupção e impunidade com um pessimismo inédito na televisão brasileira (Marco Aurélio, o vilão de Vale Tudo, mandava uma banana para o Brasil enquanto fugia impune no último capítulo). O clima pesado continuou em sua primeira novela depois de Anos Rebeldes, Pátria Minha, em que a heroína mais uma vez era Claudia Abreu. Dessa vez, ela vivia outra jovem idealista, mas que não pegava em armas. 

Em 2003, a minissérie foi lançada em DVD. Assistindo aos três discos, é possível perceber que Anos Rebeldes envelheceu bem. A mistura de fatos históricos e dramas individuais, de política e romance, é bem tramada. A Heloísa de Claudia Abreu, obviamente, é a personagem mais forte, a ponto de ofuscar os protagonistas Cássio Gabus Mendes e Malu Mader. Mesmo assim, há boas tramas paralelas. Incluindo aí o Galeno vivido por Pedro Cardoso. Trata-se de um autor de novelas que enfrenta problemas com a censura. A inspiração, nem é preciso dizer, é o próprio Gilberto Braga.

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ED MORT (1997)

Adaptação de famoso personagem criado por Luis Fernando Veríssimo, um detetive desastrado e malandro, vivido por Betti. Mort também enfrenta um poderoso magnata de indústria de salsicha e ainda fica atraído pela filha da mulher que o contratou, que é uma apresentadora de televisão estilo Xuxa (Claudia).

Ótimo elenco numa adaptação fiel dos quadrinhos de Veríssimo e o desenhista Miguel Paiva. Uma comédia policial de humor negro que traz algumas raras participações especiais como Chico Buarque, Gilberto Gil e Cauby Peixoto.

Pena que uma figura que faz um dos papéis chaves não chegue a convencer (não posso dizer quem, para não estragar a história).

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TIETA DO AGRESTE (1996)

Sant'Ana do Agreste, pequena vila do interior da Bahia, vive dias de grande expectativa enquanto se prepara para receber Tieta, filha da terra que retorna depois de 26 anos de ausência. Aos 17 anos, Tieta vivera aventuras amorosas que escandalizaram a população.  Denunciada pela irmã mais velha, Perpétua, Tieta foi expulsa de casa pelo pai Zé Esteves.  Desde a sua partida, o único contato de Tieta com a família era através de cartas que tinham como remetente uma caixa postal em São Paulo.  Além da correspondência, controlada por Carmô, funcionária dos Correios e a solteirona mais alegre da cidade, Tieta também enviava ajuda financeira para o pai, as irmãs Perpétua e Elisa e sobrinhos.

Tieta retorna rica e poderosa, viúva de um industrial paulista.  Ela chega acompanhada de Leonora, moça bela e triste, que apresenta como sua enteada.  Tieta é recebida com toda a pompa pela família, habitantes e políticos da cidade perdida no mapa e no tempo.  Ascânio, o jovem e progressista secretário da Prefeitura, tem como maior ambição fazer a luz elétrica chegar à cidade ainda iluminada por luz de gerador.

A presença de Tieta e de Leonora transtorna a vida do pacato vilarejo e de seus tipos folclóricos: o prefeito enlouquecido Mauritônio Dantas, o poeta de plantão Barbozinha, o comandante Dario de preocupações ecológicas, o trio de amigos que controla a cidade da mesa de sinuca, entre muitos outros.

Leonora e Ascânio se envolvem em um casto romance, enquanto Tieta tem uma tórrida relação com Cardo, o sobrinho seminarista filho da austera Perpétua, que depois também se envolve com Imaculada.

Por sua generosidade, Tieta se transforma na grande benfeitora de Sant'Ana do Agreste. A tranqüilidade do lugarejo sofre mais um baque com a chegada de representantes da Embratânio S.A., disposta a implantar uma fábrica de dióxido de titânio, altamente poluidora, na cidade.  Entre tumultos pessoais e políticos, o segredo da vida de Tieta é revelado - ela é obrigada a partir mais uma vez, em circunstâncias totalmente inesperadas. Mas Sant'Ana do Agreste e seus habitantes nunca mais serão os mesmos, e nunca se esquecerão dela.

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A Espiã que Entrou em Fria (1967)

O professor Plácido, inventor da fórmula Sigma-Alfa, cobiçada por agentes de todo o mundo, é raptado por cinco espiãs, auxiliares do ambicioso Schultz, e em seguida torturado. Outros agentes ambicionam a fórmula, como Divino e Ecumênico, Yuri e Jane Bond. Esta última derrota Schultz e furta a fórmula, sendo perseguida pelo industrial e "playboy" Armando. Jane descobre que a fórmula roubada é apenas a de algumas pílulas inúteis, enquanto Yuri rapta o professor. A secretária deste, Léa, vai em seu socorro, juntamente com Armando. Desbaratam a quadrilha e salvam o Sigma-Alfa.

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Crazy: Um Dia Muito Louco (1981)

Crazy: Um Dia Muito Louco é uma comédia brasileira realizada em 1981, dirigida e roteirizada por Victor Lima. Sua trama mistura erotismo e humor negro, fazendo uso da morte como ponto de partida. Logo na abertura, Nandinho (Helber Rangel) mata seu amigo e colega de moradia, Teodoro (Fernando Reski), com cinco tiros, no banheiro. Quando ele está se preparando para enterrar o defunto no quintal, a campainha toca e a aspirante a atriz Belinda (Alba Valeria) conta que Teodoro anunciou no dia anterior um quarto para locação na casa deles. A partir dai Nandinho é interrompido por diversos tipos que o impedem de se livrar do corpo. Hugo (Sérgio Guterres), garotão malandro amigo de Teodoro que deseja fotografar universitárias nuas, a misteriosa beata Durvalina (Helena Ramos), mediúnica vendedora de bíblias, e um policial que procura Teodoro.

O filme apresenta situações clichês que desembocam em cenas de nudez e de sexo. Os temas são despretensiosos e corriqueiros, bem ao estilo do começo dos anos oitenta: desejo, pecado, virgindade, com doses da boa e saudável sacanagem que marcou as pornochanchadas. Os principais aspectos positivos estão nos diálogos. Há tiradas com a morte o tempo todo, principalmente nas conversas entre Nandinho e a beata Durvalina, a personagem mais interessante da trama.  Helena Ramos interpreta essa mulher que, por exemplo, não sabe como os bebês são feitos. Curiosamente ela atuou no cinema nas décadas de 1970 e 1980, participando de mais de vinte pornochanchadas, dentre elas grandes sucessos como Roberta, A Gueixa do Sexo (1978), Iracema, a Virgem dos Lábios de Mel (1979) e Mulher Objeto (1981). Atuou também em telenovelas, como Guerra dos Sexos (1983).

Os flashbacks com as lembranças de Nandinho funcionam para conferir atmosfera ao seu instinto assassino. Ele a beata formam uma dupla cujas insanas e engraçadas revelações são adequadas à trama. O fato de o morto estar presente quase o tempo inteiro dá um tom de brincadeira àquela situação bizarra, reforçando assim o humor da proposta. É preciso considerar que Crazy: Um Dia Muito Louco possui baixo orçamento, foi filmado em três locações, com meia dúzia de atores desconhecidos. As atuações são caricatas e beiram o ridículo. A trilha sonora acelerada e confusa chega a ser engraçada de tão estranha e ruim.

Um filme cujo gênero dita as regras, dentro de uma fórmula feita para o público masculino: garotas nuas e tentadoras, caras atrapalhados, malandros exploradores de mulheres ingênuas, muito erotismo e palavrões.  No epílogo de Crazy: Um Dia Muito Louco, se destaca uma breve citação de um dos mais importantes poetas românticos ingleses,  Percy Bysshe Shelley: “A morte está aqui, a morte está ali, a morte age por toda parte. A morte está em volta de nós, dentro, embaixo, em cima e nós próprios somos morte”. 

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Pensionato de Mulheres (1974)

Direção: Clery Cunha. Com: Magrit Siebert, Silvana Lopes, Liana Duval, Helena Ramos, Lisa Vieira, Ruthineia de Morais, Cinira Camargo, Waldir Siebert, Bentinho e Clery Cunha.

Um drama sério disfarçado de pornochanchada, dirigido por Clery Cunha (Eu faço, elas sentem) com Helena Ramos no elenco em seu segundo filme, mas não como protagonista, que aqui é Magrit Siebert (As mulheres amam por conveniência).

Na pensão só para mulheres à qual o titulo se refere, vivem várias garotas incluindo Clara (Magrit Siebert) que engravida e precisa abortar devido aos pais conservadores; Helena Ramos que foi estuprada e não consegue consumar o namoro; Ruthineia de Morais que precisa se prostituir e Lisa Vieira, uma garota que chega do interior de Minas Gerais com a esperança de conseguir vencer na cidade grande. Todas moram na pensão de Silvana Lopes que é muito rígida com as garotas e recebe a ajuda da governanta vivida por Liana Duval.

É um drama sobre a vida dessas personagens que parecem cheias de vida, mas ao mesmo tempo tão complicadas e problemáticas. São todas jovens mas mesmo assim tão desesperançadas. Clara é cortejada por um homem trabalhador, mas precisa rejeitar o seu pedido de casamento devido ao filho que espera; a dona da pensão tenta vencer a solidão contratando um garoto de programa, mas nem pagando ela consegue a sua atenção; entre outros dramas, alguns até meio manjados, mas mesmo assim ainda conseguem comover. O tom de comédia é dado pelo próprio diretor Clery Cunha que também é ator e aqui vive um ladrão muito atrapalhado que invade a pensão, sendo o alívio cômico do filme.

Helena Ramos está loira e novamente dublada, mas não parece apagada como em “Mulher, mulher”. As outras atrizes também são bonitas e fotografam bem, mas os atores são todos feios e parece difícil acreditar que elas pudessem se interessar por eles. Há pouca nudez e quase nenhum sexo. As pornochanchadas do início da década de 70 eram bem recatadas, mas o que falta nesse quesito, sobra em dramas pessoais e é muito fácil simpatizar com qualquer uma das personagens. Confira!

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Lucíola, o Anjo Pecador (1975)

O Carlo Mossy putanheiro e bem-humorado de pornochanchadas como Essa Gostosa Brincadeira a Dois e Como É Boa Nossa Empregada convenientemente não dá as caras nesse Lucíola, O Anjo Pecador, baseado na obra de José de Alencar. Aqui ele é Paulo, um nobre de Olinda recém-chegado ao Rio de Janeiro. Antes de aproveitar qualquer tipo de prazer que a cidade oferece, ele se apaixona ao primeiro olhar pela encantadora Lúcia, vulgo Lucíola.

Talvez por vir de uma cidade menor e não estar habituado aos tipos da cidade grande, Paulo não se dá conta, pelo menos não sem ajuda, de que Lucíola é uma prostituta (ou “cortesã”, em termos arcaicos). A atração desmesurada do rapaz pela meretriz logo vira motivo de zombaria por parte de Sá, grande amigo de Paulo e espécie de guia carioca deste. Disposto a investir na paixão, Paulo disfarça o interesse nas rodas sociais grã-finas que freqüenta, mas não tira a bela moça do pensamento.

Mossy é bom ator, e representa bem as duas farsas que lhe cabem. A primeira é a de “enganar” o telespectador que já havia acompanhado o astro nas produções citadas no começo desse texto, francamente diferentes desse Lucíola. Já a segunda é aquela concernente ao filme. Com seus ternos bem cortados, barba impecável e os olhos azuis que lhe conferem uma especial aparência de lorde britânico, ele se ajusta adequadamente ao respeitável Paulo de José de Alencar.

As presenças arrebatadoras de Helena Ramos (como Nina) e Rossana Ghessa (como Lucíola) também concedem credibilidade ao caráter nobiliárquico do filme. Rossana, a protagonista, está especialmente convincente como a impetuosa amante de Paulo. Impetuosa em demasia, inclusive.

Essa impetuosidade acaba por comprometer o longa de Alfredo Sternheim. A personagem é contraditória e instintiva, e suas múltiplas resoluções acabam por atordoar quem está assistindo. Há uma urgência ao redor da personagem, como se ela necessariamente precisasse ser salva dessa condição de prostituta de luxo. A ironia é que, ao exprimir repetidas vezes sua inferioridade moral em relação a Paulo, ela parece não levar a consideração o próprio estilo de vida dele: sempre rodeado por “amigos” ricos, sórdidos e ébrios, cuja única forma de diversão parece ser a orgia e a exploração de figuras tristes como Lucíola.

Na obra literária, não há o acréscimo “Anjo Pecador” no título. Essa adição parece ter o único intuito de ampliar a áurea libidinosa do longa. Com sucesso.

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MULHER OBJETO (1981)

Regina é uma submissa e reprimida ex-secretária que só alcança o prazer através de fetiches que não abandonam sua imaginação.  Embora tenha diariamente sonhos eróticos, não consegue ter relações sexuais satisfatórias com o marido, Hélio, um rico empresário. 

Regina busca a ajuda de uma analista para tentar se curar de seus problemas, revelando-lhe que sonha com outros homens, mas não consegue sentir atração pelo marido.  Ela volta a conversar com sua analista, mas desta vez relembra momentos de sua infância que podem ajudá-la a entender seu problema atual.  A analista percebe melhoras significativas na paciente.

A relação de Hélio e Regina vai-se desgastando e ela descobre que o marido está se relacionando com sua secretário, Lúcia.  O casal discute e Hélio diz que vai deixá-la.  Regina lembra-se de ter sido agredida e violentada pelo pai quando era criança e entende a razão de seu trauma.

Curada, decide abrir uma butique e visita Fernando e Helen para lhes informar sobre a novidade.  Helen está viajando e Regina acaba se relacionando sexualmente com Fernando.  Hélio, agora em companhia de Lúcia, encontra-se com Regina em sua boutique.  Eles conversam e ele se irrita ao saber que ela está curada e que se relacionou justamente com seu amigo Fernando.  Os dois iniciam uma séria discussão.  Regina insinua que ele não fora capaz de lhe proporcionar prazer.  Hélio a agarra e os dois enfim consumam o ato.

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NOSSO QUERIDO TRAPALHÃO (2010)

Especial de fim de ano celebra os 50 anos do personagem Didi e a carreira de seu intérprete, Antônio Renato Aragão, cearense de Sobral que ganhou fama ao interpretar o atrapalhado e carismático Didi. A reconstituição da vida do humorista, exibida no programa, foi feita a partir de uma longa entrevista concedida por ele à jornalista Patrícia Poeta.

Três atores interpretaram Renato Aragão no especial. Frank William, aos quatro anos; Lucas Cavalcante, aos dez anos; e Vinícius de Oliveira, nas fases jovem e adulta. Prazeres Barbosa e Amilton Monteiro vivem Dinorá e Paulo Aragão, pais de Renato, caçula de oito filhos. Mariana Mamoré interpreta Lilian, esposa do humorista. A jovem, muito fã de Renato, conheceu-o no camarim, depois de um show, em 1972, muitos anos antes de se tornar sua mulher.

Nosso Querido Trapalhão dramatiza momentos marcantes da vida de Renato Aragão: a infância em Sobral, no interior do Ceará, onde ele nasceu; o dia em que foi selecionado para ter um programa na recém-inaugurada TV Ceará; a vida em Fortaleza; a ideia do nome artístico Didi; a convivência com a família; a relação com a obra de seu ídolo Oscarito; a mudança para o Rio de Janeiro e o encontro com Dedé, Mussum e Zacarias; e o dia em que beijou a mão do Cristo Redentor. 

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POEIRA EM ALTO–MAR (2008)

Paralelamente a essa aventura, Poeira em Alto-Mar também narra a história de amor de Joana (Milena Toscano) e Davi (Daniel Erthal), primeiro imediato do navio. Joana está de casamento marcado com o filho do rico empresário Cícero de Nassau (Roberto Frota), amigo de seu pai, Armando Bento (José Augusto Branco). Ela aceitou se casar apenas para ajudar o pai em seus negócios. No entanto, ao conhecer Davi, Joana se apaixona imediatamente e muda de ideia. Doroti (Ildi Silva), incumbida de acompanhar e tomar conta de Joana na viagem, conta a Armando que a jovem se encantou por outro homem, e ele resolve ir ao encontro da filha para resgatá-la, pois não quer que ela desista do casamento.

Durante a trama, a recatada Doroti também vive um romance: ela fica balançada por Peteco depois que ele a resgata de um quase afogamento na piscina do navio. O rapaz não perde a oportunidade de cortejar a moça, que se faz de durona.

Didi, por sua vez, fica encantado com um manequim da loja do navio e tem fantasias com o boneco, que lhe recorda uma antiga paixão, Suzi (interpretada por Ellen Jabour). 

Armando Bento chega a bordo do iate de Cícero de Nassau disposto a levar Joana para casa. Para escapar do pai, ela e Davi, com a ajuda de Didi e Peteco, deixam o transatlântico e entram no iate. Os bandidos têm a mesma ideia, trocam de embarcação e rendem os passageiros e a tripulação do iate. Mas uma bomba colocada por Ramon no lap top de Hernandez faz a embarcação explodir quando todos estão a bordo. O iate naufraga e todos vão parar numa ilha deserta.

No tempo que passam na ilha, Didi e Peteco conseguem reunir as duas partes do mapa e localizar o tesouro. Eles cavam a terra no local indicado, encontram uma caixa com bichos de pelúcia e, no interior de cada um deles, vários diamantes. Mas, ao retornarem para encontrar o grupo de amigos, são surpreendidos por Hernandez, que ameaça matar Joana. Didi não tem outra alternativa, a não ser entregar a ele o saco com as jóias. Em seguida, Mirela, Hernandez e Kurtz sobem num bote inflável e vão embora. Antes, porém, Hernandez acerta um tiro no ombro de Davi, que se colocara à frente de Armando para protegê-lo. A nobre atitude do imediato faz com que Armando finalmente o aceite como genro.

Após a partida dos bandidos, Didi mostra que ludibriou o trio: em vez do saco com os diamantes, entregou um saco cheio de vespas aos criminosos. Armando, porém, não quer saber do tesouro, que só trouxe problemas e desavenças, e todos decidem segui-lo nessa escolha. Como Davi precisa de cuidados e só cabem quatro pessoas no bote inflável remendado por Peteco, ele, Armando, Joana e Doroti partem da ilha e são resgatados pela guarda costeira, a tempo de ver os bandidos presos pela polícia.

Enquanto aguardam o prometido resgate, Didi e Peteco enterram o saco no mesmo lugar onde encontraram. Esperto, Didi guarda alguns diamantes, que coloca sorrateiramente no bolso de Peteco, sem que ele perceba. Enquanto conversam, temendo que sejam esquecidos na ilha, os dois não se dão conta de que, na verdade, não estão em uma ilha, mas no Ceará. 

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UMA NOITE NO CASTELO (2009)

Segundo uma antiga lenda, há mil anos uma terrível batalha foi travada entre dois jovens e poderosos guerreiros. De um lado, Landin (Carlos Casagrande), valoroso nobre que conduzia seus súditos com justiça e benevolência. Do outro, Calimero (Walney Costa), ex-braço direito de Landin que, com o passar dos anos, cobiçou o poder do rei e quis tomá-lo para si. Os dois se enfrentam em uma batalha de muitos dias até que Landin derrota o inimigo e funda o reino da Landinóvia.

Mas Calimero era tão poderoso que, no momento da derrota, usou seu poder para dividir o tempo e o espaço em dois, fundando paralelamente o reino da Calinóvia. O vilão jurou que em mil anos os mundos se tocariam através de um portal do tempo e que ele se tornaria o senhor dos dois mundos. Landin, por sua vez, afirmou que isso nunca aconteceria, pois enviaria um dos seus herdeiros para derrotá-lo novamente.

No tempo presente, Didi (Renato Aragão), a princesa Lili (Livian Aragão) e o príncipe Guilherme (Alexandre Slavieiro), durante uma festa no castelo, descobrem que o reino da Landinóvia está em perigo. Eles entram em ação para garantir a segurança do povo, governado pelo Rei (Eduardo Galvão) e por sua Rainha (Giovanna Gold), e se deparam com um portal do tempo (um espelho mágico), embarcando em uma viagem repleta de aventuras. Na luta pelo bem, contam com a ajuda do sábio Melquíades (Ricardo Blat) e das guerreiras Zara (Débora Nascimento), Virgínia (Fiorella Matheis) e Esmeralda (Patrícia Werneck). 

No final da história, Guilherme consegue derrotar Calimero. O vilão se alimentava do ódio que seus inimigos nutriam por ele. Ao saber disso pela princesa Lili, Guilherme desiste de matá-lo e ele vira poeira. Todos voltam a viver em paz.

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O Segredo da Princesa Lili (2007)

A história gira em torno da princesa Lili (Livian Aragão), que, com a ajuda de Didi (Renato Aragão) e do contador de histórias Arthur (Fulvio Stefanini), realiza o sonho de participar de um concurso de canto. 

Por conta das obrigações de princesa, Lili não tem tempo de se dedicar ao canto, e esconde seu talento de todos. Ela sonha participar de um concurso de música, mas teme pela imagem da família real. Por isso, deixa que seu dia seja ocupado pelas aulas de etiqueta e administração, entre outros compromissos próprios da realeza. Certo dia, Didi reconhece a voz da princesa, que canta escondida no jardim do palácio, e resolve ajudá-la a realizar seu sonho, junto com o contador de histórias Arthur.

Inspirados em uma fábula, Arthur e Didi têm a ideia de colocar um capuz em Lili para que ela possa cantar no concurso sem se identificar. Ao exibir seu talento, a princesa aguça a curiosidade do reino. Todos querem saber quem é a cantora mascarada. Quem teme o sucesso de Lili é sua prima Lucélia (Polliana Aleixo), que já contava com a vitória na competição. Yvana (Daniela Escobar), mãe de Lucélia e tia de Lili, foi encantada quando criança, e, por meio de feitiçarias, tenta impedir que a misteriosa candidata ganhe o concurso.

Além de acobertar Lili, impedindo que o Rei (Gilbert Stein) e a Rainha (Natália do Vale) descubram que ela está participando do concurso, Didi, como já acontecera uma vez, é obrigado a lutar contra Yvana. Ele se transforma num jovem cavaleiro, vence as forças do Mal e desfaz o feitiço que transformara a irmã da Rainha numa mulher má. O programa chega ao fim com a reconciliação de todos os personagens, que cantam juntos o musical de encerramento do especial.

 

A Pedra do Tesouro (1965)

Dois aventureiros seguem a trilha de um mapa do tesouro. Depois de matar bandidos que também cobiçam a fortuna, eles descobrem que uma gigantesca pedra cobre o local em que o tesouro foi enterrado. Tirá-la dali será um grande problema. Curta que marca a primeira aparição da dupla Didi e Dedé no cinema.

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Bonga: O Vagabundo (1971) / DVDrip

Antes dos grandes êxitos dos Trapalhões, precisamente em 1971, Renato Aragão (ainda em carreira solo) protagonizou Bonga: O Vagabundo, filme mais querido e saudado pelo ator/ humorista. Ironicamente, ficaria na história como uma das poucas produções dele que não se saiu bem nas bilheterias. Terminou servindo de laboratório à fórmula de sucesso que o consagraria depois. É uma realização diferente daquele cinema marcado exclusivamente pela comédia pastelão e a aventura. Começando pelo público a quem se destina, mais jovem e adulto do que propriamente infantil. O roteiro, assinado pelo próprio Aragão em parceria com o diretor Victor Lima, costura temas como solidão, fome, pobreza, frustrações amorosas e relações conturbadas entre pais e filhos. 

Bonga: O Vagabundo propõe algo além do entretenimento. Basta você pensar que nos 10 minutos iniciais não existe sequer um diálogo. Filmado nas ruas e quase exclusivamente à luz do dia, possui uma fotografia que deflagra a atmosfera naturalista e urbana. As trilhas (guitarras pulsantes ao estilo rock’n roll mesclado com jazz) são sofisticadas para a comédia e parecem ter saído de um filme norte-americano. A decupagem remete ao cinema clássico, com seus diversos planos gerais de paisagem. Além disso, chama atenção a ocorrência de tempos bem definidos entre as cenas e, inclusive, um Renato Aragão mais comedido.

É um filme que dialoga com o cinema realizado naquele período, bem diferente do que a televisão mostrava. Mas o detalhe principal está na semelhança entre Bonga e Carlitos – ambos vagabundos românticos e amargurados, sujeitos humildes que sobrevivem de pequenos e singelos truques. Esse é o ponto. O personagem era Bonga e não Didi Mocó, figura que logo depois viraria o centro dos próximos filmes. Renato sabe o quanto Bonga acabou ajudando Didi, e como Didi soube aprender com Bonga.

Na trama, o simpático Bonga vive pelas ruas, sozinho e livre, morando numa casa de sapê no meio do mato. Em frente a uma boate, conhece um playboy do qual se torna grande amigo. O rapaz é pressionado pelo pai (Jorge Dória em um dos seus tipos consagrados, o de pai durão e austero) a casar-se. Com a ajuda de Bonga, ele arma um plano para apresentar uma noiva falsa à família. As coisas se complicam e na hora Bonga leva uma amiga das ruas, pela qual é apaixonado. Tudo em meio àquelas brigas com imagem em velocidade acelerada, gritarias e perseguições dignas dos clássicos da Sessão da Tarde. Alguns diálogos valem à pena. Em especial quando Bonga lamenta o seu dia a dia: Isso aqui tá mais complicado que vender geladeira no Polo Norte. Tem nego ai que vai ficar Doidão”. Doidão ninguém vai ficar. Agora, vale a pena percorrer de novo este caminho antigo guardado em algum cantinho da nossa memória.

 

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O Incrível Monstro Trapalhão (1980) / DVDrip

Como em time que estão ganhando não se mexe, volta e meia Renato Aragão e sua turma revisitavam títulos de produções suas que haviam dado muito certo, reapresentando-os com argumentos inéditos. Foi assim com Os Trapalhões e o Rei do Futebol (1986) e O Rei e os Trapalhões (1979), O Mistério de Robin Hood (1990) e Robin Hood: O Trapalhão da Floresta (1973) e também com Os Trapalhões na Terra dos Monstros (1989), que pegava carona do sucesso desse O Incrível Monstro Trapalhão. Mas que fique claro: um não era continuação do anterior, e nem mesmo elementos ou personagens se repetiam – no máximo, a semelhança entre eles eram os protagonistas, invariavelmente interpretados por Didi, Dedé, Mussum e Zacarias.

Se a partir dos anos 1980 os filmes estrelados pelos Trapalhões começaram a apostar em enredos específicos, sem se basear necessariamente em alguma história já conhecida, na década anterior a estrutura era diferente. Contos de As Mil e Uma Noites, a lenda de Robin Hood ou paródias de fenômenos hollywoodianos como Planeta dos Macacos e Star Wars invariavelmente estavam na pauta. Assim como os textos clássicos de Robert Louis Stevenson, autor das tramas rocambolescas de A Ilha do Tesouro – que deu origem à O Trapalhão na Ilha do Tesouro (1974) – e O Médico e o Monstro, fonte direta deste O Incrível Monstro Trapalhão. Mas, como já era de praxe nas adaptações da trupe, o argumento original servia apenas de inspiração para em enredo que possuía formato muito próprio.

E que formato era esse? Invariavelmente, o que tínhamos era Didi como vítima dos achaques de Dedé, Mussum e Zacarias, que não reconheciam seu valor, e alguém em perigo – um galã despreparado ou uma garota inocente – que recorria aos quatro num pedido de ajuda. Dessa vez estamos no universo das corridas de automóveis, em que os pilotos interpretados por Paulo Ramos (O Cinderelo Trapalhão, 1979) e Eduardo Conde (Os Saltimbancos Trapalhões, 1981) são inimigos ferozes. Mas se o primeiro não sabia se defender sozinho, o segundo tinha ao seu lado vários capangas e estava sempre preparando armadilhas para o concorrente. Para ajudar o amigo, o cientista vivido por Aragão desenvolve uma mistura que, quando ingerida, traz à tona um monstro do bem, forte e invencível, que entra em cena para tirar os demais dos momentos de aperto.

Só que no meio dessas experiências, Didi acaba descobrindo também um combustível extremamente potente que tem como matéria prima o marmeleiro nordestino! Sua invenção vira objeto de cobiça de árabes e russos, que farão de tudo para terem para si sua fórmula secreta. Só que Aragão só está preocupado, na verdade, em conquistar o amor de Ritinha (Alcione Mazzeo). Com piadas inspiradas em super-heróis dos gibis, como o Super-Homem e o Incrível Hulk, e fazendo uso de um absurdo merchandising de um gigantesco parque de diversões paulista, O Incrível Monstro Trapalhão termina com cenas de uma Brasília praticamente desértica, mas de onde o poder nacional começava a emanar, em uma leve crítica social. E se no geral tudo parecia, em resumo, mais do mesmo, salvando-se apenas as trapalhadas dos quatro amigos, uma grande mudança chamava atenção: pela primeira vez nosso protagonista deixava os colegas de lado e encontrava a felicidade muito bem acompanhado, partindo com a mocinha ao seu lado! Rico, poderoso e apaixonado: quer final melhor?

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Os Três Mosquiteiros Trapalhões (1980) / DVDrip

Atenção para o título: Os Três Mosquiteiros Trapalhões. Afinal, nele já começam as piadas. Pois veja bem, não se fala em “mosqueteiros”, ou seja, os valentes espadachins que defendiam o governo da França. O que temos em cena mesmo são três matadores de mosquitos, e que nem isso conseguem fazer bem. No entanto, quem imagina que a referência ao clássico de Alexandre Dumas é tão rasa assim, melhor pensar duas vezes. Apesar de seguir a fórmula básica tão explorada em longas anteriores do grupo, de pegar textos renomados e adaptá-los para as suas aventuras de sempre, o que se percebe nesse longa é algo um pouco mais elaborado, porém atendendo a anseios que vão além do mero entretenimento. E pode ser aí a fonte dos seus problemas.

Assim como no livro original, não são os três mosquiteiros os protagonistas, e sim um colega em necessidade. Se antes este era o herói D’Artagnan, aqui ele é o próprio Didi Mocó, que agora atende pelo apelido de Zé Galinha. Ele vive de favor no galinheiro de uma mansão, propriedade do Dr. Luis (fazendo as vezes do Rei Luis XIII) e da Dona Ana (no lugar da Ana d’Áustria). Os negócios da família, no entanto, estão à perigo após uma série de decisões equivocadas, e tudo só poderá ser solucionado após um acordo financeiro com o malévolo Riche (citação do Cardeal Richelieu). Mas, obviamente, as coisas não serão tão simples.

Acontece que Riche deseja se casar com a filha do casal (Silvia Salgado, de O Cinderelo Trapalhão, 1979), que por sua vez namora às escondidas um pobretão (Pedro Aguinaga, na época em alta após ter sido eleito em um concurso de televisão ‘o homem mais bonito do Brasil’). Para ajudá-lo, ela lhe empresta um colar de esmeraldas da mãe, para que ele possa penhorá-lo e, com o dinheiro, dar início a um negócio. Ao saber disso, o vilão impõe uma condição para o fechamento do negócio: só assinará o contrato se, na ocasião, a dona da casa estiver usando a tal jóia! E ao assumirem a missão de resgatá-lo é que os três mosquiteiros – Dedé, Mussum e Zacarias – precisarão recorrer à ajuda de Zé Galinha, partindo os quatro em busca das pedras preciosas.

Os Três Mosquiteiros Trapalhões é um filme de 1980, época em que a Ditadura Militar começava a dar sinais cada vez mais evidentes de esgotamento. Um destes motivos era o caos no sistema nacional de transportes, pois com o estímulo à indústria rodoviária e com a entrada das empresas automobilísticas por aqui, cada vez se compravam mais carros. Porém não foi feito um estudo por parte do governo, e a gasolina começava a faltar por todo o país. Quem viveu aqueles anos lembra bem da Crise do Petróleo e de campanhas como a da entrada dos automóveis movidos à álcool no Brasil. Para acalmar os ânimos e divulgar as coisas boas que temos à nossa disposição, a Embratur surge como principal patrocinadora do filme, não só para alertar a difícil situação daquele momento, como também para alardear pontos turísticos nacionais.

Dessa forma, é assim que Os Três Mosquiteiros Trapalhões merece ser visto hoje em dia: como uma legítima peça de propaganda institucional do governo. Há pouco – ou quase nenhum, melhor dizendo – espaço individual para cada um dos trapalhões, e mesmo Didi, que costumava ter maior destaque, não assume uma posição de legítimo protagonista. Ao invés disso, temos audiovisuais sobre São Paulo, Rio de Janeiro, Foz do Iguaçu e até mesmo Manaus, ressaltando estereótipos e vendendo verdades idealizadas. De resto, o final feliz inevitável chega no momento certo, desprovido de qualquer tipo de surpresas, tanto para o bem quanto para o mal.

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O Mundo Mágico dos Trapalhões (1981)

Realizado em comemoração aos 15 anos do grupo formado por Didi, Dedé, Mussum e Zacarias, O Mundo Mágico dos Trapalhões carrega até hoje o feito de ser o documentário nacional de maior bilheteria de todos os tempos, com quase 1,9 milhão de espectadores nos cinemas. À princípio, poderia se imaginar que o mérito destes impressionantes números seja exclusivamente da incrível popularidade que os comediantes desfrutavam naquela época, início dos anos 1980, quando apareciam semanalmente em um programa de televisão no horário nobre das noites de domingo, além de lançarem a cada seis meses – com precisa regularidade – um novo filme nas telas, todos com excelente retorno de público. Mas é importante observar que o diretor, Silvio Tendler, é também responsável pelo segundo e terceiro filme do gênero mais bem sucedidos no país: Jango (1984), com um milhão de espectadores, e Anos JK (1980), com 800 mil. Ou seja, foi a reunião de duas forças que possibilitou tamanho resultado.

Mas passados mais de três décadas do seu lançamento, a grande pergunta a respeito é se o longa ainda sustenta tais reconhecimentos. E a óbvia resposta é que não. O Mundo Mágico dos Trapalhões é muito mais o registro de uma época do que um trabalho sólido e digno e interesse próprio. Afinal, tem-se aqui um produto encomendado e de resultado chapa branca, cujo único objetivo era ressaltar a cada vez mais crescente importância da trupe. Os Trapalhões começaram quando Didi e Dedé se uniram, ainda na metade dos anos 1960. Mussum veio já nos anos 1970, e Zacarias apenas no final da década. Ou seja, estes quinze anos que o documentário celebra não incluem nem a metade da trajetória da turma. Haveria ainda pela frente todos os anos 1980 – período em que chegarem ao seu auge – e os 1990, marcados pela lenta dissolução a partir das mortes de Zacarias (18/3/1990) e de Mussum (29/7/1994). Mais do que incompleto em uma perspectiva histórica, no entanto, o que incomoda é o seu falso interesse pelos artistas.

Em resumo: tudo que é visto em O Mundo Mágico dos Trapalhões é resultado de um esforço superficial e abrangente a respeito do sucesso dos protagonistas, mais como um audiovisual voltado à reverenciá-los e propagandear ainda mais seus feitos, preparando o terreno para o que viria a ser realizado num futuro próximo (no ano seguinte fariam Os Saltimbancos Trapalhões, com cenas filmadas em Hollywood). Conta-se um pouco a respeito das origens de cada um – Zacarias era um mineiro do interior que trabalhava no rádio, Mussum o músico dos morros cariocas que relutou até assumir seu lado engraçado, Dedé nasceu no circo e dali vem suas habilidades como um ‘escada’ para o estrelato dos outros, enquanto que Didi é o verdadeiro astro, o que veio de mais longe (Ceará), o que mais sofreu e lutou e, consequentemente, o que mais alcançou. Fica clara a posição de líder de Renato Aragão, até por ter sido ele o responsável pelo longa – que é um produto da Renato Aragão Produções. Se Dedé, Zacarias e Mussum mal falam em depoimentos rápidos, é Aragão que abre as portas de sua casa e conversa em uma entrevista detalhada e minuciosa, preocupado em colocar em evidência tanto suas conquistas como também responder a seus detratores.

Mas existia quem falasse mal d’Os Trapalhões? É claro, afinal, tudo que faz sucesso também incomoda na mesma medida, ainda mais em um país debilitado pelas equivocadas decisões de quase vinte anos sob o jugo da Ditadura Militar. Porém, até mesmo essas polêmicas – que tipo de humor fazem? São ou não racistas? Ou violentos demais? – são apenas citadas, sem um maior aprofundamento ou reflexão. Há muitas cenas dos filmes por eles estrelados até aquele momento e um pouco sobre suas vidas íntimas – o que permitiram exibir, que fique claro. Mas nada revelador ou de fato surpreendente. Assim, O Mundo Mágico dos Trapalhões se mostra quase tão fantasioso quanto qualquer outro título da filmografia do grupo, fazendo sentido que esteja presente no box de dvd deles, e não no com as obras de Silvio Tendler.

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Os Vagabundos Trapalhões (1982) / DVDrip 

Em 1981, para comemorar os 15 anos d’Os Trapalhões, Renato Aragão encomendou ao cineasta Silvio Tendler o documentário O Mundo Mágico dos Trapalhões, que tinha como único objetivo registrar a trajetória de sucesso da trupe formada por Didi, Dedé, Mussum e Zacarias. E após relembrarem suas grandes histórias até aquele momento, o longa terminava apontando para o futuro: a turma estava indo para Hollywood, filmar o bem sucedido Os Saltimbancos Trapalhões (1981). Estávamos, realmente, diante de um marco, de uma mudança de paradigma para as produções do grupo – deixava-se de lado as paródias de fórmula única e começava-se a investir em roteiros originais que explorassem o que os quatro tinham de melhor. O passo seguinte, dentro desse novo conceito, foi justamente esse Os Vagabundos Trapalhões.

Antes de ser mais um longa d’Os Trapalhões, Os Vagabundos Trapalhões é, na verdade, continuação direta de Bonga: O Vagabundo (1971), primeiro longa protagonizado por Renato Aragão. Ainda que não tenha sido necessariamente um êxito digno de sequências, Bonga foi um personagem fundamental para a formação de Aragão em Didi Mocó, seu tipo mais consagrado. De óbvia inspiração chapliniana, ele é um homem das ruas, que vive de pequenos golpes, mas dono de um bom coração, o que acaba invariavelmente lhe deixando em maus lençóis. Mas ele não está mais sozinho. Agora, Bonga tem ao seu lado um mundo completamente novo. Além dos companheiros Dedé, Mussum e Zacarias, há ainda Lola (Louise Cardoso, bonita e convincente), a eterna namorada, e dezenas de crianças perdidas, encontradas pelas ruas sem pai nem mãe, que respondem pela principal preocupação deles: encontrar pais adotivos para cada uma delas.

Lola quer casar com Bonga, mas esse disse que só aceita o compromisso quando conseguir dar uma família a cada criança abandonada que encontrar. Esse é o motivo “oficial” deles todos estarem tão empenhados nas artimanhas que arrumam para darem os pequenos à adoção de forma não-oficial, simulando atropelamentos, confusões e enganos variados. A história, no entanto, de fato começa quando, ao fugirem da polícia, acabam encontrando Pedrinho (Fábio Villa Verde), que está à espera do Batman para ir morar com ele. O garoto afirma não ter ninguém que se preocupe com ele, preferindo recorrer aos heróis da televisão. Mas a realidade não é bem essa.

Pedrinho é, na verdade, filho de um importante e ocupado empresário (Edson Celulari), que só lembra que é pai quando o menino desaparece. Recorrendo à ajuda da professora (Denise Dumont), os dois saem no encalço dele – e no processo, é claro, acabam se apaixonando um pelo outro. A proximidade dela com Bonga também servirá para despertar o ciúmes de Lola, obrigando-a a exigir dele uma decisão. Mas ele tem questões maiores para resolver antes. Afinal, todos os personagens estarão entrelaçados entre si de uma forma ou de outra, e será preciso desvencilhar de situações mal explicadas e superar traumas do passado para que, enfim, encontrem juntos o final feliz. Mesmo que esse não seja exatamente aquele que imaginam num primeiro instante.

Com roteiro de Gilvan Pereira – o mesmo de Os Saltimbancos Trapalhões – e direção do veterano J. B. Tanko – responsável pelo maior sucesso de bilheteria da história do grupo, O Trapalhão nas Minas do Rei Salomão (1977), com quase 6 milhões de espectadores – Os Vagabundos Trapalhões tem trilha sonora eclética (até Wando colaborou) e ritmo irregular, ainda que envolvente. Algumas de suas opções são controversas, principalmente vistas hoje em dia, em tempos em que o politicamente correto impera – as adoções, amplamente irregulares, tratam as crianças, em última instância, como frutas na feira. Mas se forem feitas vistas grossas para esses detalhes (não tão pequenos assim, entretanto), tem-se uma aventura bem estruturada, com um elenco mais profissional – basta perceber os nomes envolvidos – e um tom melancólico que acaba funcionando a seu favor. Pode não ser o melhor filme do quarteto, mas certamente é um que merece ser observado com respeito como início de uma fase áurea.

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O Trapalhão na Arca de Noé - 1983 / DVDrip

Fruto de um breve divórcio na carreira dos Trapalhões, este filme marca o único esforço individual de Renato Aragão depois da marca dos Trapalhões estar concretizada como o quarteto formado com Dedé, Mussum e Zacarias. No mesmo ano, os três montaram uma produtora que realizou o filme Atrapalhando a Suate. Como nenhum dos dois filmes atingiu os resultados desejados, menos de um ano depois da briga já estariam juntos novamente realizando filmes como Os Trapalhões.

Os problemas desse Trapalhão na Arca de Noé são muitos. A começar por um enredo que tenta ser didático (sobre a importância da proteção dos animais, bem de acordo com a expansão do pensamento ecológico que marca a década de 80), mas que é incrivelmente confuso: nem os heróis nem os vilões têm exatamente um propósito claro, e a trama evolui baseada em tamanhos chutes que é incompreensível como o filme pode ter tido 5 roteiristas. No início parece querer enveredar por uma paródia (ou melhor, aclimação) de Indiana Jones. De repente, temos uma cena de perseguição de carro completamente despropositada e um bizarro corte para o Pantanal. A encadeação de cenas é caótica. Num certo momento, por exemplo, a heroína (aqui interpretada por Nádia Lippi) foge prometendo tentar libertar o mocinho (mais uma vez, Gracindo Junior). Pois bem, na cena seguinte ela está num Rolls Royce dando entrada numa pousada, onde tomará banhos de piscina como qualquer outro hóspede abastado, sem que entendamos qualquer coisa sobre suas motivações.

A única forma de entender cenas como essas é pela necessidade do merchandising da tal pousada, e aqui começam a entrar em cena questões como essa, que marcam a entrada de um novo pensamento que é o que vai dominar o cinema dos Trapalhões (e de sua sucessora Xuxa) a partir do fim dos anos 80: o primado do merchandising, o didatismo substituindo a crença na fantasia e na comédia, e a realização de um produto apressado e sem acabamento algum, seja no roteiro ou na realização. Não por acaso, o diretor deste filme (que também não por acaso só dirigiu este filme com algum dos Trapalhões) é oriundo da TV.

À parte os problemas gravíssimos de roteiro, que tornam o filme quase incompreensível e incrivelmente tedioso, a realização não ajuda. Mistura uma tentativa de cinema fantástico de fazer inveja a Ed Wood, com uma das mais bizarras "criaturas" já vistas desde o clássico Godzilla (o "dinossauro" Papangu) com uma completa inadequação a criar qualquer tipo de clima: o filme não é engraçado, não é fantasioso, não é romântico, não é de ação. Por isso mesmo, todos os atores parecem perdidos em seus registros, cambaleando em cena. O Papangu, por exemplo, só pode ser aceito em duas circunstâncias: assumido em sua precariedade e tornado parte de uma paródia de gênero; ou dedicado a um público de menos de cinco anos de idade. Nenhum dos dois é a proposta do filme, que não funciona na chave da paródia e é discursado demais para interessar um público tão jovem.

Finalmente, e é essencial apontar que, sem seus três escudeiros, Didi parece completamente fora do ambiente. Não há os companheiros de cena com os quais interagir e dar sentido ao personagem. Tenta-se colocar Sérgio Mallandro como um contraponto cômico, mas o resultado é tão desastroso que a impressão é que seu personagem foi quase todo cortado na montagem.

Um filme equivocado em quase todos os aspectos, Trapalhão ainda tem um valor histórico quase hilário que é a aparição em dois planos finais, sem falar qualquer palavra, de Xuxa (ainda) Meneghel. Mais próxima dos tempos de modelo da Playboy do que de Rainha dos Baixinhos, é interessante pensar que o filme termina com ela e Didi embarcando numa nave para povoar novos planetas. De fato, a união dos dois gerou pequenos filhos mutantes: o bisonho cinema infantil dos anos 90/2000, que enterra de vez a humanidade do cinema burlesco e de sonho dos Trapalhões.

 

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Os Trapalhões no Reino da Fantasia (1985) / DVDrip

Após uma fase que começou com Os Saltimbancos Trapalhões (1981), no início da década de 1980, e se seguiu até Os Trapalhões e o Mágico de Oróz (1984), a trupe formada por Didi, Dedé, Mussum e Zacarias realizou cinco títulos de grande impacto, tanto junto ao público – algo que era de praxe para os longas da turma na época – como também com a crítica, que invariavelmente aponta estas produções como algumas das melhores de suas filmografias. A decaída começou com A Filha dos Trapalhões (1984), filme de uma piada só, ideia que, no entanto, nem chega a ser perseguida neste Os Trapalhões no Reino da Fantasia, longa de resultado tão genérico quanto o próprio título já aponta.

Foi com este filme, aliás, que eles voltaram a abrir mão de atores de verdade – como Nelson Xavier, Regina Duarte, Edson Celulari, Bruna Lombardi, José Dumont e Gracindo Junior, entre outros, que participaram de longas anteriores – para convidar celebridades não apenas para participações especiais, mas também para papéis de maior destaque. É por isso, portanto, que o principal personagem feminino é interpretado por ninguém menos do que a apresentadora infantil Xuxa Meneghel, neste que foi o terceiro dos cinco trabalhos que ela fez com os Trapalhões. Ela aparece como a irmã Maria, freira que recebe a notícia logo no começo da trama que o orfanato onde atua irá fechar as portas no final do mês. Sem saber o que fazer, ela decide pedir ajuda a personagens de uma história em quadrinhos (uma atitude muito lógica, como se percebe).

Esse recurso abre espaço para outro amigo dos comediantes: o animador Mauricio de Sousa (criador da Turma da Mônica), que fica responsável por uma sequência de aproximadamente vinte minutos totalmente animada, com os quatro em versões ainda mais infantis. É curioso constatar que este trecho do filme não possui ligação alguma com o resto da história, sendo inserido de forma absolutamente gratuita, como que para promover o talento do colega junto ao público que ambos tinham em comum: as crianças. Após essa passatempo com toques de videogame oitentista, volta-se aos atores reais para uma apresentação beneficente, cujo objetivo é arrecadar fundos para impedir que a instituição encerre suas atividades.

É quando entra em cena o grande Mauricio do Vale, ator glauberiano de Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), mas que por possuir um tipo físico muito específico, acabou marcado como vilão. Aqui, ele aparece como o líder de uma gangue que rouba o dinheiro das criancinhas. Assim, enquanto Mussum e Zacarias entretém o público fazendo suas trapalhadas no palco – ou seja, apenas repetindo os mesmos esquetes que na época eram comuns no programa de televisão que apresentavam aos domingos – Didi, Dedé a Xuxa partem no encalço dos bandidos. Sem fazer o menor sentido, quando menos se espera eles estão no parque do Beto Carrero (outro parceiro de longa data dos protagonistas), em mais um trecho alienígena ao resto do enredo cuja única função é servir de propaganda.

Com esse roteiro que mais parece uma colcha de retalhos e a direção fraca de Dedé Santana, preocupado apenas em repetir velhas piadas ao invés de proporcionar algo novo a uma audiência que até então era cativa, Os Trapalhões no Reino da Fantasia teve um dos piores desempenhos de bilheteria das produções do grupo naquele período – ainda que tenha somado quase 2 milhões de espectadores. Mesmo assim, foi suficiente para seguirem repetindo tais duvidosas parcerias – tanto Xuxa quanto Beto voltariam em novos filmes, enquanto que o seguinte, Os Trapalhões no Rabo do Cometa (1985), seria feito inteiramente no formato de desenho animado. Se ao menos serviu para dar uma folga ao público, para qualquer espectador mais atento revelou algo mais grave: o esgotamento de uma fórmula que, infelizmente, teria poucos suspiros originais a oferecer nos anos seguintes.

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Os Trapalhões no Rabo do Cometa (1986) / DVDrip

No ano de 1986, a passagem do Cometa Halley pela órbita terrestre foi sem dúvidas um dos assuntos mais comentados na mídia mundial. Como ocorre com todo evento desta magnitude, não demorou para que o universo artístico utilizasse o tema como inspiração, e os Trapalhões estiveram entre os que aproveitaram a oportunidade. No ano anterior, o grupo havia lançado Os Trapalhões no Reino da Fantasia (1985), que trazia um trecho de dez minutos em que Didi, Dedé, Mussum e Zacarias apareciam em versões animadas, desenhadas por Maurício de Sousa. E foi esta sequência de animação que serviu como base para o desenvolvimento de um novo longa, dirigido por Dedé Santana.

Os Trapalhões no Rabo do Cometa tem um prólogo que mostra os humoristas durante uma apresentação no Teatro Scala, no Rio de Janeiro. Apesar de servir como registro do auge da popularidade dos Trapalhões, eles que lotavam casas de shows, esta introdução nunca chega a ser tão divertida quanto poderia, pois mesmo com algumas boas piadas, a encenação soa demasiadamente ensaiada e sem a espontaneidade demonstrada nos programas de TV do quarteto. Ainda neste início, e sem qualquer explicação, Maurício de Sousa aparece no palco mostrando os desenhos que fez de cada Trapalhão. Neste momento, Dedé se lembra da cena citada do filme anterior e Maurício avisa que o personagem do Bruxo que nela aparecia ainda está à solta.

Logo sem seguida, surge o Bruxo em questão, fazendo com que os comediantes sejam transportados para o mundo dos desenhos. Inicia-se, então, uma viagem através do tempo, cuja primeira parada é na pré-história, onde o vilão aguarda o Cometa Halley para fazer com que um feixe de energia, unindo todas as forças do Bem e do Mal, atinja o seu triângulo de cristal, tornando-o o mago mais poderoso do universo. Acontece que Didi ouve o plano e coloca a mão no triângulo no exato momento do acontecimento cósmico, impedindo que ele se complete. Agora o Bruxo deve viajar até as próximas passagens do Cometa e segurar a mão de Didi para finalizar o ritual.

Ainda no cenário pré-histórico, temos a primeira de várias participações musicais especiais, que estão entre os elementos mais divertidos da história, com o grupo Ultraje a Rigor fazendo uma versão de seu sucesso “Eu Me Amo” rebatizado de “Eu Não Rango”. Outros nomes importantes como Ira! e Premeditando o Breque também participam da trilha, além de bandas oitentistas que depois desapareceriam: Rumo, Metalurgia e Synopse. O fato de trabalhar com a animação e o absurdo da trama permite que o diretor Dedé Santana e seus companheiros invistam num humor completamente nonsense, que gera ótimos momentos como na Grécia, com Mussum Aquiles e o Jegue de Troia, ou na Roma Antiga, com Zacarias Nero e uma sequência no Coliseu, onde o público ostenta uma faixa pedindo as “Diretas Já!”. A sequência que brinca com os filmes de máfia, passada nos anos 30/40, também tem boas sacadas, como a fuga da prisão em que Didi desliga uma tomada que acredita ser da luz da torre dos guardas, mas acaba apagando a Lua.

Há também espaço para merchandisings engraçados, como os da Gelatina Royal, e para a participação de personagens consagrados de Maurício de Sousa, como Horácio e Jotalhão. O traço distinto do cartunista torna as caricaturas dos comediantes bastante simpáticas, mas as limitações da animação são visíveis, com poucos movimentos e falta de sincronia com a dublagem em muitos trechos. Um resultado que fica um pouco abaixo de outras produções de seu estúdio, como A Princesa e o Robô (1983). Outro problema do longa é a repetição de situações (Didi impedindo o Bruxo de completar o ritual) e de diálogos na trama (o Bruxo lembrando seu plano, a piada sobre segurar a mão de Didi).

A falta de nexo do roteiro é extrapolada várias vezes, seja na cena da Idade Média, com cavaleiros da Távola Redonda jogando baralho entre robôs e ninjas, ou na pouco inspirada passagem pelo Velho Oeste. As coisas melhoram no ato final, situado em um morro carioca da década de 80, cenário do mais lúdico número musical, com Mussum entoando um samba enquanto ocorre um desfile de instrumentos musicais. A figura do Bruxo, que tem um fantoche de corvo com vida própria no lugar de uma das mãos, também merece destaque, especialmente por seu desfecho e pela ótima dublagem do falecido comediante José Vasconcellos.

No fim, entre altos e baixos, a sensação que prevalece é a de que este foi um produto feito às pressas, com ideias inacabadas sendo alongadas para formarem um longa-metragem. Talvez se o projeto tivesse sido concebido em outro formato, de curta ou média, o resultado poderia ser mais satisfatório.

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Os Trapalhões no Auto da Compadecida (1987) / DVDrip

Os Trapalhões se tornaram um êxito popular entre os anos 1970 e 1980, consagrando-se de norte a sul do Brasil através de um filão que antes deles só havia sido explorado em ciclos regionais, por nomes como Mazzaropi, em São Paulo, ou Teixeirinha, no Rio Grande do Sul. Seus quatro integrantes – um carioca, um cearense, um paulista e um mineiro – representavam a diversidade do país de maneira impressionante. Isso, no entanto, demorou para aparecer em seus filmes. Após começarem com paródias de sucessos hollywoodianos, decidiram irem para a própria Hollywood – e Os Saltimbancos Trapalhões (1981) foi o primeiro passo nesse sentido. Mas faltava ainda buscar uma identidade nacional mais completa. E isso, enfim, eles conseguiram atingir com maestria somente em Os Trapalhões no Auto da Compadecida.

Por mais que esse longa de 2,6 milhões de espectadores tenha sido encarado quase como um fracasso de público para o grupo – na época, seus títulos atingiam bilheterias com mais de 4 milhões – Os Trapalhões no Auto da Compadecida era apontado por Ariano Suassuna (autor do texto original e também colaborador do roteiro) como a melhor versão audiovisual de sua obra. Ou seja, superior até mesmo à O Auto da Compadecida (2000), longa de Guel Arraes que foi encarado como sucesso por levar 2 milhões de brasileiros aos cinemas (ou seja, menos que a adaptação d’Os Trapalhões, portanto). Mas os tempos eram outros, a Retomada estava recém começando e investir em uma história consagrada era uma aposta segura. Muito mais arriscado foi o que Didi, Dedé, Mussum e Zacarias fizeram. E mais impressionantes também foram os resultados que alcançaram.

Para começo de conversa, esqueçamos dos personagens clássicos dos quatro patetas. Renato Aragão é João Grilo, enquanto que Dedé Santana é Chicó. Os dois trabalham para o Padeiro (Zacarias) e a voluptuosa esposa dele (Claudia Jimenez). Ela trai o marido com todo mundo, ele é um patrão avarento e cruel. Quando o cachorro deles fica doente, João Grilo e Chicó prometem trazer o Padre (Emmanuel Cavalcanti) para benzê-lo e, com a morte do bicho, um enterro em latim será encomendado. Para conseguirem isso, envolvem o Major Antonio Morais (Raul Cortez) e até o Bispo (Renato Consorte) e seu Frade (Mussum). Todos acabam ligados em uma rede de mentiras e confusões, até serem assassinados pelo cangaceiro Severino (José Dumont), quando esse toma a pequena cidade de Taperoá. Já no céu, se veem primeiro à mercê do Diabo (Cortez), que pretende levá-los aos seus domínios. Mas Jesus (Mussum) surge para intervir, solicitando um julgamento justo. E quando parece que se dará um cabo de guerra entre os dois lados, eis que surge a Compadecida (Betty Goffman), pronta para defender os pobres mortais, independente de seus pecados.

Única parceria d’Os Trapalhões com o consagrado Roberto Farias – diretor de clássicos do cinema nacional, como Assalto ao Trem Pagador (1962) e Pra Frente, Brasil (1982) – Os Trapalhões no Auto da Compadecida representa também o encontro de outros mestres, como o diretor de fotografia Walter Carvalho (vencedor de oito troféus no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro) e a montagem precisa de Marta Luz (Carlota Joaquina: Princesa do Brazil, 1995), por exemplo. Percebe-se, portanto, um esforço notório dos artistas em fazer desse um produto diferenciado dentro de suas filmografias. Mas o melhor mesmo é o casamento perfeito de suas personas cômicas já consagradas com os tipos que interpretam nessa grande farsa, realçando uma sintonia perfeita.

Didi nasceu para ser João Grilo, e a maneira como engana a todos sempre visando se dar bem no final não passa desapercebida – este é, aliás, um dos únicos casos em que ele termina com a mocinha. Já Dedé é um Chicó perfeito, a ‘escada’ ideal para os planos do colega. Zacarias se move entre o afeminado que sempre interpretou e o ingênuo que as crianças viam, dividindo-se entre as duas composições. Mas ainda mais surpreendente é ver Mussum como o Frade quase mudo, cujas únicas palavras terão relevância fundamental para os destinos de todos, e também dando vida a um Jesus sério, porém nunca mau-humorado. Para se ter uma ideia, ele não pede uma vez sequer por ‘mé’ (cachaça, no seu linguajar tão peculiar) e nem utiliza a terminação “is” nas palavras, do modo que lhe era característico. O trapalhão cria um tipo à parte, mostrando que, além do estereótipo que lhe servia de maneira confortável, havia um ator completo e pronto para atender a novos desafios.

Mais do que uma história tipicamente brasileira, no entanto, Os Trapalhões no Auto da Compadecida é a prova irrefutável de que o sucesso do grupo não foi mera obra do acaso. Além de serem mestres em se comunicar com o grande público, também mantinham um olhar atento ao que se vivia no país naquela época, usando de suas armas – o riso – para comentar e criticar de forma incisiva os problemas da nação. Corrupção, infidelidade, coronelismo, falsa moral e traições nos mais altos níveis são expostas na tela a todo instante, porém nunca de modo agressivo ou violento. Assim, Farias e Suassuna foram capazes de construir essa obra imortal do cinema nacional, aliados a um fenômeno que dificilmente será esquecido. Uma obra única, precisa em sua análise e eficiente em todos os objetivos a que se propõe.

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Os Fantasmas Trapalhões (1987) / DVDrip

O diretor croata J.B. Tanko foi o responsável por diversas obras memoráveis dos Trapalhões. Foi ele quem dirigiu o segundo filme estrelado por Renato Aragão, O Adorável Trapalhão (1966), foi dele também o comando da maior bilheteria da trupe, O Trapalhão nas Minas do Rei Salomão(1977), e do indiscutível melhor longa-metragem dos comediantes, Os Saltimbancos Trapalhões(1981). Em 1987, Tanko dirigiria seu último filme e calharia ser uma produção estrelada por Didi, Dedé, Mussum e Zacarias: Os Fantasmas Trapalhões.

Muitos antes da enxurrada de filmes de super-heróis nos cinemas, o Brasil tinha sua própria equipe heroica. Não à toa, na trilha do longa-metragem uma das canções que chamam a atenção é “Super-Heróis Brasileiros”. As tramas dos filmes dos Trapalhões sempre tinham esta aura aventuresca. Mas em Os Fantasmas Trapalhões, J.B. Tanko acerta a mão ao colocar os protagonistas como verdadeiros heróis. Em cena, temos inclusive um Didi Mocó se arriscando ao pular de um carro em movimento para outro, tentando neutralizar bandidos que perseguiam um velhote. É assim, inclusive, que os amigos se metem em mais uma confusão.

Com roteiro de Renato Aragão e Domingos Demasi, o longa coloca Didi, Dedé, Mussum, Zacarias e o delegado Augusto (Gugu Liberato) em uma jornada em busca de US$ 5 milhões escondidos em um casarão mal-assombrado. Giovani (Wilson Grey) roubou este valor e deseja devolver ao banco, mas está velho demais para isso, morrendo no caminho. O quinteto parte para ajudá-lo, esperando que a recompensa prometida faça valer a aventura. Ao chegar lá, se deparam com um lugar soturno, com o perigoso mordomo tentando colocar os planos a perder. Didi se apaixona pela interesseira cigana Ruth (Carla Daniel) enquanto Augusto se afeiçoa pela misteriosa Leila (Bia Seidl). Esta paixão pode fazê-lo desistir de tudo, inclusive.

Os Fantasmas Trapalhões é uma interessante visita do quarteto ao gênero sobrenatural, embora as aparições sejam apenas assustadoras para o público-alvo infantil. Os responsáveis pela direção de arte e figurinos se mostram esforçados ao criar um ambiente lúgubre como aquele, mesmo com as sabidas restrições orçamentários de produções nacionais na década de 1980. E o quarteto se mostra em bom momento, com todos tendo algum tempo para brilhar no filme – com destaque para Didi, como geralmente acontece.

O que coloca reticências na produção é a presença maior de nomes que surgem apenas como chamariz de audiência. Gugu Liberato, por exemplo, era sucesso como apresentador de tevê e o grupo Dominó um dos tantos números musicais que eram presença obrigatória em seu programa. Enquanto a boy band brasileira ganha uma aparição completamente descartável, mas ao menos em pouco tempo de filme, Gugu coprotagoniza a trama ao lado dos trapalhões, com uma atuação risível. Suas cenas de ação ao lado de Didi só não são mais cômicas do que as tentativas infrutíferas de parecer apaixonado ao lado de Bia Seidl. Infelizmente, este tipo de participação especial seria cada vez maior em filmes futuros.

Com trilha sonora com músicas que fizeram a festa da criançada em 1987, como “No Mundo da Lua”, “Super-Heróis Brasileiros”, “Minha Tutti” e “Meu Fantasminha Vagabundo”, Os Fantasmas Trapalhões tem bons momentos, mas deve funcionar melhor com fãs inveterados da trupe.

 

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O Mistério de Robin Hood (1990) / DVDrip

Depois da breve participação em Uma Escola Atrapalhada (1990), os Trapalhões foram forçados a se reinventar por um triste motivo: o falecimento de um dos membros da trupe, Zacarias, aos 56 anos de idade. Experimentando a dinâmica de trio na televisão, eles reapareceram nos cinemas com a nova formação em O Mistério de Robin Hood, que já demonstra o cansaço do grupo e a dificuldade em permanecer relevantes e inventivos, passadas mais de três décadas dedicadas ao humor.

Aventura cômica, inspirada pelo folclore inglês sobre o justiceiro que rouba dos ricos para dar aos pobres, o filme aposta em Didi como Robin Hood, mas que sem a máscara é o adorável vagabundo de sempre. Dedé e Mussum, sem muita relevância na trama principal, são encarregados do humor físico como Fredo e Tonho, que trabalham no circo instalado na cidade. Para superar ou eclipsar a ausência do carismático Zacarias, personagem de Mauro Faccio Gonçalves, Xuxa Meneghel também protagoniza a história como Tatiana, a filha do mágico circense por quem Didi Hood é apaixonado.

Quarto dos cinco filmes d’Os Trapalhões dirigidos por José Alvarenga Jr., O Mistério de Robin Hood tem pouco a acrescentar à filmografia dos icônicos personagens, repleta de inesquecíveis e criativas produções como Os Saltimbancos Trapalhões (1981) e Os Trapalhões no Auto da Compadecida (1987). Sem muito valor artístico em figurinos, cenários e até mesmo em seu enredo, o longa acaba como um episódio prolongado da série humorística televisiva, reciclando gags que já foram vistas, sem muita inspiração. No entanto, o filme não recorre àquele recurso até então frequente de interromper a trama para apresentar números musicais aleatórios ou introduzir a participação de famosos para atrair mais espectadores – o que já é uma vantagem.

Xuxa é a heroína carismática dos Trapalhões na tela grande pela quinta ocasião, desta vez munida do sucesso crescente de sua figura pública e pelos êxitos comerciais de A Princesa Xuxa e os Trapalhões (1989) e Lua de Cristal (1990). Ainda assim, o filme ultrapassou por pouco a marca de dois milhões de espectadores nos cinemas, resultado considerado fraco perto dos quatro milhões que as produções de Didi e companhia geralmente alcançavam. Sua participação como Tatiana é um tanto quanto apática, e as sequências de sonhos que ela protagoniza ao lado de um cavaleiro galante, que no final da trama se revela como Didi, são, na falta de uma melhor expressão, surreais. Nos anos 1990 era normal associar a imagem de Xuxa aos ex-namorados Pelé e Ayrton Senna, mas, ainda hoje, é no mínimo inusitado aceitar a rainha dos baixinhos como interesse romântico de Didi Mocó Sonrisal Colesterol Novalgino Mufumbo.

Perdido entre tantos filmes mais divertidos protagonizados pelos Trapalhões, O Mistério de Robin Hood acaba esquecido numa filmografia vasta e repleta de tantos erros quanto acertos. Com um antagonista pouco interessante ou carismático na figura de Gavião (Carlos Eduardo Dolabella) e uma trama paralela descartável com a órfã Rosa (Duda Little), a produção dá início ao inevitável fim dos saltimbancos atrapalhados que marcaram diferentes gerações na cultura e humor brasileiros.

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SIMÃO, O FANTASMA TRAPALHÃO (1998) DVD-rip

Um filme dos Trapalhões sempre foi, antes de tudo, uma fábula. E seus melhores filmes ocorreram quando houve confiança na fábula a contar, independente da maestria do diretor (os diretores que trabalharam com os Trapalhões, excetuando Roberto Farias, jamais passaram de artesãos). E em Simão, O Fantasma Trapalhão, adaptação do conto O Fantasma de Canterville, de Oscar Wilde, não podemos exatamente dizer que houve apego à história. Essa última acaba sendo um arremedo para que se possam incluir as atrações musicais costumeiras. O diretor Paulo Aragão não tem uma mão leve o suficiente para a comédia, e todos os esforços dos comediantes, sobretudo de Renato Aragão, parecem ser inúteis para tirar o filme do pouco calor próprio que ele tem.
Resta ao espectador, enfim, ficar sorrindo com a ingenuidade sempre bonita do personagem Didi, seu desejo de ajudar os outros – e rezar para que o próximo filme de Renato Aragão tenha um diretor que saiba aproveitar seu grande talento de comediante, mas dessa vez com um argumento menos empolado e mais interessante.

DIREÇÃO: Paulo Aragão

ELENCO: Renato Aragão, Dedé Santana, André Mattos, Angélica, Marcelo Augusto, Roberto Guilherme, Sergio Kato, Pedro Kling, Debby Lagranha, Oswaldo Loureiro, Eloísa Mafalda, Dirce Migliaccio, Fernanda Rodrigues, Ivete Sangalo, Luciano Szafir

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DIDI QUER SER CRIANÇA (2004) / DVD-RIP

Os filmes de Renato Aragão, assim como os de Xuxa, há tempos viraram sinônimos de refugo cinematográfico. Antes mesmo de assistir a uma produção encampada pelos dois é possível fazer um prognóstico com margem de erro efêmera: serão ruins. Apesar disso, confesso que todo ano vou assistir aos filmes do Didi com uma centelha de esperança de ser surpreendido. Uma vontade de ver alguma melhoria em relação aos anteriores e de escrever uma crítica em que não precise esculhambar a produção. Deixo claro que isso só acontece em relação aos filmes de Aragão, de quem fui fã na infância, quando ele ainda dividia a cena com os outros Trapalhões. No caso da Xuxa, a meu ver, não há esperança.

Antes de assistir a Didi Quer Ser Criança, a mais nova empreitada do humorista nas telas, a tal centelha de esperança reacendeu. No entanto, dez minutos de projeção depois, jazia apagada por uma enxurrada de bobagens. É, infelizmente, não trago novidades: o filme é ruim, como ruim foram todos os filmes realizados pela Renato Aragão Produções Artísticas nos últimos anos.

Desta vez, Didi é um adulto com alma de criança (desta e das outras, afinal, em todos seus filmes Didi é um adulto com alma de criança) que trabalha como provador na pequena fábrica de doces artesanais do seu Tião (Elias Gleizer). A empresa está passando por dificuldades financeiras devido à concorrência da fábrica vizinha, esta comandada pelo vilão Armando (Werner Schüneman), que produz doces cheios de corantes e produtos químicos. Para ajudar seu patrão a reerguer os negócios, Didi tenta convencer as crianças de que os doces com produtos químicos fazem mal, mas, apesar de se relacionar bem com os pequenos, eles não lhe dão ouvidos porque ele é adulto. Didi, então, pede ajuda a São Cosme e São Damião, santos de sua devoção e, um belo dia, eles aparecem em carne e osso e lhe dão um saquinho de balas mágicas que têm o poder de transformá-lo em criança. Como criança ouve criança, Didi agora poderá convencer os amigos e resgatar o espírito de Cosme e Damião.

A historinha, como se vê, é até bem pensada, mas, pra variar, é muito mal realizada. Nitidamente feita a toque de caixa, sem preocupação com qualidade. Em determinado momento do filme, o vilão Armando diz, quando indagado sobre a qualidade de seus doces: "Criança gosta mesmo de porcaria". Pelo jeito, os realizadores do filme pensam o mesmo.

Em tempo: como não podia deixar de ser, Didi Quer Ser Criança está pontuado de participações "especiais", como as de Daniella Cicarelli, Didi Wagner, Fernanda Lima, Jacaré, Marcelo Augusto e por aí vai...

Deixe seu filho para assistir por sua conta e risco.

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Os Campeões (1983)

Miguel é um piloto lusitano que é contratado por uma escuderia brasileira para disputar o campeonato de automobilismo. No autódromo conhece Mário, um piloto desconhecido. Os dois se tornam grandes amigos e vivem incríveis aventuras, rivalizando com os demais pilotos pela vitória e amor.

Dirigido por Carlos Coimbra

Elenco:

  • Armando Bogus - Mário Queiroz
  • Monique Lafond - Cristina
  • Tony Correia - Miguel Bragança
  • Tamara Taxman - Carla
  • Moacyr Deriquém - Ricardo
  • Isaac Bardavid - Beduíno
  • Wilza Carla - Mulher Gorda
  • Oberdan Júnior - Jim
  • Marcelo Picchi - Jorge Silva
  • José de Abreu - Carlos

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Se Meu Dólar Falasse... (1970)

Desde “Os Campeões” (1982) – filme interessantíssimo sobre os bastidores da Fórmula 1 – Carlos Coimbra não reaparece como diretor. Talvez tenha se atrelado demais à fama – auto-defendida, por sinal – de ser um “contador de histórias” e não um “autor”, no sentido mais incensado do termo.

“Contador de histórias”, “faz-tudo” e “intuitivo” são adjetivos, porém, que não podem perder de vista o fato de que desde os tempos de cineclubismo em Campinas – terra natal –, Coimbra fez o mesmo movimento de outros tantos garotos que, encantados pela tela grande, encontravam em meados do século XX uma indústria que dava toda a pinta de crescer e se diversificar, absorvendo a demanda do público.

Foi desta forma que aterrissou na Atlântida, figurante em “Também Somos Irmãos” (1949) – marco na problematização do preconceito racial no Brasil –, de José Carlos Burle, estrelado por Grande Otelo. E foi assim que lentamente se estabeleceu na atividade de montador, trabalhando, por exemplo, em “Fronteiras do Inferno” (1959), de Walter Hugo Khouri; “O Pagador de Promessas” (1962), de Anselmo Duarte; “O Marginal” (1974), de Carlos Manga; e até em “O Exorcismo Negro”, a releitura de José Mojica Marins para “O Exorcista”, sucesso no ano de 1974.

Como diretor, Coimbra tentou, dentre outros, filmes na linha cangaceira – “Cangaceiros de Lampião” (1967), com Milton Ribeiro; “Corisco, o Diabo Loiro” (1969), com Leila Diniz. Mas em “Se Meu Dólar Falasse” (1970), lá está ele criando o argumento original – ao lado de Alexandre Pires –, o roteiro, a montagem e a direção de uma comédia planejada a toque de caixa para aproveitar o contrato que chegava ao fim entre Dercy Gonçalves e a Cinedistri, de Oswaldo Massaini.

Temos, de um lado, o estilão “Cala a Boca, Etelvina” de Dona Bisisica (Dercy). De outro, os mendigos Tisíu (Grande Otelo, em papel que deveria ser de Oscarito, que havia falecido recentemente e ao qual consta uma homenagem depois dos créditos), Profeta (Sadi Cabral), Comendador (Borges de Barros) e Catifunda (Zilda Cardoso) – estes dois últimos, atores do finado “A Praça da Alegria”. Coimbra tem o mérito de, no meio tempo, dar asas a um nonsense que mistura chanchada, drogas, rock n’roll, hippies e, quem sabe, alguma crítica social.

Dona Bisisica é a proprietária de uma boutique, ludibriada pela cliente “chics”, Madame Veruska (Zélia Hoffman). Veruska pede à pobre que compre em seu lugar uma estatueta da dinastia Ming, em troca de uma notinha sobre a loja nas colunas sociais. Bisisica coloca os 15 mil dólares da compra numa caixa de sapatos que vem a ser jogada no caminhão de lixo por uma empregada, antes de ser guardada no cofre.

Na busca pelos 15 mil mangos, a patroa se alia à filha (Lúcia) e ao namorado de Lúcia, Gustavo (David Cardoso, também assistente de produção). Enquanto isso, em algum ponto remoto da cidade, os mendigos fazem a festa com o montante misturado entre cascas de laranja, papelão e detritos em geral. O problema é que quando começam a gastar de verdade, surge no seu encalço Sempre Alerta (Milton Ribeiro), detetive contratado pela inquieta Bisa.

“Se Meu Dólar Falasse” cresce bastante quando esses dois grupos de monstros sagrados da comédia – Dercy e os “antagonistas” – se deparam frente a frente. Dali por diante, juntos ou separados, começam a freqüentar lugares como um clube psicodélico, naquela que é de longe a melhor seqüência do filme e até hoje das melhores na comédia nacional.

Cores saturadas, o som do conjunto Blow Up ao fundo, tela dividida no efeito estroboscópio e o inusitado de vermos Grande Otelo, Borges de Barros e Zilda Cardoso, velhinhos da antiga, numa bad trip com anfetaminas, lsd, marijuana e psicotrópicos vários colocados em pratos de comida.

A certa hora, a música vai se diluindo no crescendo da mítica “Se Não Tem Abelha, Não Tem Mel”, composição de Grande Otelo cantada pelo ator com a língua pra fora, peruca black power, cordões de ouro e os braços erguidos em delírio, num trinado inconfundível.

O roteiro tem ainda outras boas sacadas, como a suposta morte de todos os personagens, revertida do nada, quando então o Tisíu redivivo grita para a câmera dizendo que na verdade é Grande Otelo, com mais de 71 filmes e anos de serviços prestados ao cinema, exigindo um final feliz. Ou o programa de televisão com Dercy Gonçalves, entrevistando cinicamente Bisisica e lhe oferecendo um prêmio pela trama.

Somado à trilha de Carlos Castilho, o filme costura a São Paulo suburbana numa saraivada de humor radiofônico e chanchadeiro, indissociável dos protagonistas. Ao contrário do western spaguetti “O Dólar Furado” – sucesso na época, e uma das fontes para o título –, “Se Meu Dólar Falasse” assume as peculiaridades da sua origem e apresenta ao público um país que é a cara da esculhambação refletida na tela.

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 TAMO JUNTO (2014)

1FICHIER / MEGA

Elenco

Sophie Charlotte … Julia
Fábio Porchat
Matheus Souza … Paulo Ricardo
Fernanda Souza
Alice Wegmann … Diana
Leandro Soares … Felipe
Rafael Queiroga
Antonio Pedro Tabet

Direção: Matheus Souza

Na apresentação desta comédia no festival de Gramado, a equipe fez questão de frisar que este não é um filme político, nem de intenções profundas. E sim, ele tem muitos clichês. A consciência do projeto é um bom ponto de partida para analisar Tamo Junto, um filme essencialmente autorreferente, no qual o diretor Matheus Souza interpreta um dos papéis principais da história sobre garotos fracassados tentando experimentar as drogas e o sexo. São claras as afinidades com American Pie, Porky’s, A Vingança dos Nerds, A Primeira Noite de um Homem, Superbad, Segurando as Pontas, Projeto X etc.

Mas a equipe sabe muito bem disso, e assume as suas colagens. Assim, o projeto torna-se imune à reclamação quanto à falta de originalidade, afinal, este nunca foi o objetivo. As maiores virtudes do cinema clássico e autoral são abandonadas neste caso: além de não buscar a originalidade, também não se deseja surpreender pela estética rebuscada, pela complexidade psicológica dos personagens, pelos conflitos morais/éticos da narrativa, pela carga emocional, pelo conteúdo metafórico ou poético, pela conexão com outras artes ou pelo distanciamento em relação à linguagem cinematográfica. Não se deseja nem mesmo a subversão das referências mencionadas: os personagens falam em clichês de filmes apenas para repeti-los de modo alegremente autoindulgente.

As ambições, portanto, são modestas: pretende-se divertir oferecendo mais do mesmo ou, como é o caso das comédias românticas, fornecendo a garantia de que você vai encontrar no fim exatamente a conclusão que procurava. Neste terreno conhecido, a originalidade constituiria quase uma afronta. Portanto, quando o fracassado Felipe (Leandro Soares) sonha em conquistar o antigo amor do colégio, Júlia (Sophie Charlotte), e quando seu amigo excêntrico Paulo Ricardo (Matheus Souza) sonha em transar e experimentar as drogas, você sabe que ambos vão atingir seus objetivos. Isso não é spoiler, apenas a garantia de que o investimento vale a pena para quem espera ver exatamente essas cenas no cinema.

O desenvolvimento mantém as características dos trabalhos anteriores do cineasta: diálogos velozes e ininterruptos, centenas de referências a filmes, séries, games, memes da Internet e do YouTube, brincadeiras com estilos de outros cineastas (uma cena em estilo Woody Allen, uma conversa na praia com decupagem à la Wes Anderson). Tamo Junto mantém a estrutura de filme-gadget, lançando ícones para quem conseguir compreender e absorver o máximo número de citações, numa espécie de jogo. Será interessante assistir à obra daqui a uma década e, interpretando-a como sintoma de sua época, descobrir quantos espectadores compreendem piadas como “Ahã, Glória Perez, senta lá”.

 Felizmente, os dois atores do núcleo “realista” da trama estão muito bem em seus papéis. Leandro Soares e Sophie Charlotte brincam com o texto sem afetações, extraindo verossimilhança de algumas cenas difíceis de levar a sério, como o momento em que decidem gravar um rap no YouTube. Pela estrutura narrativa, Matheus Souza deveria funcionar como o sidekick, mas o cineasta oferece a si mesmo uma participação tão grande quanto, ou maior, que a do protagonista. Ao menos os dois núcleos se equilibram: após longas tiradas histriônicas de Paulo Ricardo, Felipe aparece para oferecer um humor mais terno e humano, desacelerando o ritmo da narrativa. Entre contração (os gritos de Paulo Ricardo) e relaxamento (as expressões desoladas de Felipe), a narrativa percorre seu caminho linear, previsível e fluido.

Por fim, o impacto de Tamo Junto depende do critério de avaliação: para quem esperar apenas algumas piadas sobre a variação do “adolescente tímido em busca de sexo”, o filme cumpre seu objetivo. A sessão do filme de fato teve vários risos ecoando pela sala. Para quem espera do cinema, inclusive da comédia, a possibilidade de questionamentos mais interessantes ou de uma imagem mais elaborada – como já fizeram Woody Allen, Todd Solondz, Neil Labute, Spike Jonze, Michel Leclerc, Jorge Furtado etc. -, o resultado pode ser a frustração.

 

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O Farol (1991)

 Os presidiários Romão e Dinorá chegam a uma ilha deserta, distante do continente, para cumprir pena. Lá entram em contato com o velho faroleiro Clemêncio, sua filha Sula e a fiel Bá. Com os detentos, chega um náufrago misterioso, Zoroastro, que cai nas graças de Sula. A solidão do farol aumenta a tensão de Romão e Dinorá. Junto aos planos de fuga surge o desejo. O primeiro envolve-se com Das Dores, o segundo tenta eliminar Zoroastro para se apossar de Sula. Ao final, uma tragédia. Zoroastro desliga o farol em noite de tempestade levando o barco do capitão La Luna - o todo-poderoso da ilha - para os rochedos.

Elenco:

  • Othon Bastos - Capitão De La Luna
  • Ângelo Antônio - Zoroastro
  • Vanessa Barum - Sula
  • Chiquinho Brandão - Dinorá
  • Paulo Gorgulho - Romão
  • Denise Milfont - Das Dores
  • Sérgio Britto - Mestre Clemêncio
  • Vanja Orico - Bá
  • Vicente Barcellos - João
  • Álvaro Freire - Thomé
  • Paulo César Pereio - Tim
  • Cláudio Mamberti - Diretor do Presídio
  • Paulo Barbosa - Joaquim
  • Jurandir de Oliveira
  • Malu Moraes

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CENTRAL DA PERIFERIA (2006)

Este ano de 2006, Regina Casé mostrou no Fantástico as músicas que fazem sucesso nas periferias do Brasil. Em 04 episódios gravados nas cidades de Recife, São Paulo, Belém e Salvador, estão uma mistura de ritmos e sotaques. São os sucessos que não tocam nas rádios, mas estão na boca do povo e sobrevivem fortes mesmo sem o apoio da mídia.
Assim como o funk carioca e o tecnobrega, que hoje são sucessos na indústria fonográfica, as apresentações do DVD trazem outros ritmos que são expressões espontâneas das culturas de vários lugares do Brasil.
A grande maioria das atrações musicais é formada por ídolos de massa, já consagrados pelas multidões das periferias. Ou são projetos sociais que já influenciam decisivamente a vida de suas favelas e contam com apoios internacionais.

Regina Casé, Dedesso, Zé Brown, Dj Dolores, Michelle Melo, Silvio Meira, Siba e Barachimba, Silvério Pessoa, Jair Rodrigues, Criolo Doido, Turma do Pagode, Leandro Lehart, Exaltasamba, Rappin Hood, Limão com Mel, Banda Calipso, Renato e seus Blue Caps, Nelsinho Rodrigues, Gabi e Banda Tecnoshow, Mestres da Guitarra, Dj Iran e MC Leléo.

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Cena Aberta (2003)

Uma idéia interessante de meta-linguagem, aproveitando a comunicabilidade extraordinária de Regina e o fato dela estar se exercitando na direção. A proposta é muito curiosa (e poderia cansar, mas os exemplos aqui são bem variados).

São histórias bastante conhecidas encenadas com gente do povo, duas delas, "As 3 Palavras Divinas" e "Negro Bonifácio" no interior do Rio Grande do Sul, onde se mostram ensaios (os atores aprendendo a falar com sotaque, andar a cavalo) e muitos deles demonstrando notável espontaneidade.

Regina interfere e as vezes faz o papel central (como em "Folhetim"). Mas sempre brincando. No caso de "Folhetim", eles seguem o livro fielmente, mas dando a impressão de que estão pedindo a opinião da equipe de produção, que por vezes contracena e sempre opina (mas evidente que já sabem a conclusão).

Silvio de Abreu dá uns conselhos dramatúrgicos (além de interpretar um médico que faz abortos) e até Xuxa faz rápida aparição (parecendo completamente perdida). Tudo passado nos bastidores de uma tevê.

"A Hora da Estrela" começa já com a morte da heroína, mostrando depois como foi feita a escolha da jovem que seria a garota nordestina que iria namorar Wagner. Tudo é muito brechtiano, ou seja, provoca o distanciamento do espectador que fica sabendo detalhes sobre os mecanismos e bastidores da televisão.

Ou seja, fica um pouco com cara de Making Of didático, o que é mais acentuado ainda porque todos eles têm comentários em áudio (mais introdução e por vezes, aparição deles num canto da tela, dos três diretores).

Pode não ser para qualquer um, mas é uma experiência de qualidade e sempre bem humorada. Traz como sub-título na capinha: "A magia de contar uma história".

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AS TRANÇAS DE MARIA (2003)

O filme brasileiro “As tranças de Maria”, baseado no poema da escritora Cora Coralina, conta a história de uma moça fadada à luta contra a rejeição e o autoritarismo do pai no interior de Goiás. A jovem de pele morena e cabelos negros na altura do tornozelo despertam a atenção de Izé da Badia, conhecido como o rei dos vaqueiros entre os moradores da região. A partir daí, as cenas apresentam um cenário de natureza, simplicidade, e os muitos pensamentos de Maria sobre questões comuns para a época (1950) e o contexto no qual vivia.


Logo de início, o espectador se depara com os devaneios de Izé à procura de sua amada. A situação é narrada e não permite grandes falas ao vaqueiro, que se encontra sujo e maltrapilho. A deixa do diretor vai ser esclarecida ao final do longa-metragem e confunde um pouco aqueles menos pacientes, os que desejam saber logo de cara a história ou a proposta do filme. A personagem principal, Maria, é a próxima a ser apresentada e surge abastecendo um barril de água no rio próximo de sua casa.

Para o bom entendedor, a cena mostra a dificuldade do povo local no acesso à água e o espaço também se assemelha a uma espécie de “oásis” diante da paisagem seca e alaranjada de pó, típica do centro-oeste brasileiro.

É preciso destacar que as vozes dos personagens demoram a se manifestar, e deixa no ar a intenção do diretor em nos transportar aos costumes caipiras, à ordenha das vacas, às casinhas de pau-a-pique e o silêncio inerente à vida no mato. A constância da monotonia pode irritar os imediatistas, além de testar a paciência dos “menos-pacientes”.
As falas são tão escassas quanto os pensamentos, que também ganham voz. E é num dos pensamentos altos de Maria que conhecemos seus sonhos, um deles mais significativo para se compreender a personagem: “Sonho com uma vida que não conheço, mas não sei como. Minha alma deseja algo que eu ainda não sei”. Ancorada no balanço de uma árvore, a moça de tranças gigantescas revela o interior de uma vida incomodada com a realidade que a cerca.

Maria e Izé da Badia se encontram diversas vezes durante o filme e o moço, de boa aparência, não disfarça o interesse que tem em se casar. Era importante para as mulheres do interior o casamento bem sucedido, ficar para titia não estava entre as preferências femininas da época.

Com Maria, tudo foi diferente. Os mandos e desmandos do pai dentro de casa repugnaram a possibilidade conjugal na visão da filha. Ela não imaginava para si um destino adornado de filhos, fogão e eterna submissão. Não. “Pai pensa que eu não tenho querer”, dizia consigo mesma, ainda que fosse um desafio afrontar a obediência ao pai. A união amorosa é acertada pelos pais para alegria de Izé e preocupação de Maria, que jamais se entrega ao marido como mandam as leis do matrimônio.

A justificativa para tal atitude vem revelada por meio de outro pensamento: “Minha alma não é desse mundo”. Nesse ponto, a situação também retrata o fato de que as filhas mulheres não tinham chance de escolher o próprio cônjuge, geralmente aceito pelo pai da noiva que considerava a possibilidade do contrato favorecer também a família.

Atormentada, a protagonista da história foge o quanto pode das mãos do próprio marido. Ela descobre que no rio vive uma cobra grande capaz de engolir qualquer animal de porte médio. É a chance que procurava. Levada pelos conflitos do porquê de sua existência, Maria decide se entregar às águas do leito, deixando para trás uma verdadeira angústia sobre a família, que passa à procurá-la incansavelmente por todos os lugares daquele pedaço de chão.

Izé, coitado, recebe da situação o transtorno mental e fica louco. Sai a buscar sua amada como um andarilho sem rumo até receber das mãos de uma curandeira as tranças de Maria, retiradas da barriga daquela cobra, agora morta pelos homens da vila. O filme termina com o narrador descrevendo a cena em que Izé da Badia faz das tranças de seu grande amor os laços que iriam conduzir seu cavalo para o resto de sua vida.

Como todo filme brasileiro mais antigo, não se pode esperar grandes efeitos potencializados pela alta tecnologia. Tudo vai passando de maneira simples, exatamente como era a vida no campo. O longa tem momentos bastante pausados e foge da lógica hollywoodiana. É um filme que apresenta uma história de amor (não foge à estratégia dos romances), mas não só isso. O Brasil de então, por volta de 1950, também é conhecido pela face cinematográfica do poema.

O clima do cerrado, os modos de levar a vida em sociedade, os questionamentos acerca do casamento, do autoritarismo, são exibidos para conhecimento do espectador, fornecendo a ele a chance de refletir sobre determinada época e, quem sabe, comparar com o momento que se vive. O filme mostra que não importa o lugar: todos as pessoas têm um destino a trilhar. O de Maria, obscuro de início, ao final foi um só: afagar as mãos daquele que realmente amou sua existência, Izé da Badia.

“Duas tranças primazia.Macias de luvas-mão,
Presas ás cambas de seus freio niquelado,
Em prata fina banhado.E o Izé tinha nas mãos,
Todos os dias, o sedenho da sua noiva Maria.”

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LENDAS AMAZÔNICAS (1998)

Direção: Moisés Magalhães e Ronaldo Passarinho Filho

Elenco: Cacá Carvalho, Dira Paes, Nilza Maria, Walter Bandeira, Adriano Barroso

Misto de documentário e ficção, a série é dividida em quatro episódios: 1-) O Boto; 2-); Matinta Perera; 3-) A Cobra Grande; 4-) Mitos e Mistérios.

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A Morte Transparente - 1978

Esquecido nos dias de hoje,‭ ‬o argentino‭ – ‬naturalizado carioca e copacabanense‭ – ‬Carlos Hugo Christensen foi um dos cineastas brasileiros mais importantes dos anos‭ ‬60‭ ‬e‭ ‬70.‭ ‬É de se espantar que Christensen,‭ ‬nascido na província de Santiago del Estero,‭ ‬tenha chegado ao país já na idade madura,‭ ‬depois de passar pela produção e direção nos‭‬sets de vários países sul-americanos.‭ ‬Em‭ "‬Cinema de Lágrimas‭" (‬1995‭)‬,‭ ‬de Nelson Pereira dos Santos,‭ ‬é um filme de Christensen‭ – "‬Armiño Negro‭" (‬1946‭) – ‬que emoldura o triângulo entre o diretor Rodrigo,‭ ‬o assistente Yves e o cinema.

Inimigo do governo peronista,‭ ‬fascinado pelo Brasil,‭ ‬o diretor viveu períodos de idas e vindas,‭ ‬exílios e voltas triunfantes.‭ ‬Radicou-se inicialmente em São Paulo,‭ ‬voltando para a Argentina aos‭ ‬42‭ ‬anos,‭ ‬até estabelecer-se em definitivo no Rio,‭ ‬onde realiza uma trilogia dedicada à cidade‭ – "‬Meus Amores do Rio‭" (‬1957‭)‬,‭ "‬Esse Rio que Eu Amo‭" (‬1962‭) ‬e‭ "‬Crônica da Cidade Amada‭" (‬1965‭)‬.‭

Ao mesmo tempo,‭ ‬aproxima-se de Minas Gerais‭ – ‬e da obra do escritor Aníbal Machado.‭ "‬Viagem Aos Seios de Duília‭" (‬1964‭) ‬e‭ "‬O Menino e o Vento‭" (‬1967‭) ‬são frutos desse diálogo com o vizinho Aníbal‭ (‬morador ilustre de Ipanema‭)‬,‭ ‬assim como o episódio‭ "‬A Morte da Porta-Estandarte‭"‬,‭ ‬de‭ "‬Esse Rio Que Eu Amo‭"‬.

Quando chega na virada dos anos‭ ‬60‭ ‬para os‭ ‬70,‭ ‬Christensen nada devia,‭ ‬portanto,‭ ‬a qualquer brasileiro nascido ou criado nas cercanias do seu apartamento no Posto‭ ‬5.‭ Digo isso pois,‭ ‬durante toda a vida,‭ ‬julgavam os estúpidos de sempre que Carlos Hugo Christensen possuía uma vidraça‭ – ‬sua suposta argentinidade‭ – ‬e era lá onde de tempos em tempos lhe jogavam pedras de ignorância.‭

A década de‭ ‬70‭ ‬serviria para libertá-lo dos ufanismos e do olhar reverente e mergulhá-lo no cinismo e na crítica social.‭ ‬Neste contexto apresentam-se dois marcos,‭ ‬quase opostos:‭ "‬Anjos e Demônios‭" (‬1970‭) ‬e‭ "‬A Morte Transparente‭" (‬1978‭)‬.‭

Entre um e outro,‭ ‬percebemos muito além de uma releitura da juventude corrompida do Rio:‭ ‬o esmero artesanal que sobrava em‭ "‬Anjos e Demônios‭" ‬ganha ares‭ ‬trash em‭ "‬A Morte Transparente‭"‬.‭ ‬A sugestão de suspense clássico que permeava‭ "‬Anjos e Demônios‭" – ‬encabeçado pelos desaparecidos Eva Christian e Luis Fernando Ianelli‭ – ‬nunca encontra atenuantes na interpretação canhestra do anti-herói Wagner Montes de‭ "‬A Morte Transparente‭"‬.

Mas,‭ ‬percebam,‭ ‬não era Christensen que piorava ou se brutalizava.‭ ‬Era a cidade,‭ ‬o país.‭ ‬A elite carioca,‭ ‬que migrava da Zona Sul para a Barra da Tijuca,‭ ‬deixando para trás seu refinamento humanista e comprando a tese do consumismo fútil e desenfreado.‭ ‬O Rio‭ – ‬a velha Montparnasse dos trópicos‭ – ‬que começava a sucumbir e se transmutar em uma Miami decadente e histérica.‭ ‬Na urbe que virava lixo,‭ ‬Carlos Hugo Christensen declarou,‭ ‬ao lançar o filme em entrevista no jornal‭ "‬A Tribuna da Imprensa‭" ‬de‭ ‬29/08/78,‭ ‬que a atmosfera de outrora morrera.‭ ‬E que aquele deveria ser um documento sobre essas modificações.‭

Beto‭ (‬Wagner Montes‭)‬,‭ ‬figura ambígua,‭ ‬líder de uma turminha classe-média,‭ ‬michê de homossexuais nas horas vagas,‭ ‬envolve-se com uma pantera:‭ ‬Marlene‭ (‬Bibi Vogel‭)‬,‭ ‬moradora de uma mansão na Barra,‭ ‬sustentada pelo amante velho e rico a quem devota infidelidade burocrática.‭ ‬Não demora,‭ ‬estão todos aprisionados em‭ ‬thriller frouxo,‭ ‬em que a paisagem,‭ ‬os maneirismos e a dinâmica do casal Montes-Vogel parecem mais interessantes do que o roteiro.

Sorte nossa,‭ ‬Wagner Montes fez sucesso na TVS de Silvio Santos,‭ ‬lançou discos populares e esqueceu a carreira no cinema.‭ ‬Apresentador de grande carisma,‭ ‬casado com uma das mulheres mais lindas do Brasil‭ – ‬a ex-Miss Osasco,‭ ‬Sônia Lima‭ – ‬este fluminense de Duque de Caxias implode Christensen o tempo todo com sua sabotadora canastrice.‭ ‬Não bastasse ele,‭ ‬o próprio diretor desautoriza o filme nos pequenos detalhes,‭ ‬inserindo,‭ ‬por exemplo,‭ ‬uma mesma cena de veículos toda vez que há transcorrer de tempo.

Curioso é que,‭ ‬apesar do esforço vulgar,‭ "‬A Morte Transparente‭" ‬dissocia-se dos fabulosos policiais de sua época‭ – "‬Eu Matei Lúcio Flávio‭" ‬e‭ "‬República dos Assassinos‭" ‬tiveram as filmagens no mesmo período.‭ ‬Faltou-lhe certa integridade amoral,‭ ‬certo desamparo ético,‭ ‬o que prova ser Christensen um nobre,‭ ‬um príncipe entre plebeus,‭ ‬mesmo quando de propósito sentava o pé na jaca e abraçava a estética marafona.‭

Profético,‭ ‬o diretor viveu até‭ ‬1999‭ ‬para ver seu desencanto de‭ "‬A Morte Transparente‭" ‬metaforizado.‭ ‬O Rio padece,‭ ‬tem Wagner Montes todo dia na tv a vigiar o trabalho da polícia‭ (‬o querem prefeito ou governador‭) ‬e,‭ ‬mesmo mulheres como a desclassificada Marlene,‭ ‬hoje nos soam de um chiquê extravagante.‭

Em meio ao caos,‭ ‬escreveu livros e adaptou para o cinema seus conterrâneos Jorge Luis Borges e Silvina Ocampo.‭ ‬O filme baseado no conto da escritora,‭ "‬A Casa de Açúcar‭" (‬1996‭)‬,‭ ‬permanece inédito e causou enormes transtornos financeiros ao diretor no final da vida.‭ ‬Pouco depois do lançamento de uma coletânea de poesia‭ – "‬Poemas Para os Amigos‭" ‬--‭ ‬faleceu no Rio‭ – ‬a cidade amada,‭ ‬tão amada como qualquer outro lugar do continente.‭ ‬Pois foi,‭ ‬antes de tudo,‭ ‬um homem cosmopolita que,‭ ‬pelo destino,‭ ‬veio adotar terras brasileiras.‭

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QUASE NADA (2000)

Direção: Sergio Rezende

Elenco: Augusto Pompeo, Caio Junqueira, Camilo Bevilacqua, Denise Weinberg, Genézio de Barros, Jurandir de Oliveira, Chico Expedito e Ana Luisa Rabelo

O filme contempla três histórias passadas na vida rural:  Foice, Veneno e Machado. Em Foice, um trabalhador é promovido a líder de grupo e por isso passa a ser alvo da inveja de um amigo muito próximo. Em Veneno, um vaqueiro não consegue relaxar e nem mesmo dormir, esperando o dia em que um inimigo do passado irá colocar em prática a anunciada vingança. Por fim, em Machado, um silencioso jardineiro de rosas é tomado por um violento sentimento de ciúme de sua mulher. O filme discute a violência do homem do campo.

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Motivo Fútil e Torpe - Maria Diaba: o filme

Direção: MARCO DELLACOSTA

Elenco: Tatiana Godoi, Yoram Blasckauer, Oswaldo Eugênio, Adolfo Mouro, Nilton Dantas, Eliana Ravanhanni

Maria Diaba, filha única do poderoso criminoso João Herodes, considerava-se a negra mais linda do bairro do Passalaqua. Via-se como uma espécie de princesa Núbia ou de Semidéia[1] do panteão africano, vivendo um injusto degredo em terras brasileiras. Aos vinte e cinco anos, olhou para sua própria história de vida e constatou orgulhosa, que nenhum de seus inimigos permanecera de pé, sob o sol. Um dia, na oficina mecânica do seu tio Zizo, conhece Polaquinho, por quem fica loucamente apaixonada, mas Polaquinho é bem casado e pai de um bebê de poucos meses. Polaquinho não imagina o que ela pode fazer quando não consegue o que quer.

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SNUFF - VÍTIMAS DO PRAZER - 1977

Inspirados pela lenda urbana dos "snuff movies", Carlos Reichenbach e Claudio Cunha escreveram o roteiro de "Snuff - Vítimas do Prazer", dirigido pelo segundo em 1977.
Lembro que por essa época foi lançado nos cinemas daqui um filme americano sobre revolta num presídio feminino, cuja publicidade informava que havia uma cena mostrando uma das figurantes sendo morta acidentalmente durante as filmagens, mas isso não era verdade.
No filme brasileiro, dois gringos Bob Channing (Fernando Reski) e Michael Tracy (Hugo Bidet) se encontram no país dispostos a produzir um filme do gênero, e para isso contratam um cinegrafista falido, Edson (Carlos Vereza) e seu auxiliar Juarez (Canarinho) sob o pretexto de fazer um pornô. Entre as atrizes escolhidas estão uma striper (Rossana Ghessa), uma perdedora de concurso de miss (Patrícia Celere) e uma atriz desempregada (Nadyr Fernandes). O ator principal, Sérgio Bandeira (Roberto Miranda) é encontrado num hospício, onde dizia estar fazendo laboratório (o cara é louco de pedra mesmo).
A intenção primeira parece satirizar as condições precárias para a realização de um filme no Brasil - alguns diálogos apontam nesse sentido - e também mostrar o desencanto de profissionais da área cinematográfica, dispostos a fazer qualquer trabalho para continuarem em evidência (o fotógrafo Edson se classifica o tempo todo como um merda).
É muito interessante o recurso da alternância entre colorido (a parte "real") e preto e branco (as cenas do filme sendo feito).
O diretor cria uma tensão crescente na medida em que apenas os produtores e os espectadores sabem que uma das atrizes será morta de verdade na filmagem. Só não sabemos quando chegará o momento, causando uma angustiante expectativa.
Um dos grandes trunfos de "Snuff" é o elenco, no qual todos estão excelentes, com destaque para Vereza, Canarinho e principalmente Bidet, que logo depois se suicidaria.
Sergio Hingst aparece no começo como um advogado e Xuxa Lopes tem uma pontinha na cena do bordel.
Mais um grande filme nacional recuperado pelo Canal Brasil.

 

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A Noite do Espantalho (1974)

Considerado um dos filmes mais ousados do cineasta Sérgio Ricardo, a trama gira em torno da expulsão de camponeses nordestinos de uma terra vendida por um poderoso latifundiário. O vaqueiro Zé Tulão, líder da resistência, precisa enfrentar um jagunço conhecido como Zé do Cão, que violenta o amor do protagonista, Maria, ao mesmo tempo em que tenta expulsar o povo das terras.

O Espantalho, um dos personagens centrais do filme e narrador dos acontecimentos, é interpretado por Alceu Valença, que, além de atuar, compôs junto com Sérgio toda a trilha sonora da produção. A NOITE DO ESPANTALHO consegue mesclar os cenários de música e poesia, criando um realismo fantástico que tem como palco a cidade de Nova Jerusalém, interior do Pernambuco. Maior teatro a céu aberto do Brasil, o local é cenário das encenações da Paixão de Cristo.

Em uma realidade sertaneja em que o latifúndio é a lei, Sérgio Ricardo, apesar dos elementos fantasiosos da trama, consegue apresentar a dura vida no campo e, ao mesmo tempo, fazer uma crítica para uma distribuição de terras mais justa.  Gravada no auge da Ditadura Militar brasileira, a obra é uma denúncia da maquiagem social realizada pelo governo da época; e como abordava a Reforma Agrária, acabou sendo proibida pela censura. O filme só foi liberado porque a Quinzena do Realizador, em Cannes, convidou o diretor para participar do festival. A NOITE DO ESPANTALHO ganhou os prêmios de filme, música, fotografia e ator coadjuvante no Primeiro Festival do Cinema Brasileiro de Belém.

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Tati, a Garota - 1973

Se para certas famílias o fato de ter um filho ou um parente próximo envolvido com o cinema é as vezes motivo de orgulho, surpresa ou admiração, com certeza na família de Bruno Barreto isso parecia apenas uma conseqüência natural do meio. Filho dos produtores Luiz Carlos e Lucy Barreto, guardando uma moviola dentro de casa (onde foram montados alguns clássicos do Cinema Novo) e dirigindo pequenos filmes desde a infância, o jovem Bruno poderia se aventurar na direção de um longa na hora em que estivesse preparado.

Com a ajuda da avó, que lhe conseguiu um providencial financiamento, Bruno não tardou e aos 17 anos (isso mesmo, 17 anos!) dirigiu seu primeiro longa que, a despeito dos soporíferos filmes que vem cometendo na maturidade, mostra um vigor e uma segurança invejáveis para qualquer diretor veterano. Cercado da produção dos pais, da fotografia do também púbere Murilo Salles e da trilha-sonora de Dori Caymmi, a se julgar por “Tati, A Garota” (1973), Bruno Barreto prometia bem mais do que “Bossanova”.

“Tati, A Garota”, baseado no conto do genial ipanemense Aníbal Machado, é um filme maravilhoso, caso típico de obra que pretendendo narrar uma história simples, linear, forja-se também o retrato de um momento histórico. A classe-média baixa dos subúrbios, que migrava para a zona sul do Rio em busca de oportunidades nos anos 70, é personificada em Manuela (Dina Sfat), costureira que, morando na Penha, resolve viver a aventura de se mudar para uma quitinete em Copacabana, sonhando uma vida melhor para ela e a filha Tati (Daniela Vasconcelos).

O filme é visto a partir de Tati, seus dramas e histeria infantil, sua busca de atenção extrema e espelhamento na figura da mãe, uma mulher bonita e inteligente, mas gasta e sofrida pelos percalços e erros.
A pequena Tati não tem pai, está em um bairro estranho, morando em frente à Praça do Lido, brincando com garotos de classe-média que a vêem com curiosidade extremada. “A Tati não tem pai!”, eles dizem, e ela retruca: “Eu tenho muitos pais!”. Se Manuela usa o resto da sua beleza para se divertir com uma extensa agenda de telefones masculinos, pelo menos possibilita à filha ver em cada um desses homens um possível referencial paterno.

A relação mãe e filha também é complexa, ricamente ilustrada. Manuela às vezes odeia e despreza a filha: gostaria de ser sozinha, livre, poder reinventar a vida sem a obrigação da criança desamparada que precisa dela. Por outro lado, quando Tati cai doente, Manuela fica atônita. E, no final do filme, quando resolve se livrar da filha apenas para tentar permanecer em Copacabana, acaba voltando atrás e se conformando. Afinal, ser mãe é via de sentido único.

De novo temos em um filme brasileiro a síntese de Copacabana como símbolo do Brasil. A mistura de classes sociais é evidente: Manuela costura praticamente para suas vizinhas, as “madames” dos apartamentos grandes e da burguesia carioca – que, naquela época, só tinha a zona sul para viver. Ela mesma, por vezes, se veste e comporta como uma madame do bairro: um namorado a leva para sair e Dina Sfat, com sua beleza aristocrática, desengana a personagem humilde.
Quando volta para casa de madrugada e encontra a filha ensandecida, é que finalmente Manuela abandona o sonho de Cinderela e cai na real de que flerta com um mundo que a encara de cima, mesmo porque não paga o aluguel e recebe em troca uma indiferente notificação de despejo.

Mas há o Comandante Peixoto (Hugo Carvana, no ano em que fez “Vai Trabalhar Vagabundo”), que pilota o enorme navio onde Tati comemora com os amiguinhos seu aniversário. Peixoto flerta com Manuela e a pede em casamento. Ela tem a ilusão de que o pai morto de Tati volte e recusa até o fim. Quando o namoradinho de Tati (o menino Marcelo) vai embora para São Paulo, a imagem final é a das duas mulheres, a grande e a pequena, sozinhas novamente no mundo, decididas a sobreviverem juntas e lutarem por uma remota chance de conforto e felicidade.

Se Manuela permaneceu ou não em Copacabana, se venceu ou não na vida, isso não importa. Documentado o fato, o drama, o olhar da câmera está satisfeito. E das tantas Manuelas que chegaram e foram embora, de tantas partes diferentes da cidade e do país, ficou um filme belíssimo, que não envelhece. E que felizmente para nós espectadores foi remasterizado e lançado em dvd, coisa rara em se tratando de bons filmes brasileiros.

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Lili, A Estrela do Crime - 1988

Diretor: Lui Farias

Elenco:

Betty Faria, Reginaldo Farias, Mário Gomes, Julio Levy, Miquimba, Colé Santana, João Signorelli

A morte do marido dexa Elisa do Nascimento (Betty Faria) em situação finaceira complicada. Mas ela recebe a inustada visita de uma assaltante de bancos (Mário Gomes) e se convida para entrar para o mundo do crime. A mulher larga de tudo e em pouco tempo se transforma numa bandida temida pela polícia. Conhecida como Lili Carabina, ela subverte a ordem com suas estratégias excêntricas de assalto. Um filme movimentado, de cores vivas e baseado em caso real. Foi adpatado por Aguinaldo Silva a partir de romance qe virou best-seller.

ELE, O BOTO (1987)

Filme safadinho e charmoso, inspirado na cultura nacional, onde o boto (Carlos Alberto Riccelli) se transforma em homem bonito e atraente, que vêm á terra e acaba garfando a mulherada que cairá em sua beleza e sedução.
Mulher que fora pega por essa criatura do folclore (Cássia Kiss), dará luz á um pequeno boto que será lançado ao rio, e depois para ajudar a sua família, se casará com homem rico que domina a região de pescadores (Ney Latorraca), pois o seu grande e verdadeiro amor (o Boto), jamais poderá ficar com ela para sempre.
Carlos Alberto Ricelli como o Boto, quase não fala no filme, (e nem precisava tanto), com corpo malhado e escultural o ator que estava na idade da potência bruta, torna as suas tórridas cenas de transas com as mulheres realizadas em paisagens exuberantes algo de fato inspirador, sexy e charmoso, e o personagem não falar quase nada, não fez falta.

Ele o Boto descreveu essa lenda do folclore nacional, adicionou e tirou elementos, porém a obra apresentada no filme convence, agrada, e oferece uma sessão de qualidade.

 

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Humberto Mauro

 

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Exorcismo Negro (1974)

No início dos ano 70, o nome do Mojica começou a circular bastante na Europa, aparecendo em diversas revistas especializadas. Essa repercussão fez com que em 1974 ele fosse convidado para um evento de cinema fantástico em Paris, onde teve alguns de seus filmes exibidos e também recebeu um prêmio pelo conjunto de sua obra. A premiação do Mojica na Europa repercutiu na imprensa brasileira, fazendo com que seu nome ficasse em evidencia.

            Paralelamente a isso, estava começando a divulgação do filme O exorcista, que teria sua estreia no final do mesmo ano nas salas brasileiras. Até então as produções de terror eram deixadas de lado porque não pareciam atrativas, mas quando surge O exorcista e causa todo esse impacto, um produtor nacional vê uma oportunidade e decide chamar o Mojica para dirigir um filme sobre exorcismo. Ele lhe dá o livro que originou o filme e pede pra que ele faça uma releitura da obra, oferecendo um orçamento três vezes maior do que qualquer outro filme que ele já tenha dirigido. Mojica passa suas ideias pro Luchetti (roteirista que também trabalhou em Inferno carnal, O estranho mundo de Zé do Caixão e outras obras do diretor) e pede para que ele escreva o roteiro. Uma sugestão dada por Mojica é que ele gostaria de trabalhar uma história que misturasse realidade com fantasia, levando-o a interpretar a si mesmo no filme.

            Na época, alguns críticos não gostaram muito por ter Mojica perdido um pouco da essência e por ele estar mais contido, afinal pela primeira vez ele tinha orçamento para fazer o que ele queria.

            Era planejado pro filme estrear junto com O exorcista, mas devido à censura ele acabou atrasando e só foi lançado um mês depois. Apesar disso, ele teve um relativo sucesso e se manteve nos cinemas por quase dois meses. Uma curiosidade interessante é que na estreia do filme O exorcista o Mojica se vestia de Zé do Caixão e ia nas filas do cinema pra promover o seu filme que iria estrear algum tempo depois. Ele conclamava as pessoas a ignorarem o exorcista americano e prestigiar o brasileiro:   

             “- Porque vocês estão interessados nesse demônio americano? Lá nos EUA ninguém sabe de diabo! Quem sabe de diabo é brasileiro! O diabo é nosso!”

 

Férias macabras

            O filme inicia com Mojica saindo de uma filmagem e indo para uma entrevista em que os repórteres o questionam sobre o prêmio que ele recebeu na França, sobre o próximo filme e sobre quem é mais importante, José Mojica ou Zé do Caixão? Essa última pergunta terá grande relevância no decorrer da narrativa, mas trataremos disso quando for o momento.

            Após essa cena teremos os créditos rolando na tela enquanto Mojica é mostrando num barco que está indo em direção ao sitio de seu amigo — detalhe pro terno rosa super tendência que ele está vestindo. Chegando ao seu destino, seremos apresentados aos outros personagens da trama. Na casa teremos o amigo de Mojica, sua esposa, seu pai e suas três filhas, duas já adultas e uma criança e, posteriormente, iremos conhecer também o noivo de sua filha. Logo no inicio já percebemos que há um clima estranho na família: uma das filhas irá casar, e sempre que o casamento é mencionado a mãe parece inquieta, como se estivesse escondendo algo. Além disso, na primeira noite já vamos começar a perceber coisas estranhas, cadeiras se movimentando sozinha e uma inquietação que persegue o protagonista.

            Mojica só vai perceber que há algo de errado de fato quando ele encontra o pai de seu amigo tendo um ataque em que ele começa a rasgar as próprias roupa e falar coisas estranhas com uma voz que não parece a dele (lembra muito a voz do Zé do Caixão). A partir desse ponto a história vai se desenvolvendo e diversos outros eventos bizarros vão acontecer e deixar o protagonista cada vez mais intrigado. Sendo assim não contarei mais do roteiro para não estragar as surpresas, mas como disse anteriormente, as questões abordadas no filme são até mais interessantes que o próprio desenvolvimento.

 

Mojica x Caixão

            Durante toda a trama vamos ver o embate entre o real — José Mojica — e o ficcional — Zé do Caixão —, uma vez que o Mojica interpreta ele mesmo. O filme vai criar um jogo que vai mesclar realidade de fantasia, sempre causando certa estranheza pra quem assiste.

Não digo que o filme tenha ar documental, muito pelo contrário, ele é uma ficção que em nenhum momento se apresenta como verdade, mas o diretor e o roteirista se apropriam da realidade e da situação vivida por Mojica para criar camadas que tornam a história mais completa, interessante e, até mesmo, crítica. Mas vamos por partes.

No início do filme, Mojica dá uma entrevista falando sobre o prêmio que ganhou na França e também das próximas produções, mas a pergunta mais importante dessa coletiva é: “Quem é mais importante: Mojica ou Zé”. Mojica vai responder que logicamente é ele, Zé do Caixão é apenas uma criação sua, é ele que dá vida para o personagem. Assim que ele fala que o Zé não existe, uma luz da sala que ele está queima. Assim como esse evento, outras coisas estranhas vão acontecer sempre que ele menciona algo semelhante ao Zé do Caixão, dando a entender que existe uma força que está além dele e que o personagem não é apenas uma criação, mas sim uma entidade independente.

Então uma das principais questões do filme vai ser esse embate entre criatura e criador que sempre levanta a questão: será que o Zé do Caixão é apenas um personagem ou ele existe de fato? Até certo ponto do filme vamos ter apenas sugestões, só depois iremos descobrir o que está havendo. Essa sacada do filme é interessante porque ela dialoga diretamente com a vida real do Mojica, afinal, todos sabemos quem é o criador e quem é a criatura, entretanto, se observarmos bem a trajetória do diretor, vamos perceber que, de certa forma, ele foi “dominado” pela sua criação. Às vezes, a criatura se torna tão poderosa que ela sai do controle.

Ok, você deve estar se perguntado: isso faz sentido no filme, mas como isso pode acontecer na vida real? Simples, é só pensarmos na nossa própria relação com o Mojica. É bem provável que você tenha conhecido o diretor pela figura do Zé do Caixão. Mesmo hoje em dia, 50 anos depois do lançamento do “Esta noite”, o personagem ainda é mais conhecido que seu criador. É muito difícil ver alguém falando sobre o Mojica sem vincular diretamente a figura do Zé, mesmo ele tendo dirigido diversos outros filmes que não tem relação nenhuma com seu personagem. Um exemplo claro disso são as diversas participações que ele fez em programas de TV, quando ele era convidado as pessoas não queriam o José Mojica Marins, o diretor que produziu diversos filmes com baixo orçamento, as pessoas queriam o Zé do Caixão, não importa quem está por baixo da capa e da cartola. Sim, isso é compreensível, mas não deixa de ser triste, afinal ele é muito mais que um personagem.

Claro que no filme ele não vai levantar essas questões da vida pessoal do Mojica, mas é impossível não pensar nessa questão de criatura e criador, ainda mais porque no filme o Mojica se apresenta de uma forma totalmente diferente. Se na vida real ele é ridicularizado pela crítica e está cheio de dívidas e problemas, se colocando no papel de Zé diariamente para conseguir algum dinheiro, no filme ele é um homem rico, culto e popular que pode negar a existência do seu personagem mais famoso e tratá-lo como quiser. Não sei se isso é uma forma de desabafo, mas é algo pra se pensar.

 

Realidade x Ficção

Voltando para o filme. Em certo momento haverá um embate entre os dois personagens. E o mais interessante é que esse encontro entre criador e criatura acontece num espaço meio lúdico, mostrando que eles estão em atmosferas diferentes, mudando a tonalidade do filme. O personagem sai do ambiente comum e adentra aquele espaço infernal e cruel de Zé do Caixão, o que mostra que Mojica criou não apenas um personagem, mas todo um universo, porque se até certo ponto o filme parece um filme qualquer de horror/suspense, quando se aproxima do fim fica claro que estamos vendo um filme do Mojica, pois suas características mais marcantes estão ali. E por mais que ele tente lutar contra isso, ele nunca vai conseguir se livrar totalmente.

Mas o ponto que quero levantar aqui não é o embate entre os dois em si, mas sim as diferentes interpretações que o filme permite. Desde o início percebemos que há uma espécie de metalinguagem: o filme começa com a filmagem de uma cena, com o Mojica interpreta ele mesmo, tendo que lidar com sua criação, etc. Mas o que torna tudo mais intrigante é pensar até que ponto os acontecimentos do filme são “reais” ou se tudo não passa da imaginação fértil do Mojica.

No inicio, ele revela que o título do seu próximo filme vai ser “o tirador de demônios” e que vai pegar umas férias pra escrever o roteiro, logo, ele já sabe sobre o que se trata e tem pelo menos a ideia inicial para começar o roteiro. Sendo assim, quando ele chega na casa do amigo e as coisas estranhas começam a ocorrer podemos seguir por dois caminhos interpretativos: 1) o Zé do Caixão está de fato por trás das coisas macabras 2) tudo não passa de um processo criativo do próprio Mojica, que cria situações a partir dos personagens e ambientações que ele está observando no dia a dia da família de seu amigo.

Então, Exorcismo negro acaba sendo um filme que abre diversas possibilidades, criando diálogos dentro do próprio filme e, também, entre realidade e ficção.

 

Está pronto pra missa negra?

Apesar do filme ter sido feito pra aproveitar todo o hype que O exorcistaestava causando, ele não é uma copia barata como tantas outras que vemos por aí, tanto que a primeira vez que assisti ao filme foi antes de ler a biografia do Mojica e, tirando pelo título, em nenhum momento eu pensei na obra americana, nem mesmo como referência. É que, apesar de ambos tratarem de possessão, eles possuem premissas e desenvolvimentos completamente diferentes.

Exorcismo negro, diferente das outras obras do Mojica que já abordamos, teve um orçamento que permitia com que ele pudesse ir um pouco além: não era um orçamento grande, mas era maior do que qualquer outro que ele já teve. Um efeito disso que podemos perceber são as cenas externas, como a cena que ele está no barco, algo impensável se ele tivesse orçamento reduzido que o obrigaria a focar em cenas feitas em estúdio.

Alguns críticos da época reclamaram do filme, falando que o Mojica perdeu a essência e que não era tão intenso quanto as obras anteriores. Em partes eu concordo, afinal é um filme menos inventivo, se comparado com os primeiros filmes do Zé do Caixão, que o obrigava a fazer alguns milagres. Entretanto, apesar de eu não achar esse filme tão bom quanto aos outros, acho injusto esperar que ele repetisse a fórmula dos outros sendo que ele tinha orçamento pra fazer algo mais elaborado. E mesmo assim, as cenas finais carregam o DNA do Mojica, é impossível falar que não é um filme dele.

Enfim, Exorcismo negro é um filme que mostra um outro lado do Mojica, fica perceptível que é um filme com mais recursos e que ele tinha maior liberdade pra fazer o que queria. Não vamos ter muitos improvisos, cenas reaproveitadas ou outras malandragens pra terminar o filme. É interessante ver como a partir da ideia de O Exorcista, Mojica e Luchetti conseguiram criar um filme bem único e diferente, se aproveitando da metalinguagem para criar uma história simples mas que tem várias camadas e permite diversas interpretações.

Então acende as velinhas pretas e vem incorporar o Zé com a gente.

 

A Sina do Aventureiro (1958)

Após ser baleado fugindo de um tiroteio, o bandido Jaime se envolve romanticamente com Dorinha, a filha de um fazendeiro e, para provar seu amor, se entrega à policia. Ao sair da cadeia, agora o bom moço Jaime, precisa enfrentar Xavier, um sanguinário bandido que planeja se vingar do pai de Dorinha.

A estréia profissional de José Mojica Marins como diretor é um dramalhão mexicano digno das tramas das novelas da Globo. “A Sina do Aventureiro” é um autêntico feijoada-western que foi produzido por Augusto Pereira de Cervantes com grana de sua namorada quarentona Nilza de Lima que estudava na “escolinha” de interpretação de Mojica e era cheia da grana. A dupla de esfomeados enrolou Nilza e ela entrou com o dinheiro da produção (com duas condições: como inicialmente o projeto se chamava “Passos da Vingança”, pediu um novo título, mais romântico e, segundo, que seu irmão Acácio de Lima ficasse com o papel principal).

“A Sina do Aventureiro” foi o primeiro filme brasileiro rodado em Cinemascope porque o dono da loja onde Mojica alugou o equipamento, Honório Marin (também diretor de fotografia do filme), quis testar uma nova câmera que havia adquirido. Segundo a biografia de Mojica, “Maldito” (escrito por André Barcinski e Ivan Finotti), Mojica além de dirigir o filme e atuar, foi também maquiador, carregador de equipamentos, cenógrafo, figurinista, cabeleireiro e eletricista na produção dado a probreza de tudo.

A censura classificou, na época, “A Sina do Aventureiro” para 18 anos, fato que prejudicou suas chances na bilheteria. A recepção de público foi bem morna, mas mesmo assim o filme se pagou e deu algum lucro à Mojica (que mandava seus alunos para as filas de filmes que eram exibidos em outros cinemas, dizerem coisas como: “Você já viu aquela fita que tá no Coral? Um bangue-bangue de arrebentar!”). Mojiquismo puro!

Imperdível, como quase tudo que Mojica já fez.

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O Descobrimento do Brasil - 1937

Nos idos de 1937, o cineasta mineiro Humberto Mauro, (praticamente desconhecido pela massa) aventurou-se na seara do longa-metragem para falar sobre o descobrimento do Brasil pelos portugueses. Se hoje, com todos os incentivos existentes e meios facilitados de produção, está difícil estabelecer um cinema sólido no país, imagine o cenário há mais de 70 anos, quando o próprio meio ainda tateava suas possibilidades enquanto forma de expressão. Mas que fique bem claro: essa introdução não intenta prestar-se à complacência, pois O Descobrimento do Brasil possui méritos sem régua nas eventualidades de produção.

Por um pouco mais de uma hora, veremos uma espécie de resumo da empreitada dos lusos até a terra de Vera Cruz, história que todos aprendemos na escola, porém sem as nuances além do oficioso. Oscilando entre descrições didáticas e dramatizações elaboradas (estas servidoras de apoio àquelas), O Descobrimento do Brasil quase cai em terreno movediço, uma vez que não ficam claras as intenções do diretor entre o já mencionado didatismo e a construção de um olhar próprio. Curiosamente estruturado tal exemplar mudo, com movimentos de câmera e decupagem intrínsecas aos filmes silenciosos, O Descobrimento do Brasil é sonoro, de poucas falas, é verdade, mas bastante influenciado por sotaques estrangeiros e barulhos da mata. Sobressai-se também, naquilo que concerne ao ouvido, a bela partitura de Villa-Lobos (ele mesmo).

A chegada dos desbravadores marca o melhor de O Descobrimento do Brasil. Passada a fase de apresentação, mais descritiva que argumentativa, nota-se Humberto Mauro, em sua síntese particular, disposto a explorar com afinco o choque cultural existente entre o branco e o índio, por meio da catequização deste último. Após a sedução por meio dos objetos do homem civilizado, o índio tem comprometida sua raiz ancestral, que é maculada de maneira irreversível.

Humberto Mauro aproveita situações, sobretudo a construção de uma gigantesca cruz – e a belíssima cena dos índios a carregando, para situar o descobrimento como instante em que escoa a pureza do homem brasileiro. Dessa maneira, lança olhar amargo sobre esse momento histórico e definidor do paraíso onde abundava o pau-brasil, logo excepcional ao extrativismo e ao consequente esmagamento da cultura originária. Não à toa, o conquistador necessita da colônia prostrada ante seus símbolos de dominação. Mudou muita coisa em mais de 500 anos?

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República Guarani - 1981

Direção: Sylvio Back

Entre 1610 e 1767, ano da expulsão de jesuítas das Américas, desenvolveu-se - em uma vasta área dominada por índios guaranis e banhada pelos rios Paraná, Uruguai e Paraguai - um discutido projeto sócio-político, religioso e também arquitetônico, único na história de relacionamento conquistador-índio: uma sociedade criada por jesuítas com sucessivas gerações de guaranis que chegou a abranger 500 mil pessoas.

Dirigido e produzido por Sylvio Back em 1978, com 60 minutos e roteiros e pesquisa assinados por Deonísio da Silva, o documentário foi relançado com 100 minutos em 1982 e ganhou vários prêmios. O filme traz um registro da cultura e da história dos guaranis e do que fizeram com eles.

Sua montagem meticulosa resultou numa versão sutilmente agressiva e hostil aos jesuítas. Por exemplo, Back esclarece que a figura e a função do cacique entre os guaranis foram impostos pelos padres que afastaram a liderança dos pajés guias espirituais e curandeiros das tribos.

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Políticas de Saúde no Brasil: um século de luta pelo direito à saúde (2006)

Direção: RenatoTapajós

No período colonial o Brasil era tomado por epidemias de febre amarela, cólera, varíola, malária, que levaram os portos a entrarem em crise. O que era um problema, já que a economia do país se sustentava na exportação de café. Com a resistência de alguns países de importarem os produtos brasileiros, temendo às epidemias, houve uma queda na produção agrícola. Nesse período a saúde era privada para ricos, que eram os únicos com recursos financeiros para pagar os altos preços cobrados pelos médicos. Os pobres se contentavam com os serviços prestados pelas instituições filantrópicas e/ou benzedeiras.

O filme narra que, com o advento da República, Rodrigues Alves, então presidente, nomeou Oswaldo Cruz como Diretor do Departamento Nacional de Saúde Pública. Oswaldo Cruz criou o controle epidemiológico e liderou a Reforma Sanitária Brasileira, instituindo a vacina contra a varíola como medida obrigatória. Esta medida não é foi aceita pela população da cidade do Rio de Janeiro, que se manifestou, organizando a Revolta da Vacina.

Com o advento do capitalismo no Brasil, começaram os primeiros movimentos de industrialização do país, e cresce o número de imigrantes, que traziam consigo a experiência do modelo industrial que já era forte na Europa. A saúde ainda era precária no país, principalmente no que dizia respeito à parcela da população sem recursos financeiros. Os vários movimentos de greves dos operários, principalmente na cidade de São Paulo, em busca de melhores condições de trabalho e de acesso à saúde, resultaram na consolidação da Lei Eloy Chaves em 1923. Essa lei criava e regulamentava as Caixas de Aposentadorias e Pensões (CAP’s), que garantiam assistência medica para os trabalhadores.  Essa lei é o marco para a criação da Previdência Social no Brasil.

Em 1930 Getúlio Vargas assume a presidência da republica e provoca algumas mudanças no quadro sociopolítico brasileiro. Dentre elas acontece a descentralização da política café com leite, no eixo São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, além da criação do Ministério da Educação e Saúde Pública, e a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) em 1939, que estipulam carga horária fixa para os trabalhadores, salários mínimos e asseguram direitos à previdência. Em 1932 São Paulo resiste à constituição de 30, e a elite paulista perde dinheiro. Getúlio Vargas vendo a quantidade de dinheiro acumulado pelas CAPS’s e resolve centralizá-los, instaurando em 1933 os Institutos de Aposentadoria e Pensões (IAP’s). A partir de agora, o estado iria gerir os recursos dos CAPS por meio dos IAPS, que estenderia os direitos dos trabalhadores e uniformiza as estruturas de saúde.

Em 1945, Vargas é deposto, e Dutra assume o poder. Acontecem avanços significativos na saúde. O modelo de saúde nacional sofre influência do modelo americano que ia contra o método médico assistencialista. A saúde no Brasil agora recebe investimentos diretos do governo e conta com hospitais grandes, modernos e bem equipados, além de diversas especialidades médicas. Em 1953 é criado o Ministério da Saúde.

Na década de 1960, Brasília é criada, e o governo brasileiro investe para trazer fábricas automobilísticas, cresce a industrialização. Acontece nesse período a expansão da medicina de lucro, onde empresas médicas prestam serviços médicos privados, com hospitais próprios. Em 1964 quando Janio Quadros assume a presidência da república, ele tenta a reforma da saúde, mas os militares tomam o poder, e com o golpe militar instaura-se a ditadura.

Em 1967 aconteceu a unificação de todos os IAP’s, e criação do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS). Ficava a cargo do INPS assegurar a Previdência Social a todos os trabalhadores (urbanos e rurais), assim como garantir acesso a saúde, no que diz respeito à prática da medicina curativa. As medidas de prevenção, assim como controle epidemiológico eram responsabilidade do Ministério da Saúde.  Durante o Regime Militar acontecem altos investimentos nos hospitais privados, uma vez que, como o INPS atendia a todos os trabalhadores do país. O serviço de saúde, sozinho, não seria capaz de atender a esse público. Criam-se o Instituto Nacional de Atenção Médica da Previdência Social (INAMPS).

Com a crise financeira mundial, o sistema capitalista entra em colapso, cresce o número de manifestações em prol do direito à liberdade de expressão e melhor qualidade de vida no Brasil, dentre eles, as Revolução Sanitarista em 1980, que reivindicava saúde para todos, não apenas para trabalhadores com carteira assinada, e o movimento: Diretas Já, em 1985, que culminou na eleição de Tancredo Neves, marcando o fim do Regime Militar. Surgem nesse período os conselhos populares querendo ter vez e voz nos serviços já conquistados e nas políticas de saúde.

Em 1986 aconteceu a 8ª Conferência Nacional de Saúde, que lutava pela criação de um sistema único de saúde, igualitário e com controle popular. Nessa conferência foi aprovada a constituinte o Sistema Único de Saúde (SUS).

Na constituição de 1988, o SUS nasce com os princípios de: universalidade, Integralidade e equidade, com participação popular. Em 1990 é implantada a Lei 8.080 que estabeleceu recursos destinados ao SUS. Em 1996 as Normas de Operação Básica (NOB) do SUS regulamenta e lançado o Programa Saúde da Família (PSF) e Programa de Agentes Comunitários (PACS). Em seguida, foi permitida a transferência da gestão de serviços públicos de saúde para Instituições Privadas e Sem Fins Lucrativos (OSS). Acontece a Reforma Previdenciária, mas o SUS não é afetado, pois não depende mais Previdência Social para se manter. Em 2006 o SUS disponível para todos, igualmente, como uma política social pública, popular e democrática.

A jornada histórica de nosso país para a conquista de um Sistema Único de Saúde perdurou por mais de um século. Vários foram os eventos que nos permitiram chegar aqui. O SUS ainda está longe de ser o que todos idealizam, mas sem dúvida alguma, dentre as políticas públicas que existem em nosso país, é uma das poucas que saíram do papel. Claro que a realidade mostra grandes filas em hospitais, desvios de dinheiros públicos, e morosidade nos serviços que dependem diretamente de funcionários públicos. Mas não podemos nos deixar entristecer. O que ainda falta de melhoria no SUS, depende diretamente de nós, cidadãos. Devemos lembrar que vivemos em um país livre, e democrático. Se nos lembrarmos de que o SUS, ao contrário dos IMANPS, é descentralizado, podemos sim cobrar desses candidatos propostas que visem melhorias do sistema. A mudança está em nós, enquanto administradores do SUS. O SUS nasceu de movimentos sociais sérios, que viram a necessidade de uma mudança. E se eles conseguiram, por que nós não podemos? É mais fácil depositar nos políticos a culpa pelas falhas no sistema, do que nos implicarmos ativamente no processo.

Lição de Amor - 1975

Direção: Eduardo Escorel
Atores: Lílian Lemmertz, Rogério Fróes, Irene Ravache, Marcos Taquechel

Bela e fiel adaptação do romance (ou idílio, como prefere o autor) Amar, Verbo Intransitivo, de Mário de Andrade. Alguns poderão reclamar do tom mais sério do filme, ao contrário do estilo irônico ou bem humorado do original, ou lamentar a ausência de algumas passagens, como a hilária viagem de trem. Por outro lado muitos diálogos e situações são facilmente reconhecíveis. Claro que numa adaptação, algumas coisas devem ser deixadas de fora para caber numa duração de 80 minutos e não vamos ficar fazendo comparações entre livro e filme. O importante é que os roteiristas, o diretor Eduardo Escorel e Eduardo Coutinho, mantiveram a essência dessa obra-prima de nossa literatura. Que trata da iniciação sexual de um adolescente de família burguesa por uma senhora alemã, na São Paulo dos anos 20. 

Na primeira cena já vemos Felisberto Souza Costa, rico fazendeiro, contratando os serviços de Elza por oito contos. A questão do dinheiro é importante, pois Fräulein, como gosta de ser chamada, deixa claro que se trata de um acordo comercial que ela cumprirá rigorosamente. 

O fato é que ela entra nessa mansão de Higienópolis, onde se passará por professora de piano e alemão para as três filhas e um filho, Carlos, do casal Felisberto e Laura, até concretizar seu objetivo de dar uma lição de amor ao rapaz e, feito isso, provocar a inevitável separação. O problema é que os sentimentos humanos não são estanques e nos casos de amor alguém sempre sairá machucado, senão mesmo todos os envolvidos.

Realizado com muita sensibilidade o filme capta muito bem o espírito da época, criticando a hipocrisia social que faz com que um pai de família contrate uma profissional para fazer sexo com o filho dentro de sua casa por medo que se envolvesse com drogas e prostituição, sem saber que ele já havia transado com uma prostituta da Avenida Ipiranga. E confrontando o pragmatismo alemão ao comportamento emocional do brasileiro. 

Com ótimas e premiadas reconstituição de época de Anísio Medeiros (nem se percebe que foi filmado em Petrópolis), fotografia de Murilo Salles e música de Francis Hime, Lição de Amor demonstra o apuro visual do diretor Escorel, que infelizmente no terreno da ficção ficou limitado, depois deste, apenas mais dois longas (Ato de Violência e O Cavalinho Azul) e um episódio de Contos Eróticos

E se Marcos Taquechel no papel de Carlos não compromete, mas também não se destaca, o filme traz quatro interpretações soberbas: William Wu como o mordomo Tanaka, com quem Elza tem uma relação de amor e ódio; Rogério Fróes como o duro, mas também carinhoso Felisberto, e Irene Ravache (melhor atriz coadjuvante pela APCA) como a amorosa e compreensiva Laura. 

Pairando acima de todos está Lilian Lemmertz, dando vida a uma das melhores personagens femininas criadas em nossa literatura, ganhando com isso mais do que merecidos prêmios de melhor atriz em Gramado, Coruja de Ouro do INC e Governador do Estado de São Paulo. 

Num dos muitos momentos em que se dirige diretamente ao leitor, Mario de Andrade diz que tem 51 leitores, contando com ele, e cada um é livre para criar sua própria Elza.

Depois de assistir ao filme, ninguém conseguirá imaginar outra Fräulein que não a criada por Lilian.

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UTOPIA E BARBÁRIE (2009)

Silvio Tendler tentou fazer um filme por quase 20 anos. E no final admitiu, no texto do próprio filme, que Utopia e Barbárie é um trabalho não “inacabado, mas sim inacabável”. Um trabalho onde não cabe o ponto final, mas sim reticências. E nem poderia ser diferente. Afinal, Utopia e Barbárie é um documentário de fôlego - muito fôlego - que se propõe a montar um painel histórico-didático-sócio-político-cultural das utopias e das barbáries que o mundo conheceu desde o final da Segunda Guerra até os dias de hoje.

A boa notícia é que Tendler não apenas se propôs a montar o tal painel, como também conseguiu. E bem! Utopia e Barbárie é uma verdadeira aula que deveria entrar para o currículo de toda escola.

Quem viu Os Anos JK e Jango, do mesmo diretor, sabe que Tendler opta pela clareza da narrativa dos fatos que se propõe a aprofundar. Sem medo de ser feliz, nem de usar texto em off. Fãs de documentários mais experimentais talvez possam até achar Utopia e Barbárie esteticamente conservador. Ou televisivo, palavrinha que muitos confundem com palavrão. Mas é inegável o talento do filme em costurar com ritmo, nitidez e poder de concisão as dezenas de fatos utópicos e bárbaros que rasgaram a face do Planeta nos últimos 60 e poucos anos.

Utopia e Barbárie percorreu 15 países: França, Itália, Espanha, Canadá, EUA, Cuba, Vietnã, Israel, Palestina, Argentina, Chile, México, Uruguai, Venezuela e, claro, Brasil. Em cada um desses lugares, Tendler documentou os protagonistas e testemunhas da História. Incluindo intelectuais, filósofos, teatrólogos, cineastas, escritores, jornalistas, militantes, historiadores, e economistas, além de testemunhas e vítimas desses mesmos episódios históricos. Com inacreditável serenidade, uma sobrevivente de Hiroshima narra, por exemplo, como as imagens que ela viu se assemelham a cenas que ela considera ter vindo diretamente do Inferno. Pura barbárie. Com poesia, o escritor Eduardo Galeano fala que o direito de sonhar é “o papai e a mamãe” de todos os outros direitos, pois é ele quem alimenta os demais. Pura utopia. Ao ser questionado sobre vários cadáveres enterrados numa mesma gaveta de túmulo, Pinochet sorri e diz: “Que baita economia, hein?!”. Mais barbárie impossível. É sobre esta terrível dicotomia que o documentário se desenrola.

O texto e o pensamento de Tendler, no filme, são interpretados pelos atores Letícia Spiller e Chico Diaz e pelo dramaturgo Amir Haddad. O próprio Tendler - hoje com 60 anos - também toma a saudável liberdade de se incluir na trama. Na pesquisa, ele é simultaneamente agente e objeto.

O resultado é um documentário de coração aberto, que consegue o distanciamento histórico necessário para a análise dos fatos, ao mesmo tempo em que não abre mão de uma postura afetiva assinada tanto pelo autor como pelos seus entrevistados. Ou seja, um filme utópico e bárbaro, sim... pero sin perder la ternura, jamás.

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O Amuleto do Dragão (2013)

Diretor: João Paulo Andrade

Sinopse: A busca por um amuleto roubado leva três descendentes de chineses a academia de Kung Fu de um brasileiro. Neste confronto envolvendo honra, orgulho e amor, um segredo guardado por século será revelado.

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FAMÍLIA CAFUNDÓ - COMÉDIA CAIPIRA

 O filme conta a história de dois irmãos que, depois da morte do pai e da mãe, se vêem obrigados a abandonar o sítio onde nasceram e moraram por toda a vida, já que o fazendeiro, dono das terras, resolve despejá-los por medo que eles ganhem direito de posse sobre o sítio.

bonecas do amor

BONECAS DO AMOR (1988) / Minhateca / Depositfiles

Direção: Juan Bajon. Elenco: Suzana Aguiar, Max Din, Walter Gabarron, Sandra Morelli

Numa casa de campo, durante a lua-de-mel do casal Domênica-Rafael, surgem divergências de opiniões. Ela fica ciente de que não se casou com o homem que desejava e ele frustou-se na escolha da companheira. Resta apenas a força do sexo para suplantar os obstáculos. Quanto a isso, Domênica é especialista, pois já fora casada várias vezes e enviuvara outras tantas. Rafael só ficou sabendo disso na noite de núpcias. Os dois passam a ter relações sexuais ininterruptas. Não satisfeita, a mulher força-o a contratar os serviços de um casal auxiliar, incentivando-o na prática de swing. Quando começa a declinar a potencialidade sexual de Rafael, ela apela para outro recurso: o preparo de pratos afrodisíacos. Rafael cai na armadilha comendo exageradamente e entregando-se ao sexo de forma desenfreada até a exaustão, concedendo mais uma vitória à mulher-aranha.

o delicioso sabor do sexo

 O DELICIOSO SABOR DO SEXO (1984) / Minhateca / Depositfiles

Dirigido por: Antonio Meliande

Elenco:

Andrea Pucci

Angélica Belmont

Edgard Franco

Eliane Gabarron

José Miziara

Juliana Albuquerque

Patrícia Petri

Ronaldo Amaral

Sílvio Júnior

Wagner Maciel

Walter Gabarron

Dois professores de português, Ed e Zé, em crise financeira, vão trabalhar num teatro fazendo sexo ao vivo para sobreviver. Resolvem fazer um filme de sexo explícito. A idéia da trama surge na primeira página de um jornal sensacionalista, completada por revistas de musculação masculina. O roteiro é feito no Parque do Ibirapuera. 

 

delirios de dar amor

DELÍRIO DE DAR… AMOR (1987) / Depositfiles

Uma freira... Uma coroa... Duas garotas exuberantes... E uma beleza negra excitante.
Em uma residência, onde todas as taras são satisfeitas, desenrola uma estória onde o ritmos sexual é altamente contagiante. Uma frira que rogava pela aparição de um padre bem dotado. uma coroa cuja a receita era "enfrentar de costas" as delícias do prazer. Nesta residência, tudo acontece em seus aposentos, mas suas portas não tem chaves, e seus desejos ardentes, portanto, se renovam. Extasiante a cena onde uma das belas garotas projeta-se na figura de freira, porém, no sexo oposto, tendo a "performance" da beleza negra como mulher. Em resumo, uma produção que torna realidade o erotismo até então só comentado à boca pequena.

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Fonte da Saudade - 1986

Direção: Marco Altberg
Elenco: Lucélia Santos, Thales Pan Chacon, Andréia Dantas
Adaptação do romance de Helena Jobim, as histórias de três mulheres e as fortes lembranças da infância e da figura paterna. Uma tem uma vida frustrante com o marido, a outra tem um casamento vazio e opressor e a terceira escolheu a fuga da realidade, na tentativa de sobreviver. 

 

O Estranho Vício do Dr. Cornélio - 1975

Dr. Cornélio, famoso barítono, rico e com importante carreira no Metropolitan de Nova Iorque, se apaixona por Angélica, uma modelo, e lhe propõe casamento. A moça já é amante de Bruno, um boa-vida que escreve roteiros cinematográficos e quer produzir filmes. Na noite anterior ao casamento, Angélica passa a noite com Bruno. Este convence a moça a matar Cornélio, para quem ela apresenta o amante como sendo seu primo. Na lua-de-mel em Cabo Frio, Angélica faz com que Cornélio ingira muitas ostras, no intuito de que contraia tifo. Ele sai ileso da comilança, mas ela acaba contraindo a doença. O casal de amantes tentam vários assassinatos, mas todos falham. Enquanto casada, Angélica não transa mais com o amante, pois ela não quer ser infiel. Prefere ser viúva. Como Cornélio está em uma idade propensa a problemas do coração, eles o induzem a comer muito, fazer muito sexo e muitos exercícios físicos. O cantor faz um eletrocardiograma e descobre que está com problemas cardíacos seríssimos, mas continua a cometer excessos. Bruno, que desde o casamento, passara a ser um habitué da casa, conta para Cornélio que tem um amigo de meia-idade que faz tudo o que o médico não recomenda, e está ótimo. Além do mais, pratica, como jogo erótico, o 'golpe do touro' que consiste no homem deixar a mulher bem na ponta da cama, indo até a parede mais distante, tomar impulso e vir correndo se atirar sobre ela. Dr. Cornélio adora a idéia, e diz que daquele momento em diante este passará a ser o seu estranho vício. Quando o barítono vai praticar o 'golpe do touro' com a esposa, ele escorrega no tapete, cai e bate com a cabeça, vindo a falecer. Depois do enterro, Angélica vai transar com Bruno. Ele resolve praticar também o 'golpe do touro', e tem o mesmo destino de Cornélio. James, o mordomo puritano, resume a moral da história: 'Quem com ferro fere, com ferro será ferido.

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Quando sinto que já sei

O documentário "Quando sinto que já sei” aborda a realidade do sistema educacional brasileiro. Depoimentos de pedagogos, professores, filósofos pais e das próprias crianças criticam a metodologia de ensino brasileiro atual e relatam que a educação precisa desenvolver mais o senso crítico do aluno.

De acordo com o filme, o sistema educacional brasileiro é comparado a um sistema industrial, tudo é reproduzido em série, sem espaços para contestação ou mudança. O pensamento é imposto pelo professor, não contestado pelo aluno e não são oferecidas condições para o pleno desenvolvimento do senso crítico dos estudantes.

O documentário é bastante contundente nas críticas sobre a metodologia de ensino brasileira: cadeiras enfileiradas, alunos imóveis, o professor à frente da classe apenas despejando um saber sem contestações ou interações das crianças e adolescentes são as características do ensino que permeiam o debate entre os novos educadores e pais contestadores do ensino nos moldes atuais.

Os depoimentos de crianças que trocaram de escolas por não se sentirem alunos e sim apenas meros robôs impressiona. Os depoimentos relatam que as crianças defendem sua participação mais ativa e crítica em sala de aula e destacam que o professor é muito importante para o processo de ensino, porém ele deve deixar de ser apenas um mero transmissor de informações, deve ser um receptor e permitir que haja mais interação com os alunos.

O filme proporciona um debate sobre a estrutura arcaica a qual o Brasil ainda insiste em reproduzir para milhares de crianças e adolescentes, seja na rede publica quanto na particular. A obra defende que é preciso que os métodos de ensino sejam repensados para atingir um patamar de qualidade.

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Rinha: O Filme - 2008

MEGA Partes 01 / 02 / 03 / 04 / 05

Quais são os cartões postais do Brasil no exterior? O Rio de Janeiro. As belas - e fogosas - mulheres. O futebol. O samba. E, mais recentemente, o vale-tudo. Depois que os Gracie levaram o jiu-jitsu para os Estados Unidos, não demorou para que essa arte marcial começasse a ser usada em competições movidas a dinheiro, o que é justamente o contrário do que prega qualquer arte marcial.

Rinha (2008), filme do ex-publicitário Marcelo Galvão, mostra um nível abaixo desses campeonatos. São as batalhas clandestinas patrocinadas pela aristocracia local. No caso, a "nata" paulistana, com presença de ex-alunos de um colégio americano, empresários cheios de dinheiro, diplomatas, drogas e as melhores companhias que o dinheiro pode pagar. Como prato principal, lutas em piscinas vazias que só acabam quando um lutador cansar de bater no outro.

Há o que se elogiar no projeto. A parte técnica toda é bem cuidada, com luz, som e câmeras bem posicionadas. O elenco tem figurinhas conhecidas do teatro e da TV. O figurino, o casarão e os carrões de luxo, todos impecáveis. Enfim, uma bela produção e, o que é mais interessante (pela sua inovação), feita com pouco dinheiro e muitos voluntários. Para fazer esse filme, Marcelo e seus sócios na produtora GataCine criaram um curso que ensinou pessoas que não sabiam coisa alguma sobre os bastidores do cinema e os colocou para trabalhar. Mão de obra barata para a produtora e uma experiência única para os novos cineastas.

Porém, há também muita coisa a ser criticada. Devido ao excesso de personagens que entram e saem de cena, não há espaço para que eles se desenvolvam e, por isso, sobram cenas desnecessárias - como a briga entre os dois amigos que estão indo pegar o lutador que pode lhes salvar a noite. Até mesmo o narrador é um personagem secundário. Seria melhor - e até mais barato - diminuir tudo isso.

Mas isso não foi feito porque o roteiro só existe mesmo é para chocar. O próprio diretor não tem pudores de dizer por aí que fez este longa-metragem pensando na polêmica, na mídia espontânea que o sangue geraria e que isso traria o sucesso de público que ele precisa para montar seu projeto dos sonhos, Colegas, um road-movie estrelado por portadores de Síndrome de Down. Os fins justificam os meios?

Diz o letreiro do início que é um filme baseado em casos reais. A mim, me parece uma desculpa para rodar o filme todo em inglês e assim facilitar uma possível venda do projeto para fora do país. E assim ajuda a estampar lá fora um cartão postal que não precisávamos ter.

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El hombre del subsuelo (1981)

ELENCO:

  • Alberto de Mendoza
  • Regina Duarte
  • Miguel Ligero …Severo
  • Ignacio Quirós… McKinley
  • Héctor Bidonde …Jalil
  • Aldo Braga …Casanegra
  • Juan Manuel Tenuta … Gallo Vanasco
  • Ulises Dumont …Baibiene
  • Rafael Rodríguez
  • Roberto Mosca
  • Walter Soubrié
  • Sara Vinocour
  • Fernanda Nucci
  • Ludovica Álvarez
  • Lucrecia Capello
  • Antonio Ber Ciani
  • Jesús Berenguer
  • Mario Luciani

Dirigida por Nicolás Sarquís

Ambientada en 1930, un hombre atormentado y su mayordomo viven en una vieja casona de Adrogué en cuyo sótano se filman películas pornográficas siguiendo el testamento del abuelo.

 

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Verão de Fogo (OSS 117 PREND DES VACANCES, 1969)

ELENCO:

  • Luc Merenda ... Hubert Bonisseur de La Bath, alias OSS 117
  • Edwige Feuillère ... Comtesse de Labarthe
  • Elsa Martinelli ... Elsa
  • Geneviève Grad ... Paulette Balestri
  • Norma Bengell ... Anne
  • Ivan Roberto
  • Rossana Ghessa ... Anna
  • Sérgio Hingst ... Santovski
  • Tarcísio Meira ... Killer
  • Jess Morgane ... Balestri
  • Yann Arthus-Bertrand ... Yann
  • Jorge Luis Costa ... Flavio
  • Almir de Freitas ... Joao
  • Vittorio Rubello ... Marcello

OSS 117, agente do Serviço Secreto, decide aproveitar suas férias visitando o castelo de seus ancestrais, os Bonisseurs de la Bath, na França. Ao chegar lá é posto fora de combate por três indivíduos, um dos quais se faz passar por ele perante sua tia, a baronesa. Mas se ela pôde ser facilmente enganada, o mesmo não acontece com o seu filho Yann, que ajuda OSS a eliminar seu rival. Aconselhado por seus superiores, OSS prolonga as férias, dirigindo-se para o Brasil. No aeroporto de São Paulo ele encontra inesperadamente Elsa, estrela de cinema e também agente secreta à sua maneira. A partir daí coisas estranhas começam a acontecer e OSS 117 se vê constantemente ameaçado por desconhecidos. No Guarujá ambos escapam de um atentado. Durante uma perseguição nas imediações do porto de Santos OSS conhece a jovem Anna, a quem dedica suas atenções. No entanto, seus inimigos ainda o perseguem e será necessário toda a sua astúcia para livrar Anna e a si mesmo de seus perseguidores. Finalmente um enviado do seu chefe o informa de sua missão. Trata-se de fazer malograr um plano que visa a destruição de uma república Latino Americana por meio de um ataque bacteriológico. Fazendo-se passar por um piloto, OSS consegue conquistar a confiança de um dos chefes da operação, um "gangster" francês emigrado para o Brasil, onde haviam sido instalados a fábrica e o laboratório necessários à operação. Depois de muitos perigos OSS consegue destruí-los e começar realmente suas férias.

 Direção: Pierre Kalfon

 

FUGA PARA A VITÓRIA (Dublado) – 1981

Minhateca / 4Shared

DIREÇÃO: John Huston

Elenco:

Sylvester Stallone … Capt. Robert Hatch
Michael Caine … Capt. John Colby
Pelé … Cpl. Luis Fernandez
Bobby Moore … Terry Brady
Osvaldo Ardiles … Carlos Rey
Paul Van Himst … Michel Fileu
Kazimierz Deyna … Paul Wolchek
Hallvar Thoresen … Gunnar Hilsson

Por acaso, vocês sabiam que o nosso saudoso Édson Arantes, ou apenas Pelé, já contracenou com o eterno Rambo, Sylvester Stallone, em um filme de guerra que tem como pano de fundo esse esporte que é tão idolatrado em nosso país e pouco reconhecido na terra do Tio Sam? Talvez não. E, por incrível que pareça, o resultado passou longe de ser algo tão bizarro assim.

A história se passa em um campo alemão de prisioneiros de guerra, onde o major Karl von Steiner (Max Von Sydow, de "O Exorcista"), que já tinha pertencido à seleção alemã de futebol, tem a idéia de fazer um jogo entre uma seleção dos prisioneiros aliados, liderados pelo capitão John Colby (Michael Caine, o Alfred de "Batman Begins"), um inglês que era um conhecido jogador de futebol. Colby também teria a tarefa de selecionar e treinar o time, para enfrentar o time alemão no Estádio Colombes, em Paris. Enquanto os nazistas, com exceção de Steiner, planejam fazer de tudo para vencer o jogo e assim usar ao máximo a propaganda de guerra nazista, os jogadores aliados planejam uma arriscada fuga durante a partida. Mais que um jogo, estamos falando de guerra! O objetivo: mais uma demonstração da superioridade da raça ariana. Sylvester Stallone (de "Rambo – Programado Para Matar") e Michael Caine comandam um time de futebol como nunca se viu, formado por Pelé, Bobby Moore e outras lendas do futebol internacional.

"Fuga Para a Vitória" é um filme de muita ação, suspense e grandes jogadas, onde o consagrado diretor John Huston (de "A Honra do Poderoso Prizzi") nos mostra heróis anônimos que colocam em risco sua liberdade para sentirem o sabor da vitória. Antes de tudo, é bom deixar bem claro que não se trata de um filme sobre futebol. É um bom drama de guerra, cujo roteiro foca a atenção da garra e persistência dos prisioneiros, que vêem na tal partida de futebol a grande chance de liberdade, alimentando um fio de esperança em suas vidas.

Por sinal, todo esse falso moralismo apresentado sobre a guerra em meio a jogos de futebol de maneira alguma chega a soar algo forçado. Tudo é realmente verdadeiro e provocativo de reflexões, tanto que o roteiro original previa que o filme fosse um drama baseado em uma história real ocorrida durante a 2ª Guerra Mundial, na qual um grupo de soldados aliados foi desafiado para uma partida de futebol contra militares alemães. O desafio dizia que, caso os alemães ganhassem, os prisioneiros seriam libertados na Suíça, enquanto que, caso os prisioneiros ganhassem, eles poderiam ser executados. Os prisioneiros decidiram jogar pela vitória, venceram a partida e, conseqüentemente, foram mortos.

Apesar de a história se mostrar um tanto monótona no decorrer da narrativa, o momento final vale a atenção dos fãs do esporte. Além de atuar, Pelé ajudou na criação das coreografias usadas na partida final do filme, que, por sinal, está digna do agrado de todo bom brasileiro. Bom lembrar que Pelé como ator mostra que é mesmo um excepcional jogador de futebol. Esboçando um inglês e tentando transmitir mensagens de confiança durante o filme, ele mostra realmente a que veio na cena da partida. Já Stallone como o goleiro do time, bem, ele continua sendo um bom "Rambo" e um "Rocky". Mas é exatamente aí onde mora a graça do longa: ver a habilidade do rei Pelé, com a forte presença de Stallone (pelo menos isso ele tem, admitamos), unidos às sempre ótimas performances dramáticas de Michael Caine e Max Von Sydow, é algo no mínimo, interessante.

"Fuga Pela Vitória" pode não ser um filme marcante, mas possui o roteiro bem equilibrado, sem nunca se mostrar tendencioso para um determinado aspecto – sejam as críticas ao sistema da guerra, as lições de companheirismo, a luta pela esperança, e claro, as cenas de esporte. Além disso, é um filme que merece ser visto pelo simples e único fato de ver atores de renome como Max Von Sydow e Michael Caine jogando – ou pelo menos, tentando – uma partida de futebol, juntamente com nosso rei Pelé. Ou você acha que terá alguma oportunidade de ver Sylvester Stallone como goleiro de um time em outro lugar? Estranho, sim, porém muito divertido.

 

Os Meninos do Brasil (1978) / Mega 

Senha: marujopanda&teladecinema (Tudo Minúsculo)

DIREÇÃO: Franklin J. Schaffner

Elenco:

Gregory Peck … Dr. Josef Mengele
Laurence Olivier … Ezra Lieberman
James Mason … Eduard Seibert
Lilli Palmer … Esther Lieberman
Uta Hagen … Frieda Maloney
Steve Guttenberg … Barry Kohler
Denholm Elliott … Sidney Beynon
Rosemary Harris … Mrs. Doring
John Dehner … Henry Wheelock

O ensandecido médico Joseph Mengele (Gregory Peck), que fez milhares de experiências genéticas com judeus (inclusive crianças), vive no Paraguai e planeja o nascimento do 4º Reich. Para obter tal objetivo, faz 94 clones de Hitler quando ele era um garoto. Mas isto não basta, pois diversas variáveis necessitam serem criadas para traçar o perfil psicológico de Hitler. Entretanto Ezra Lieberman (Laurence Olivier), um judeu que é um caçador de nazistas, descobre a trama e tenta impedir que tal plano se concretize.

– Quando Os Meninos do Brasil estava sendo produzido o verdadeiro Dr. Josef Mengele ainda estava vivo e morando em São Paulo. Mengele faleceu em 1979, poucos meses após o lançamento do filme. 

 

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 PREDADORES (2010) / MEGA / Minhateca (DUBLADO)

O que dizer de um filme, sem boas sequências, se reinventar? Se você acha bom, que ótimo, mas, no meu caso, bato palmas para a pretensão de Robert Rodriguez de querer sustentar mais um capítulo de uma história que deveria ter parado no primeiro filme. A coragem de confrontar os fãs de O Predador é digna de atenção.

Não achei que foi dessa vez que alguém fez algo significativo em relação a essa história. Tudo bem que Rodriguez pode ter pensado em prestar uma homenagem à produção que tanto admirava, mas esse revival não foi tão bem planejado.

Predadores é um joguete na mão do espectador que, no susto, vê mercenários caírem do céu, numa terra nada prometida. A história é simples e com enredo linear. Aquele começo, meio e fim que um filme de ação e suspense estão longe de dispensar, porque funcionam muito bem. Porém, mesmo seguindo essa fórmula, o longa se perde por conta do roteiro mal montado. Parece que tudo ali não precisa de uma explicação. Para quem conhece O Predador (1987), de John McTiernan, fica até fácil engolir e digerir a nova produção. É o suficiente. Mas, para quem não conhece a história inicial, entender qual o objetivo dos personagens é um obstáculo, pois nada remete a nada.

Oito dos maiores assassinos da Terra são deixados à própria sorte em um planeta desconhecido que, à primeira vista, é coberto por uma densa floresta tropical - cenário clássico, assim como no primeiro filme. O que podemos entender é que esse é o lugar no qual os predadores usam como terreno de caça e jogam com os seus “brinquedinhos”. Mas o porquê daquelas pessoas estarem ali é outro mistério. O diferencial é que na produção de Rodriguez os personagens são “sortidos”, porque antes só militares eram escalados para as missões. Neste filme, há presidiários, um integrante da Yakuza, militares, um médico...

Vemos no elenco Adrien Brody, Alice Braga e Danny Trejo como os grandes destaques. Mas nem sempre o fato de se ter atores de renome em um projeto é sinal de bom resultado, pois, quando vejo um filme, a primeira coisa que eu quero é criar uma empatia com o personagem, pois é por meio dele que vinculamos uma conexão entre realidade e ficção. Senti falta disso em Predadores.

Quando Arnold Schwarzenegger e Carl Weathers caçavam os alienígenas no primeiro filme, mesmo com as falas curtas, porém incisivas, você conseguia sentir um apego pelo herói que cada um representava. O monstro tinha de ser destruído e eu torcia muito por isso. Mas parece que não só na obra de Robert Rodriguez, mas também como nas últimas filmagens feitas sobre o bicho-papão de dreads, a vontade se torna contrária. Neste caso, acho o inimigo tão gente boa que rezo para que ele destrua todos os humanos que encontrar.

Em Predadores, infelizmente, não dá para gostar de nenhum personagem. Quando Adrien Brody abre a boca e usa um tom de voz parecido com o do Clint Eastwood, dou risada. O ator é bom, mas não me convenceu bancando o bad boy e “pagando” tanquinho. Daí, dou pontos para Alice Braga que parece carregar o elenco nas costas como a chefona da turma. Danny Trejo, com aquele peculiar “tipão” mal-encarado, não mata nem mosca. Laurence Fishburne também surge na trama, mas apagado e com pinta de maluco. O resto dos atores faz o que todos os outros fazem: salvam suas peles.

A música que envolve as cenas é o que transmite a tensão do filme e os pontos mais intensos da história são salvos graças à trilha instrumental assinada por John Debney. Mais uma vez traçando uma comparação, nos anos 80, o pano de fundo dos longas era o rock and roll; o que não caberia em Predadores, pois o tom formal entre os personagens só abre brecha para uma orquestra sombria.

Nem tudo está perdido. Os fãs poderão, em certas partes do filme, perceber várias menções a O Predador que os roteiristas Alex Litvak e Michael Finch incluíram no longa. Além disso, a direção de arte também teve o cuidado de não modificar o monstro para que sua originalidade não fosse perdida, embora novas raças de predadores, mais sádicas e destrutivas, possam ser conhecidas.

Sob essa perspectiva, passa pela minha cabeça que a produção de Robert Rodriguez pode até virar um hit cinematográfico para os amantes de seus trabalhos, mas continuo com o pensamento de que essa reciclagem constante e desnecessária de clássicos encalha nas locadoras. Talvez, por isso, seja melhor manter as boas lembranças de sucessos antigos onde sempre deveriam estar: no passado.

 

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EU SOU A LENDA (2007)

MINHATECA (DVD-R)

A adaptação do livro homônimo de Richard Matheson é estrelada por Will Smith (indicado ao último Oscar por À Procura da Felicidade) e dirigida por Francis Lawrence em sua segunda incursão no cinema - a primeira foi em 2003, em Constantine. Trabalhando novamente com muitos efeitos especiais, numa produção mais grandiosa ainda, Lawrence prova ser capaz de impressionar o espectador ao injetar certa realidade a situações fantasiosas.

E, de fato, Eu Sou a Lenda é o tipo de filme que costuma fazer sucesso nos cinemas ao misturar o carisma de um ator do porte de Will Smith a caprichados efeitos especiais e um enredo apocalíptico. Na história, ele interpreta o cientista e militar Robert Neville. Em 2009, uma cientista (Emma Thompson) anuncia ter conseguido modificar um vírus para que ele possa se reverter como uma cura ao câncer. Muito bonito, mas a experiência sai do controle e, a longo prazo, a tal cura acaba tornando-se o mal que destruirá a humanidade, uma vez que a substância transforma seus hospedeiros em verdadeiros monstros: extremamente ágeis, fortes, violentos e sedentos por carne - como uma mistura de assustadores zumbis e vampiros, já que têm aversão aos raios solares. Três anos depois, Neville vive absolutamente sozinho em Nova York, pois, de alguma forma, ele é imune ao vírus, que se espalha no ar. Como companhia, ele tem a cachorra Sam, treinada para ser sua companheira e aliada na sobrevivência. E isso inclui caçadas a animais silvestres que invadiram a cidade, transformando a ilha de Manhattan em uma verdadeira selva não somente de pedra, mas também vegetais.

Para os brasileiros, existe um elemento curioso em Eu Sou a Lenda: a presença de Alice Braga (Cidade Baixa, Cidade de Deus) como elemento fundamental no longa-metragem. A musa, sobrinha de Sonia Braga, não aparece muito no filme, mas seu papel é bastante importante como um dos poucos seres humanos vivos nessa realidade apocalíptica.

O que mais impressiona em Eu Sou a Lenda são os efeitos especiais e a grandiosidade da produção. Quero dizer, o filme transforma Nova York num amontoado de cimento, vidro e plantas, totalmente abandonada; já na primeira cena, o personagem de Smith caça animais, que trafegam em meio a carros abandonados. A ambientação lembra o que imaginei de São Paulo enquanto lia Blecaute, de Marcelo Rubens Paiva. Neste filme, a reprodução e destruição de Nova York são feitas de uma forma totalmente realística, assim como a criação dos animais e das assustadoras criaturas que passam a habitar Manhattan. Até a forma como a companheira canina de Robert Neville interage com ele é realista, graças ao incrível treinamento que o animal recebeu para o filme.

São muitos os filmes que imaginam essa realidade apocalíptica - como Extermínio, para citar uma produção recente -, mas Eu Sou a Lenda se diferencia por explorar de forma tão realista essa realidade. Will Smith é capaz de injetar humor e drama ao personagem, mostrando, mais uma vez, como é um excelente ator. Ao mesmo tempo, Lawrence utiliza-se da ausência de luz e som em alguns momentos para criar o clima claustrofóbico que remete à solidão sentida por personagem. 

Anaconda (1997) / MEGA

Grupo entra na Floresta Amazônica com o objetivo de fazer um documentário sobre uma tribo indígena e, durante a jornada, conhecem Paul Sarone (Jon Voight), um insano caçador que deseja capturar viva uma anaconda, uma cobra que pode atingir doze metros de comprimento.

A Saga Crepúsculo: Amanhecer Parte 1 (2011) / MEGA

" Breaking dawn- Part 1", de Bill Condon (2011)

Edward e Bella dessa vez se casam, e passam sua lua de mel no Rio de Janeiro, onde têm sua primeira noite de amor. Passam-se uns dias, e Bella percebe que está grávida. Porém, a gravidez faz mal para ela, pois o bebê está sugando todas as suas energias e a está matando. Ao mesmo tempo, a clã dos lobisomens planejam matar Bella, pois ela está gerando o filho de um vampiro que irá desequilibrar a relação entre humanos e lobos.
A adaptação do último livro, "Amanhecer", foi dividida em duas partes. Claro, dinheiro sempre é bom em caixa, e esse filme foi o responsável pela maior arrecadação em uma estreia na história do Brasil, foram mais de 1 milhão e 700 mil espectadores no final de semana de estréia. O diferencial aqui é o pedigree da direção, no caso, Bill Condon, respeitável cineasta autoral, que fez entre outros, "Deuses e monstros", biografia do diretor James Whale. Mas Bill Condon não é mágico, e fazer um filme com um texto tão frágil não é tarefa para qualquer um. Sim, o filme se baseia no carisma do trio principal, mas isso não foi suficiente. O roteiro é ingênuo, e o filme tem problema de ritmo, ele é bem chato. Nessa primeira parte, privilegia-se o romance, mais do que a ação, que somente acontece no final, e mesmo assim, muito pouco. Algumas cenas são bem toscas, como por exemplo, as cenas na Lapa, do Rio de Janeiro, mostrando uma figuração forçada. Edward falando em português também ninguém merece. O casal de caseiros também é péssimo. A cena dos lobos discutindo em voz off, inacreditável. O que se salva é uma cena de efeito, com a transformação de Bella, que é bonita.

 

007 Contra o Foguete da Morte (1979) / MINHATECA / Mega

O agente secreto 007 é encarregado de investigar o misterioso desaparecimento do Moonraker, moderna nave espacial capaz de entrar em órbita e retornar à Terra como um avião. Ela foi emprestada pelos Estados Unidos à Grã-Bretanha e sumiu sem deixar vestígios, quando estava sendo transportada. Convocado pelo MI6 (o Serviço Secreto Britânico), a primeira parada de Bond é na Califórnia, onde estão as Indústrias Drax, que produzem os Moonraker. Ao chegar aos Estados Unidos, o espião vai encontrar a Dra. Holly Goodhead, que na verdade é uma agente da CIA (o Serviço Secreto Americano) infiltrada nas empresas de Hugo Drax.Ela também quer descobrir porque o Moonraker desapareceu.

Após quase morrer nas dependências de Drax, 007 consegue ter acesso aos planos do empresário e segue para Veneza. Na cidade, descobrirá um laboratório clandestino em que é produzida uma nova substância, capaz de levar qualquer ser humano à morte em segundos. Curiosamente, outros animais e plantas não são afetados. Da Itália, ele voa para o Rio De Janeiro. No Brasil, finalmente, o quebra-cabeça da trama terá a última peça encaixada. Drax seqüestrou o Moonraker para completar uma frota paralela destas espaçonaves. Com elas, levará para o espaço as cápsulas de destruição da espécie humana e vários homens e mulheres perfeitos. Em sua mente doentia, os casais serão os pais da nova civilização, do qual Drax será o senhor supremo. Com a ajuda de Goodhead, Bond viajará ao espaço e lá enfrentará o lunático empresário. Para salvar a humanidade.

Amazônia (2013) / Minhateca

Direção: Thierry Ragobert

Castanha é um macaco-prego domesticado que sobrevive a um acidente de avião e se vê sozinho na mata fechada. O macaquinho precisa aprender a viver em liberdade, num novo mundo onde há animais de todos os tipos: onças, jacarés, cobras, antas, gaviões. Aos poucos, Castanha aprende a viver na floresta, fazendo novos amigos, em especial a macaquinha Gaia, sua companheira de espécie.

Bem-Vindo à Selva (2004) / MEGA

Travis (Seann William Scott) é um jovem de família rica que foi para a Amazônia em busca de uma mina de ouro perdida, popularmente chamada de Helldorado. Para encontrá-lo sua família contrata Beck (The Rock), que parte para o Brasil à sua busca. Após alguns desentendimentos iniciais, Travis convence Beck a ajudá-lo em sua busca. Porém eles precisarão enfrentar Hatcher (Christopher Walken), o chefe de uma mineradora, que também está em busca de Helldorado.

Elenco:

Dwayne "The Rock" Johnson (Beck)

Seann William Scott (Travis Alfred Walker)

Rosario Dawson (Mariana)

Christopher Walken (Cornelius Bernard Hatcher)

Ewen Bremmer (Declan)

Cauã Reymond (Michael)

Jon Gries (Harvey)

William Lucking (Walker)

Ernie Reyes, Jr. (Jay Carillo "Manito")

Stuart F. Wilson (Swenson)

Dennis Keiffer (Naylor)

Garrett Walken (Henshaw)

Paul Power (Martin)

Arnold Schwarzenegger (patrono do bar)

Direção: Peter Berg

 Imagem

A FLORESTA DAS ESMERALDAS (1985)

4Shared Parte01 / Parte02 / Parte03 /        Minhateca /      MEGA Parte01 / Parte02 / Parte03

DIREÇÃO: John Boorman

Powers Boothe … Bill Markham
Meg Foster … Jean Markham
Yara Vaneau … Heather
William Rodriguez … Tommy
Estee Chandler … Heather Markham
Charley Boorman … Tomme
Dira Paes … Kachiri
Eduardo Conde … Uwe Werner
Ariel Coelho … Padre Leduc
Peter Marinker … Perreira
Mario Borges … Costa
Átila Iório … Trader
Gabriel Archanjo … Trader’s Henchman
Gracindo Júnior … Carlos

 Powers Boothe interpreta Bill Markham, um engenheiro que parte para o Brasil com sua família para concluir a construção de uma grande hidrelétrica na Floresta Amazônica. Para montar o empreendimento, será necessário devastar diversas áreas verdes e desabitar todas as comunidades que trabalham e vivem na região. Uma tribo indígena conhecida como “Invisible People” e “Gente Invisível”, em tradução livre – descobre a notícia e, como forma de vingança, seqüestra Tommy, o filho de apenas sete anos de idade do engenheiro, durante um piquenique da família. Segundo um dos integrantes do grupo, é injusto que uma criança fique sob os cuidados de uma pessoa estranha capaz de destruir o mundo por conta da sua megalomania. Bill até tenta correr atrás de seu filho, mas não consegue. Depois deste fato, o filme dá um salto de 10 anos. A construção da represa está a um passo da conclusão, Tommy, ou melhor, Tommé, como passa a ser chamado, adota o idioma, a cultura e os costumes da comunidade indígena, e Bill volta a se encontrar com o seu filho. Num primeiro momento, o reencontro é constrangedor. Ele não enxerga no homem selvagem a imagem do garoto. Mas, quando os companheiros de Tommé são ameaçados por outra tribo, Bill decide se reaproximar e ajudar o seu filho. 

Fitzcarraldo (1982) / MEGA Parte01 / Parte02

Brian Sweeney Fitzgerald ("Fitzcarraldo", na pronúncia dos nativos), fã do tenor italiano Enrico Caruso, sonha em construir uma casa de ópera na remota cidade de Iquitos, no alto Amazonas. Fitzgerald já havia investido numa Estrada de Ferro, a Transandina, e falhara. Tentava conseguir os recursos com um novo empreendimento, uma fábrica de gelo. Graças a esses negócios improváveis, ele foi chamado de "Conquistador do Inútil". Finalmente, consegue dinheiro de sua amante, dona do bordel da cidade, e compra um grande barco fluvial, tentando encontrar uma nova rota para transportar a borracha, de terras que conseguiu a autorização governamental para explorar.

Com o navio, Fitzgerald se dirige ao local onde quer explorar a borracha. Alucinado, transpõe morros e matas com o barco, à custa de vidas humanas e muito sofrimento.

Direção: Werner Herzog

Elenco:

Klaus Kinski … Fitzcarraldo

José Lewgoy … Don Aquilino

Miguel Ángel Fuentes … Cholo

Paul Hittscher … capitão Orinoco Paul

Huerequeque Enrique Bohorquez … Huerequeque, o cozinheiro

Grande Otelo … chefe da estação

Peter Berling … gerente da ópera

David Pérez Espinosa … chefe indígena

Milton Nascimento … negro no teatro

Ruy Polanah … barão da borracha

Salvador Godínez … velho missionário

Dieter Milz … jovem missionário

William L. Rose … notário

Leoncio Bueno

Claudia Cardinale … Molly

 STIGMATA (1999) / MINHATECA

DIREÇÃO: Rupert Wainwright

ELENCO:

Patricia Arquette — Frankie Paige

Gabriel Byrne — Padre Andrew Kiernan

Jonathan Pryce — Cardeal Daniel Houseman

Nia Long — Donna Chadway

Thomas Kopache — Padre Durning

Rade Šerbedžija — Marion Petrocelli

Enrico Colantoni — Padre Dario

Dick Latessa — Padre Gianni Delmonico

Portia de Rossi — Jennifer Kelliho

Patrick Muldoon — Steven

Ann Cusack — Dra. Reston

Belo Quinto, uma fictícia cidade no sudeste do Brasil, recebe a visita do padre Andrew Kiernan (Gabriel Byrne), que foi mandado pelo Vaticano para investigar uma igreja que tem a estátua de uma santa que verte lágrimas de sangue. Lágrimas estas que começaram no dia em que o padre Paulo Almeida, o responsável pela igreja, morreu. Enquanto Kiernan fotografava a estátua, que sangrava, um garoto furta um rosário que estava junto do corpo do falecido e vende o terço para uma turista, que por sua vez manda de presente para Frankie Paige (Patricia Arquette), sua filha, que é cabeleireira em Nova York. Em pouco tempo, ela passa a ser vítima de “estigmas”, chagas idênticas às de Cristo, e é Andrew Kiernan o encarregado de investigar o fenômeno. Inicialmente Kiernan descarta a possibilidade dos “estigmas”, pois todos os “estigmatas” são pessoas bastante religiosas e Paige não acredita em Deus. Mas Kiernan vê o suficiente para quebrar os padrões estabelecidos pelo Vaticano, e acredita que se ele não fizer nada, Frankie pode morrer. Gradativamente, ele pass a suspeitar que seu superior, o cardeal Daniel Houseman (Jonathan Pryce), não quer que toda a verdade venha à tona. 

 

 

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Eu, Você, Ele e os Outros (Dublado, 1984) / Minhateca

Greg Wonder (Bud Spencer) e Eliot Vance (Terence Hill) não tem nada em comum e, mesmo estando a milhares de quilômetros de distância um do outro, são contratados para um serviço ultra-secreto, que será muito bem pago por uma organização anônima. A missão é que a dupla substitua dois primos, Bastiano e Antonio Coimbra de la Coronilla y Azevedo, que são muito parecidos com eles. O motivo é que os primos têm recebido seguidas ameaças de morte, já que seus rivais querem impedir que eles assinem um importante contrato. Greg e Eliot precisam substituir os primos em todas as situações e, caso descubram quem está fazendo as ameaças, receberão um bônus de US$ 500 mil cada um. Eles então partem para o Rio de Janeiro, com a missão de sobreviver e conquistar o bônus prometido.

LOPE (2010) Minhateca / Legenda

Direção: Andrucha Waddington

Elenco:

Alberto Ammann como Lope de Vega

Leonor Watling como Isabel de Urbina

Pilar López de Ayala como Elena Osorio

Antonio de la Torre como Juan de Vega

Juan Diego como Jerónimo Velázquez

Luis Tosar como Frai Bernardo

Ramón Pujol como Claudio

Selton Mello como Marqués de Navas

Sônia Braga como Paquita

Jordi Dauder como Porres

Miguel Angel Muñoz como Tomás de Perrenot

Antonio Dechent como Salcedo

Carla Nieto como María de Vega

Lope de Vega (Alberto Ammann) descansa junto com outros homens enquanto assiste alguns jovens voltando para casa. Escutamos a sua voz narrando uma carta enviada para a mãe, Paquita (Sônia Braga). Ele está voltando para Madrid, “cheio de orgulho”, após ajudar outros espanhóis a ganhar a Batalha da Ilha Terceira contra os franceses, em 1582, nos Açores. Com a ajuda de um amigo, Lope se veste bem e monta em um cavalo branco para chegar de forma triunfante na casa materna. Aparenta ter condições que, na verdade, não possui. A mãe doente lhe recebe com alegria, mas em pouco tempo ele terá que se virar sozinho. Para isso, busca o caminho da corte e do teatro, escrevendo peças para Jerónimo Velázquez (Juan Diego).

O JARDINEIRO FIEL (2005) Dublado Minhateca

DIREÇÃO: Fernando Meirelles

Elenco:

Ralph Fiennes - Justin Quayle 
Rachel Weisz - Tessa 
Daniele Harford - Miriam 
Danny Huston - Sandy 
Bill Nighy - Sir Bernard Pellegrin 
Hubert Koundé - Arnold Bluhm 
Richard McCabe - Ham 

The Constant Gardener apresenta a trajetória de Justin Quayle, um diplomata britânico lotado em Nairóbi, no Quênia, que decide investigar as razões do assassinato de sua esposa Tessa, uma ativista de direitos humanos.

No início, o interesse de Justin em jardinagem, aparentemente, é maior do que aquele pelos acontecimentos a sua volta. Escalado para substituir um colega em uma palestra, ele conhece e acaba se apaixonando por Tessa, após um breve desentendimento entre ambos devido à política externa britânica. Justin é transferido para a África e casa-se com Tessa, que por não conseguir controlar seu idealismo acaba por ser bastante criticada pelos colegas de Justin. Numa viagem a trabalho, Tessa é assassinada em condições muito suspeitas e todos tentam fazer Justin acreditar que ela o traía com Arnold, um médico que trabalhava junto com ela.

Ao persistir na investigação do assassinato de sua esposa, mesmo recebendo ameaças e "avisos" de amigos, Justin descobre-se em meio a uma teia de revelações mais profunda: sua esposa estava envolvida numa investigação sigilosa sobre uma conspiração internacional envolvendo governos e multinacionais do setor farmacêutico e testes de medicamentos em seres humanos. Segundo a investigação, sob o pretexto de ajudar a prevenir a disseminação da AIDS e distribuir gratuitamente medicamentos para seu tratamento no Quênia, uma grande empresa testava um novo medicamento contra a tuberculose e ocultando, pela manipulação dos testes, seus severos efeitos colaterais.

Após planejar como trazer a público a informação sobre todos os envolvidos no caso, Justin prepara-se para enfrentar seu destino, no mesmo lugar em que sua esposa foi assassinada, num final bastante diferente do que seria esperado.

 

Breaking Through (2015) / MINHATECA

Um filme de John Swetnam com Anitta, Bruna Marquezine, Jordan Rodrigues, Carlito Olivero

Breaking Through conta a história de Kacy (Sophia Aguiar). Ela é uma dançarina amadora que alcança o sucesso através de vídeos publicados YouTube. Com o reconhecimento, ela deixa o trabalho como vendedora de loja. Bruna Marquezine interpreta Roseli, colega de trabalho de Kacy, que acaba tendo inveja da amiga. 

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O QUINTO MACACO (1990) / MINHATECA

 Direção: Eric Rochat

Elenco:

Antonio Ameijeiras First Man

Ariel Coelho Pastor

Catalina Bonakie Old Lady at Dinner

Chico Expedito Miner

Enrique Diaz Miner (as Enrique Díaz)

Henrique Cuckerman Store Owner

Katia Bronstein Mrs. Tramp

Lourival Felix Man 1 (Warehouse)

Romeu Evaristo Man 4

Tania Boscoli Widow

Vera Fischer Mrs. Watts

No Brasil, caçador de cobras que tenta juntar dinheiro suficiente para se casar com sua amada encontra cinco misteriosos chimpanzés. Ele entra numa corrida para conseguir vender os animais, ganhando muito dinheiro com isso, mas no meio do caminho acaba criando uma relação de amizade e descobrimento pelos macacos.

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"Elysium", de Neil Blomkamp, (2013) / MEGA

Durante toda a projeção de "Elysium", era impossível não me lembrar o tempo todo de "Distrito 9", filme anterior de Blomkamp e que o projetou internacionalmente: as locações super-povoadas e tudo com cara de barracos de favela, as naves espaciais que mais parecem lixo reciclado, os robôs a serviço do Governo e mais, personagens contraditórios, que ora passeiam pelo bom mocismo, ora pelo vilanismo. No ano de 2054, O mundo está super-povoado e não há mais espaço em terra para abrigar tanta gente desassistida. Os mais ricos seguiram para uma Estação espacial chamada "Elysium", comandado pelo Presidente e por uma chefe Governamental (Jodie Foster). Ela planeja um golpe de estado para poder dominar essa Estação. O que ela não esperava, é que um cidadão comum, Max (Matt Damon), siga clandestinamente até essa Estação, em busca de uma cura para a sua radiação acidental, que o levará à morte em 5 dias. O filme tem como maior mérito fazer um mix de atores em seu casting gigantesco. Atores americanos, sul africanos e latinos (mexicanos e brasileiro) se revezam em papéis de igual importância. Sim, Wagner Moura e Alice Braga têm papéis importantíssimos na trama, acompanhando o filme do início ao fim. Uma excelente entrada de Wagner Moura nos filmes americanos. Seu personagem é muito bem desenvolvido, o mais divertido com certeza e debochado. Impossível para a platéia brasileira não achar graça de seus cacoetes. Alice Braga repete o seu papel no filme "Eu sou a lenda": a mãe super=mega protetora, que protege seu filho como uma leoa protegeria seu filhote. Sharlto Copley, que foi o protagonista de "Distrito 9", agora faz um mega-vilão, e na cena final lembra uma batalha do "Robocop" contra um outro robô. Diego Luna, excelente ator mexicano, está aqui em um papel importante e confere dignidade ao personagem. Tecnicamente o filme é ótimo, com excelente efeitos especiais. Blomkamp tem uma carreira muito interessante: os seus filmes trabalham com o tema do humanismo. Os seus protagonistas são pessoas comuns, que resolvem lutar contra o Sistema em prol do bem da humanidade. A mensagem, mesmo que ingênua, emociona. Max é quase que um Messias, que carrega uma Missão na terra. E assim prossegue o personagem de Matt Damon, nessa evolução quase predestinada. Mas o roteiro carrega vários exageros: a maca médica, que cura qualquer doença; os vôos projetados pelo personagem de Wagner Moura até a Estação de Elysium (como assim, Elysium não consegue rastrear de onde veem essas naves clandestinas?). Muito mais questões que nem comentarei para não dizerem que sou cri-cri. Mas algo que realmente me incomodou foi o excesso de melodrama e excesso de vilões. Nossa, dá até pena do Max: quanta função, ele ter que ajudar tanta gente!

 

ÁGUA NEGRA (Dark Water, 2002) Dublado Minhateca

DIREÇÃO: Walter Salles

Elenco:

Jennifer Connelly como Dahlia Williams
John C. Reilly como Sr. Murray
Tim Roth como Jeff Platzer
Dougray Scott como Kyle
Ariel Gade como Ceci
Pete Postlethwaite como Veeck
Perla Haney-Jardine como Natalia / Dahlia – jovem
Camryn Manheim como “professora”
Matthew Lemche como Steve
Elina Löwensohn como “Mãe de Dahlia”
Debra Monk como “Professora de Dahlia quando jovem”

Antes de tudo, é bom deixar claro que Água Negra não é um filme de terror. Tem alguns toques de suspense, mas o drama prevalece. Por isso, não chegue à sala de cinema achando que vai levar sustos fortes ou ver tensão na tela, para não se decepcionar.

Dessa forma, esta refilmagem de um filme japonês (o que já está se tornando clichê em se tratando de Hollywood) diferencia-se das outras, como O Chamado e O Grito. Água Negra é baseado em Dark Water (2002), filme dirigido por Hideo Nakata (criador da franquia de terror Ringu, que deu origem a O Chamado). O próprio filme original já foge um pouco do terror e, com a mão de Salles, o drama continua. Muito bem, por sinal.

O filme conta a história de Dhalia (Jennifer Connelly). Mãe de Ceci (Ariel Gade), ela acaba de se divorciar e está no meio de um complicado processo judicial na disputa pela guarda da filha. Ao mesmo tempo, deve lidar com os problemas que teve no passado com a mãe alcoólatra. A perspectiva de um novo apartamento parece renovar as esperanças tanto de Dhalia quanto de Ceci. Mas o orçamento curto só permite adquirir um imóvel longe do centro da cidade de Nova York, onde vivem. Elas alugam um apartamento num prédio velho, cheio de infiltrações. Logo os problemas estruturais chegam no apartamento de Dhalia, quando uma enorme infiltração invade o teto de seu quarto. Os apelos ao mal-humorado síndico Veeck (Pete Postlethwaite) não adiantam. Nem mesmo a intervenção do agente imobiliário que alugou o apartamento, Murray (John C. Reilly), é capaz de deter a infiltração.

Investigando as origens da goteira, ela descobre que o apartamento sobre o seu, aparentemente vazio, está alagado porque alguém deixou as torneiras abertas. Misteriosamente, ele nunca seca, mesmo quando Dhalia as fecha. Enquanto isso, Ceci começa a falar sobre uma amiga imaginária, mas sua mãe não dá muita bola, somente quando a filha começa a agir de forma estranha e violenta.

Enquanto Dhalia tenta descobrir de onde vem tanta água, somos envolvidos em uma trama sobrenatural. Para quem já viu a versão original, vale lembrar que algumas partes da trama foram modificadas (especialmente em relação ao final) para melhor. Assim como o Dark Water de Nakata, não é uma produção sobre fantasmas, mas sim sobre a maternidade e o abandono. O banho de sangue dos tradicionais filmes de terror dá lugar à água negra, que jorra e escorre pelas paredes do apartamento. Salles transforma Nova York em Londres com a chuva que nunca pára de cair.

Este é o primeiro filme de produção norte-americana dirigido pelo brasileiro Walter Salles. E todos sabem que poucos cineastas dirigindo nos EUA têm controle de sua própria obra, que acaba ficando na mão dos produtores. Portanto, não é de se estranhar a ausência das marcas do cinema de Salles em Água Negra. Nem mesmo as reclamações do diretor sobre o resultado final, como se tem lido por aí. Mesmo assim, Água Negra tem uma direção competente, assim como a bela fotografia, dirigida por Afonso Beato. O filme também é apoiado no talento incontestável dos atores. Dessa forma, por mais que o filme não cumpra as expectativas - como um suspense e como um filme de Walter Salles -, não deixa de ser acima da média.

TURISTAS (2006) Dublado / Minhateca

Direção: John Stockwell

Elenco: 

Josh Duhamel ... Alex Trubituan

Melissa George ... Pru Stagler

Olivia Wilde ... Bea Trubituan

Desmond Askew ... Finn Davies

Beau Garrett ... Amy Harrington

Max Brown ... Liam Kuller

Dawn Olivieri ...Dana

Agles Steib ... Kiko

Miguel Lunardi ... Dr. Zamora

Olga Diegues ... Annika

Jorge Só ... Motorista

Cristiani Aparecida ... Native Beauty

Lucy Ramos ... Arolea

Andréa Leal ... Camila

Diego Santiago ... Jacaré

Marcão ... Ranan

Arthur Materialista da Amanda ... Rins

Miguelito Acosta... Jamoru

Os irmãos Alex (Josh Duhamel) e Bea (Olivia Wilde), ambos americanos, estão entre os passageiros de um ônibus brasileiro, que carrega turistas e brasileiros. Eles estão com Amy (Beau Garrett), a melhor amiga de Bea, com todos decididos a aproveitar da melhor maneira possível os encantos do Brasil. Porém o motorista perde o controle do ônibus e o trio por pouco não consegue escapar do acidente, antes que o ônibus caísse em um penhasco. O trio se junta à australiana Pru (Melissa George) e aos britânicos Finn (Desmond Askew) e Liam (Max Brown), que também sobreviveram ao acidente. O grupo decide ir até a praia para encontrar um bar que Finn e Liam ouviram falar, ao invés de esperar com os moradores locais por um novo ônibus. Lá, eles encontram bebidas exóticas e pessoas dançando, o que faz com que todos se divirtam. Porém logo eles começam a se sentir mal e desmaiam, acordando horas depois sozinhos na praia. O grupo foi roubado, sendo que agora todos estão sem seus passaportes e sem dinheiro algum. Eles chegam à uma cidade próxima, onde reencontram Kiko (Agles Steib), um adolescente brasileiro que conheceram na festa da noite anterior. Kiko lhes oferece uma casa na floresta, onde todos podem se hospedar. Eles aceitam a oferta, já que na vila há pessoas que usam métodos brutais e não têm nenhuma compaixão por turistas. Quando percebem, eles caem nas garras de uma quadrilha de tráfico de orgãos e o pesadelo está só começando.

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Um Drink no Inferno 3 - A Filha do Carrasco (From Dusk Till Dawn 3: The Hangman's Daughter, 2000) Dublado

Minhateca / MEGA

No início do século XX, já no final da sua vida, Ambrose Bierce (Michael Parks), herói da Guerra de Secessão e escritor, foi ao México juntar-se às forças revolucionárias de Pancho Villa. Paralelamente Johnny Madrid (Marco Leonardi), um perigoso fora-da-lei, não é enforcado quando é salvo por uma atiradora misteriosa, Catherine Reece (Jordana Spiro), uma americana. Na fuga Madrid leva Esmeralda (Ara Celi), a bela filha do carrasco. Com o carrasco e uma companhia na sua pista, Johnny se encontra com sua quadrilha para roubar uma diligência, na qual viaja Bierce com John (Lennie Loftin) e Mary Newlie (Rebecca Gayheart), que se casaram recentemente. Madrid consegue assaltar a diligência, mas não encontra nada de valor. Ele não mata os passageiros, que são obrigados a andar. Quando a noite cai todos coincidentemente procuram abrigo em uma isolada hospedaria, que é também um bordel, comandado por vampiros e liderados por Quixtla (Sônia Braga), a grã-sacerdotisa que quer Esmeralda, pois a filha do carrasco é em parte meio-humana e em parte Santanico Pandemonium, uma princesa-vampiro que os vampiros querem como sua sucessora. Assim os humanos precisam juntar todas as suas forças se quiserem sobreviver a esta noite, na qual perigosos chupadores de sangue estão determinados em transformá-los em vampiros.

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O RITUAL (2011) Dublado / Mega

Filmes baseados ou inspirados em fatos reais possuem a característica de serem levados a sério por uns e totalmente desacreditados por outros. Uma das prováveis razões do preconceito foi a enxurrada de produções do gênero no auge do video cassete (o famigerado VHS), quando muitos títulos iam direto para a televisão e locadoras. O Ritual foi inspirado no livro de um jornalista que conviveu durante um período com padres exorcistas de verdade.

O início tem um tom sombrio e conta com a presença de um ator velho conhecido do pessoal do VHS: Rutger Hauer. Na cena em questão, ele e o pequeno Michael estão numa funerária preparando um morto antes de seu enterro. Logo em seguida, é possível ver Michael Kovak (Colin O'Donoghue) já maior e decidido a não seguir a carreira do pai. Vivendo como seminarista, seu maior fantasma é a constante ausência de fé e a vontade de abandonar tudo. Diante do conflito do apóstolo, seu superior o envia ao Vaticano para realizar estudos sobre a prática de exorcismos e onde seu conhecimento de psicologia poderá ser útil. Após aulas sobre sinais de possessão e outros detalhes sinistros, ele ainda se mantém cético. Para sacramentar de vez a situação, o Padre Xavier (o ótimo Ciarán Hinds) sugere uma visita ao jesuíta Lucas (Anthony Hopkins), considerado "o papa" dos exorcismos". É quando Kovak, finalmente, entra em contato com o lado mais obscuro da igreja, objeto de investigação da jornalista Angeline (Alice Braga).

Tendo como espinha dorsal o questionamento religioso, moral e familiar do protagonista, os diálogos não chegam a ser pérolas, mas têm lá seu brilho para envolver o espectador naquela aura de mistério. E conseguem ser provocativos em vários momentos com frases do tipo "Não acreditar não significa que está protegido". Entre as cenas de ação, a maioria delas protagonizada por uma grávida possuída, uma em especial é violentamente assustadora e envolve uma criança, mas o melhor é que você não vê. Só imagina. No elenco, para a tranquilidade do fãs, Sir Hopkins convence como Lucas, mesmo que possuindo fortes traços de Hannibal Lecter de O Silêncio dos Inocentes. Quem gosta de observar detalhes, a câmera picada mostrando a vítima do atropelamento na posição de Jesus Cristo na cruz é até clichê, mas ainda bem bacana. Por outro lado, vai ficar aterrorizado com o merchandising de uma lanchonete mundialmente famosa.

Com uma clara intenção de trazer o tema antigo - e clássico - para a atualidade, ainda é possível encontrar sustos para quem os espera. Mas quem procura cabeças girando ou vômitos, o roteiro comete um pecado e tanto ao "curtir" com o clássico O Exorcista. Dirigido pelo sueco Mikael Håfström (1408), que parece ter uma quedinha pelo gênero, o resultado só não foi melhor porque não conseguiu exorcizar certos cacoetes, como a inserção de humor. Um exemplo gritante é um telefone celular atrapalhar um exorcismo. É quando o real quebra o clima e o próprio ritual.

 

 FLORES RARAS / MEGA

Por mais que o tema seja antiquíssimo, o cinema brasileiro nunca foi muito de colocar casais homossexuais na linha de frente do elenco. Seja por questões conservadoras ou temores econômicos, fato é que são poucos os filmes nacionais que acompanham relacionamentos gays mais a fundo, deixando de lado os estereótipos. Diante deste histórico, Flores Raras traz um certo frescor no sentido de romper um certo “tabu invisível”. Entretanto, o novo filme do diretor Bruno Barreto vai além ao trazer uma bela história de amor que conta como pano de fundo um período importante da história brasileira: o golpe militar de 1964 e suas implicações imediatas.

A história gira em torno da arquiteta brasileira Lota de Macedo Soares e a poetisa americana Elizabeth Bishop, interpretadas com competência por Glória Pires e Miranda Otto, respectivamente. Na verdade, as duas são a alma de Flores Raras e é interessante notar o quão diferente é a atuação de cada uma. Se Glória cria uma Lota decidida e controladora, que não pensa duas vezes ao tomar a iniciativa tanto no trabalho quanto no campo amoroso, Miranda compõe uma personagem tímida e insegura, por vezes antipática mesmo. É neste contraste entre a delicadeza nos gestos de uma e o jeito determinado de outra que o filme constrói boa parte do relacionamento, muito auxiliado pelas atuações e pela coragem das atrizes ao se expor em momentos mais íntimos, sem nudez mas de uma paixão arrebatadora.

Entretanto, em meio à história (verídica) de amor entre Lota e Elizabeth, há um pano de fundo importante que ressalta outro contraste, cultural, que passa desde o modo como uma pessoa trata a outra, em simples encontros ocasionais, até diferentes visões de mundo. O exemplo maior desta situação é o jantar em que Elizabeth demonstra todo seu estranhamento diante da naturalidade com a qual os brasileiros tratavam o golpe militar, que por mais que representasse a “vitória” contra o medo comunista significava também a perda da liberdade, algo gravíssimo para qualquer americano. Ainda neste âmbito, o filme revela um pouco sobre os bastidores do governo Carlos Lacerda e da construção do Aterro do Flamengo, trazendo à tona também um momento histórico importante do Rio de Janeiro.

Por mais que Flores Raras seja um filme bem dirigido e atuado, ele possui um problema logo no início em relação ao ritmo da história. Tudo acontece muito rápido entre Lota e Elizabeth se conhecerem e engatarem um relacionamento, ainda mais levando-se em conta que a arquiteta brasileira morava com outra pessoa há anos, que além disto era uma grande amiga de Elizabeth. A desconstrução deste triângulo amoroso é mal conduzida pelo roteiro, como se o diretor Bruno Barreto não tivesse interesse em se aprofundar nesta passagem de vida do trio. O resultado em cena traz um certo ar de promiscuidade para as protagonistas e faz com que o filme apenas engate de vez após o casal Lota-Elizabeth se estabelecer.

Flores Raras é um bom filme que mostra com competência tanto o aspecto histórico dos anos 1960 no Rio de Janeiro quanto o relacionamento entre duas mulheres tão diferentes quanto Lota e Elizabeth, além de ser (mais) um libelo sobre a naturalidade de um relacionamento homossexual na sociedade. Um detalhe que chama a atenção é a atuação de Glória Pires em língua inglesa, sem sotaque algum e transmitindo com bastante veracidade a emoção de sua personagem.

Direção: Bruno Barreto
Elenco: Glória Pires, Miranda Otto, Tracy Middendorf

 

ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA (Blindness, 2008) Dublado / Minhateca

ELENCO:

Julianne Moore - Mulher do médico
Mark Ruffalo - Médico
Danny Glover - Homem do Tapa-Olho Preto
Gael García Bernal - Rei da ala/Camarata 3
Maury Chaykin - Contador
Alice Braga - Mulher dos óculos escuros
Don McKellar - Ladrão
Sandra Oh - Ministra da saúde
Yusuke Iseya - Primeiro homem cego
Yoshino Kimura - Mulher do primeiro homem cego
Mitchell Nye - Menino
Susan Coyne - Recepcionista
Martha Burns - Mulher com insônia

Dirigido por Fernando Meirelles

“Ensaio sobre a cegueira”, o livro do português ganhador do prêmio Nobel José Saramago, mostra o pior lado do ser humano quando pode agir sem ser visto. “Ensaio sobre a cegueira”, o filme dirigido por Fernando Meirelles, que já concorreu ao Oscar por “Cidade de Deus”, consegue retratar com fidelidade essa transformação do homem em animal que só vive para saciar seus apetites mais primitivos.

No longa, um grupo de pessoas é atingido por uma epidemia de cegueira branca. Com medo do contágio, o governo decide isolá-los em um manicômio abandonado. Lá, eles têm que se acostumar a novas regras e hierarquias. Enquanto uns propõem a igualdade de direitos e deveres entre todos, outros crêem que podem governar pela força e humilham os restantes.

 O elenco acima da média corresponde às expectativas. Uma Julianne Moore loura faz a esposa do médico, protagonista dessa fábula, que resume o espírito da obra. Agüenta com força e elegância a degradação humana. Além dela, Mark Ruffalo, Alice Braga, Danny Glover e Gael García Bernal são os rostos conhecidos que completam o primeiro escalão.

O filme, fotografado pelo parceiro de Meirelles de outros longas-metragens, César Charlone, é ambientado em uma cidade visualmente branca, sem nome, fora da geografia tradicional, mas com várias línguas, tipos, jeitos. São Paulo, uma entre outras tantas locações, é uma escolha acertada. Ela retrata a cidade grande típica, com sua natureza cosmopolita, universal, caótica, cheia de concreto, cimento e asfalto.

 

Filme feminino para ambos os sexos

Valorizando as mulheres, como já havia anunciado Meirelles, “Ensaio...” é uma história amoral que mostra como os homens, os seres humanos do sexo masculino, somos às vezes ridículos e como elas conseguem suportar melhor a dor e as privações. Mas, como o próprio Saramago diz, existem “mulheres do médico” de ambos os sexos.

“Blindness” (no original, em inglês) mostra o horror da anarquia em seu pior estado – o selvagem. Quando despojados das facilidades modernas, voltamos a ser bichos, em busca das nossas necessidades básicas, como comida, bebida e sexo. E como mesmo após passar por degradações, privações e sermos humilhados, ainda somos capazes de encontrar uma maneira de termos alegria. Para provar que, apesar de tudo, ainda somos seres humanos.

Meirelles respeita e homenageia a obra de Saramago, conseguindo entender e recriar sua essência, aproveitando cenas que já eram dramáticas o suficiente no livro, sem inventar muito. Uma homenagem à altura da obra que lhe deu origem. Não à toa, o próprio escritor, avesso a badalações, tenha aprovado o resultado. Talvez o filme do ano.

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ENGRAÇADINHA (1983) / Minhateca / Depositfiles

Dirigido por Haroldo Marinho Barbosa

Elenco:

Lucélia Santos
Nina de Pádua
Luís Fernando Guimarães
José Lewgoy
Wilson Grey
Daniel Dantas
Carlos Gregório
Cláudio Corrêa e Castro
Nelson Dantas

Nelson Rodrigues é, sem dúvida, um dos escritores que mais teve suas obras adaptadas pelo cinema nacional, sendo que em 1981 foram lançadas três delas: Bonitinha, Mas Ordinária e Álbum de Família, ambas dirigidas por Braz Chediak, e este Engraçadinha, de Haroldo Marinho Barbosa. Baseado no livro Asfalto Selvagem: Engraçadinha, Seus Pecados e Seus Amores – que já havia sido transportado para as telas por J.B. Tanko em Asfalto Selvagem (1964) e Engraçadinha Depois dos Trinta (1966) – o filme de Marinho Barbosa é focado na primeira parte da história escrita por Rodrigues sobre a personagem-título, interpretada por Lucélia Santos, uma adolescente bela e voluptuosa - a figura da ninfeta típica do imaginário do autor - com toques da Lolita de Vladimir Nabokov.

O longa abre mostrando o funeral do pai de Engraçadinha, o respeitado Dr. Arnaldo (José Lewgoy), que cometeu suicídio após descobrir a gravidez da filha. Devido a rumores de que a criança seria fruto de uma relação incestuosa com o recém-falecido, a garota é levada à presença de um padre para que se confesse. É assim, então, através de flashbacks, que o espectador é apresentado aos fatos. Noiva do simplório Zózimo (Daniel Dantas), Engraçadinha nutre uma ardente paixão por seu primo Sílvio (Luiz Fernando Guimarães) que, por sua vez, é noivo de Letícia (Nina de Pádua), amiga de infância da protagonista. Após seduzir o primo durante sua festa de noivado, Engraçadinha simula uma gravidez, o que leva Arnaldo ao desespero e a revelar um grande segredo: que Sílvio é na verdade seu filho de um relacionamento extraconjugal e, portanto, meio-irmão de Engraçadinha.

Todos os elementos clássicos do universo rodrigueano estão presentes aqui: a imoralidade, a sordidez e a hipocrisia da sociedade, em particular a da burguesia carioca. Suas críticas a esses aspectos nefastos da humanidade aparecem com ironia já na citada cena do enterro, quando o orador vivido pelo grande Cláudio Corrêa e Castro realiza um solene discurso exaltando o caráter de Arnaldo, construindo uma imagem para o personagem que é desfeita completamente ao longo da projeção. Tendo dirigido anos antes o curta documental À Nelson Rodrigues (1978) e sendo um conhecedor notório da obra do escritor, Haroldo Marinho Barbosa adota um tom que se difere um pouco de outras adaptações do “Anjo Pornográfico” do mesmo período, como as realizadas por Neville D’Almeida, por exemplo.

Mesmo tratando de temas como incesto e lesbianismo, e tendo personagens guiados basicamente pelo desejo, o diretor se mostra comedido em relação ao exagero e à vulgaridade intencional presentes no texto de Rodrigues. Seja no discurso ou esteticamente, Haroldo Marinho oferece um retrato mais formal e se aproxima da linguagem teatral, trabalhando com poucos ambientes externos e centrando quase toda a ação nos cômodos da mansão da família de Engraçadinha. O humor irônico surge apenas de modo pontual, privilegiando o viés trágico e melodramático da trama. Essa escolha do cineasta exige que todo o peso das reviravoltas e revelações seja transmitido com o máximo de intensidade, algo que nem sempre acontece, em parte devido a atuações hesitantes de alguns nomes do elenco.

É o caso de Luiz Fernando Guimarães, que não demonstra plena segurança para encarnar o comportamento contraditório de Sílvio e os sentimentos antagônicos – a paixão e o desprezo – que sente por Engraçadinha. O mesmo vale para Nina de Pádua que soa pouco natural numa personagem complexa e que, mesmo quando são expostas as motivações que justificam as ações questionáveis de Letícia, não consegue ser totalmente convincente. Felizmente Lucélia Santos faz de sua Engraçadinha uma figura crível e envolvente. Exalando uma sexualidade latente, a atriz – premiada no Festival de Brasília pela atuação - exibe grande desenvoltura num papel repleto de nuances, já que mesmo ciente de seu poder – vide a bela cena em que seduz Sílvio na biblioteca – ela o utiliza, se não com inocência, com sinceridade, pois o faz em nome de um amor verdadeiro.

Além da libidinosa e cativante interpretação de Lucélia, temos também um José Lewgoy impecável como Arnaldo, que tenta manter as aparências e defender valores morais, mesmo sendo ele o grande responsável por destruí-los. A complicada relação entre pai e filha e os dilemas éticos do personagem ganham vida em ótimas cenas – como a da surra que aplica em Engraçadinha e o encontro com o ginecologista. Outros que merecem destaque são Wilson Grey, divertidíssimo como o juiz Odorico Quintela, e Nelson Dantas em breve aparição como o ginecologista Dr. Bergamini. Marinho Barbosa comanda bem seus atores e, mesmo ostentando uma direção convencional, é capaz de conceber alguns belos planos, como o de Engraçadinha e Letícia aguardando Sílvio na cama ou aquele em que a protagonista se confessa com o padre. Esta última sequência mencionada, que surge nos minutos iniciais, se repete ao final, ganhando uma nova leitura e gerando maior impacto. São mais momentos como esse que faltam para elevar a força do conjunto do longa que ainda assim consegue honrar sua fonte inspiradora.

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 UM HOMEM SÓ / MEGA

Basta pensar em ficção científica que logo vem em mente efeitos especiais grandiosos e elaborados, em tramas envolvendo o espaço sideral ou situações futuristas, como robôs, viagens no tempo e todo tipo de monstro. Tal associação é fruto especialmente de Hollywood, que usa e abusa do gênero na produção de blockbusters. Só que, de vez em quando, surge uma ficção científica mais calcada na história do que propriamente em efeitos, por mais que eles até sejam utilizados. Este é o caso de Um Homem Só, primeiro filme dirigido pela também roteirista Cláudia Jouvin.

Com vasta experiência na TV, especialmente na comédia, Cláudia resolveu fazer de seu primeiro filme a representação maior de seu lado nerd. Enfrentou as dificuldades inerentes à ínfima produção de ficções científicas no cinema brasileiro e entregou um longa-metragem calcado na realidade, que poderia muito bem ser situado nos dias atuais. Nele, um homem cansado de sua vida em casa e no trabalho ouve falar de uma clínica capaz de produzir uma réplica de si mesmo. É a chance perfeita de deixá-la ocupando seu lugar no mundo, o que lhe possibilitaria uma vida nova.

Por mais que Um Homem Só não entre na seara moral de criar uma réplica de si mesmo, chama a atenção a completa naturalidade com a qual tal situação é apresentada, como se fosse algo corriqueiro, algo impulsionado também pela direção de arte e figurino contemporâneos. Outro aspecto que também chama a atenção é a justificativa dada para tal decisão: o medo em não viver é maior que o de morrer. Cabe a Vladimir Brichta interpretar o tal protagonista, explorando algumas sutilezas de forma a que o espectador saiba quem é a versão original e quem é o clone - o que nem sempre funciona a contento, intencionalmente.

Por mais que a construção do jogo envolvendo os duplos do personagem principal seja interessante, o roteiro peca pela necessidade em estabelecer dependências amorosas em ambos os lados - e, pior ainda, com personagens femininas bastante dependentes à sua versão de Vladimir. Este é o caso tanto de Aline (Ingrid Guimarães, apagada) quanto de Josie (Mariana Ximenes, bem), cujo visual exótico chama a atenção. Ruiva, sardenta e praticamente sem sobrancelhas, Josie se destaca também pelo lado espevitado da personagem, trazendo algum brilho a uma história quase sempre morna.

Apesar de ser um tanto quanto esquemático e até didático na apresentação de sua trama, Um Homem Só chama atenção pelo inusitado, como gênero no cinema brasileiro e dentro da própria ficção científica. Trata-se de um filme fantástico com poucos elementos fantásticos, o que amplifica o holofote em torno de como a narrativa é construída e nas próprias atuações. Interessante, especialmente pelas questões conceituais que aborda. 

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Campo Grande (2015)

O cinema brasileiro, na condição de indústria, está a anos-luz de Hollywood, afinal, faz apenas 20 anos desde que iniciamos a Retomada da nossa produção (com Carlota Joaquina, Princesa do Brasil e Terra Estrangeira, em 1995). A consequência desse processo, lento, é que, embora tenhamos avançado em alguns aspectos “macro” da cadeia (direção, roteiro, fotografia), no detalhe, certos elementos deixam a desejar em termos de qualidade artística, sendo um deles, a dificuldade de se encontrar bons atores mirins. Essa é a (sabida) má notícia.

Quantas produções, mesmo de grande porte, não foram lançadas nesse período, que trazem crianças prodígio (no mau sentido) e/ou robotizadas? Felizmente, esse não é o caso de Campo Grande, filme de Sandra Kogut, para o qual a interpretação infantil é de suma importância para a trama. Essa é a boa nova.

No longa-metragem, Carla Ribas é Regina, uma típica mulher da classe média da Zona Sul do Rio de Janeiro, bairro nobre da cidade. A excelente atriz de A Casa de Alice (2007) já tinha dado provas de sua habilidade na profissão e conduz com sutileza (nem condescendente, nem megera) seu papel aqui.

Mas a novidade, em Campo Grande, vem “de baixo”. Rayane do Amaral, da altura de seus cinco anos, e Ygor Manoel, que dá vida ao irmão (um pouco) mais velho, são o grande destaque do novo filme da diretora de Mutum.

Rayane e Ygor (esses são também os nomes dos personagens) são deixados na porta do apartamento de Regina sem nenhuma explicação imediata. A única pista que a menina dá do mistério é que a sua mãe a largou lá, prometendo buscá-la “na volta” (não se sabe de onde, nem quanto tempo vai demorar, nem sequer se vai mesmo retornar).  

Sem saber o que fazer, Regina pensa em levá-los ao orfanato, mas é convencida pela filha adolescente (Julia Bernat) de deixá-los passar a noite. Decidida a ajudá-los a encontrar sua família, a jovem senhora, orientada por Ygor, vai parar na Campo Grande (Zona Oeste da cidade) do título.

Trata-se de um filme pequeno (independente, não-comercial, de baixo orçamento?), que conta com o trabalho da preparadora de elenco Fátima Toledo, requisitada pelas superproduções nacionais (Cidade de Deus, Tropa de Elite, Assalto ao Banco Central), mas que também tem trabalhado cada vez mais em produções menores (independentes, não-comerciais, de baixo orçamento?), como o já citado Mutum, Ausência, Boi Neon.

A transição da profissional – de métodos considerados “polêmicos”, mas de resultados inquestionavelmente eficazes – entre filmes de perfis (leia custos) diferentes é, por si só, um indício desse novo caminho profissionalizante da indústria nacional (não que ela não tenha trabalhado em filmes “mais baratos” antes, sobretudo no início da carreira).

Mas a história, em si, é simples – até demais. A busca pela mãe das crianças lembra a procura do pai de Central do Brasil, mas sem o apelo visual do filme de Walter Salles, nem o envolvimento emocional do longa de 1998. A duração das cenas de Campo Grande, o tempo da ação, não contribuem muito em termos dramatúrgicos para a obra, resultando em uma narrativa arrastada e, muitas vezes, sem propósito.

 

E AÍ, COMEU? (2012) / Minhateca AVI / HD 720p

Dirigido por Felipe Joffily

ELENCO:

Bruno Mazzeo como Fernando Moreira Bacelar

Marcos Palmeira como Honório Alves Durões

Emílio Orciollo Netto como Fonsinho (Afonso Carvalho)

Dira Paes como Leila Arantes Leal

Tainá Müller como Vitória Brandão

Laura Neiva como Gabriela Alencar

Katiuscia Canoro como Aninha Tarja Preta

Seu Jorge como Garçom Jorge

Juliana Schalch como Alana Fragoso

José de Abreu como Marrone Sousa

Renata Castro Barbosa como Paula Bastos

Juliana Alves como Isabela Santiago

Murilo Benício como Wolney

Laila Zaid como Moça no bar

Luciana Fregolente como Advogada de Fernando

Fred Lessa como Advogado de Vitória

Luca de Castro como Juiz

Guga Coelho como Poeta no bar

Marcelo Flores como Chulapa

Fernando Moreira (Bruno Mazzeo), Honório Alves (Marcos Palmeira) e Afonso Carvalho (Emilio Orciollo Netto) se reúnem no bar Harmonia todos os dias, e que sempre são atendidos por Jorge (Seu Jorge), para falarem de mulheres. Fernando havia acabado se separar de Vitória Brandão (Tainá Müller), Honório tem Leila (Dira Paes) como esposa e Afonsinho é amante de Alana (Juliana Schalch), que está prestes a terminar um livro. Fernando ao voltar do bar, estaciona seu carro na garagem, e vê Gabriela (Laura Neiva), que tem 17 anos, batendo o carro de seu pai na mureta do estacionamento, e lhe fornece ajuda. Leila é mãe de três filhas e sempre sai para tomar chope com as amigas, deixando as meninas, ao voltar tem sempre um acessório novo, e seu marido acha que está sendo traído.

No trabalho, no editorial, Honório se passa por Horácio pesquisando um detetive para vigiar sua mulher. Afonso vai ao seu tio Marrone Sousa (José de Abreu), que é de uma editora, entregar seu livro finalizado. Seu tio então não aceita o projeto em que é baseado nele mesmo, e recomenda a ele, que para ajustar os "defeitos" do livro tem que viver o amor.

Vitória que namora Wôlnei (Murilo Benício) um dos sócios da empresa de publicidade GW, decide não se separar legalmente de Fernando, fugindo da sala do divórcio. Gabi e Fernando se encontram no elevador e ele fornece ajuda para carregar sua mochila até seu apartamento, ao se beijarem o porteiro entrega a correspondência a Gabi. Leila vai até o bar Harmonia e entrega ao seu marido as chaves de casa, então Honório decide segui-lá, chegando até um apartamento. Ao entrar, descobre que sua esposa faz jogos de apostas com suas amigas. No mesmo dia, Afonso decide parar de escrever, jogando fora seu livro.

Após uma discussão, Honório e Leila se acertam. Vitória então fala para Fernando que está grávida a três meses de seu namorado. Após estarem bêbados, eles decidem ir até a agência do namorado de Vitória. Ao se passar por um amigo de sua namorada, Wôlnei decide recebê-los na porta da empresa. Afonso sozinho acaba sendo reconhecido por ele após uma viagem feita no Chile. Wôlnei acaba dando um emprego de publicitário a ele, mas o pedido não é aceito.

No mesmo dia, ele decide ir até a casa de Alana para pedir em casamento, e ela acaba levando ele até sua casa. No outro dia, Gabi vai até a casa de Fernando para chamar para nadar, nisto, eles acabam transando. Por fim, Afonso acaba sendo um escritor de palavras cruzadas, e Honório incentiva sua mulher e suas amigas a fazerem seus jogos em sua casa. Então, Afonso e Alana se casam no bar Harmonia.

  

Vai Que Cola - O Filme (2015) / MEGA / Minhateca

Direção: César Rodrigues e João Fonseca

Elenco:

Paulo Gustavo como Valdo (Valdomiro Lacerda)
Marcus Majella como Ferdinando
Samantha Schmutz como Jéssica
Fiorella Mattheis como Velna
Cacau Protásio como Terezinha
Fernando Caruso como Wilson
Catarina Abdala como Dona Jô
Emiliano D'Ávila como Maicól
Silvio Guindane como Lacraia
Oscar Magrini como Brito (síndico)
Márcio Kieling como Andrada (ex-sócio pilantra de Valdo')
Werner Schünemann como Quaresma
Jonathan Haagensen como um pagodeiro
Klebber Toledo como Famoso/Ele mesmo (participação)
Flávia Reis como Marli

O filme começa com um sonho de Valdo: ele está no tal apê do Leblon, de pijama ornado com motivos navais cujo fundo, de um vermelho vivo, combina com o ruivo meio desgrenhado de seus cabelos. Antes de se refugiar no Méier, o empresário Valdo possuía uma cabeleira, raspada para compor melhor o disfarce.

Valdomiro (Paulo Gustavo) perde todo o seu dinheiro após ser vítima de uma falcatrua na empresa da qual era sócio. Para fugir da polícia, o malandro se muda para a pensão de Dona Jô (Catarina Abdalla), no Méier, Zona Norte do Rio de Janeiro, onde passa a entregar quentinhas.

Quando um ex-sócio o procura com um plano para recuperar sua cobertura de frente para o mar no Leblon - valorizado bairro da Zona Sul do Rio -, Valdo vê a oportunidade de retornar à antiga vida de luxo. Mas, quando a pensão é interditada pela Defesa Civil, ele se vê obrigado a carregar toda a turma do subúrbio – além de Dona Jô, Jéssica (Samantha Schmutz), Máicol (Emiliano D'Avila), Ferdinando (Marcus Majella), Seu Wilson (Fernando Caruso), Velna (Fiorella Mattheis) e Terezinha (Cacau Protásio) – com ele.

 

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JOANA ANGÉLICA (1979) / MEGA

Dirigido por Walter Lima Júnior

Documentário Ficcional sobre Joana Angélica, franciscana concepcionalista que viveu na Bahia entre 1762 e 1822. Durante a luta pela independência do Brasil, as tropas portuguesas invadiram o Convento da Lapa, julgando que seu irmão, patriota inflamado e ativista político, ali estivesse abrigado. Ao tentar impedir o arrombamento da clausura, Joana Angélica é ferida a golpes de baioneta, falecendo horas depois. Piloto de uma série para televisão intitulada "Gesto Histórico".

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TESOURO PERDIDO (1927)

O primeiro longa de expressão do diretor mineiro Humberto Mauro, um dos precursores do cinema no Brasil. E Tesouro Perdido era um de seus preferidos. Ele trabalha como ator (faz o bandido) e usa a família nas filmagens. Narrativa ingênua, é um filme mudo sobre os desencontros de dois irmãos criados órfãos de pai. Ao completarem a maioridade, cada um recebe a metade de um mapa de tesouro.

BOCA DO LIXO (2010) / Minhateca

Dirigido por Flavio Frederico

Elenco:

Daniel de Oliveira como Hiroito Joanides
Guilherme Seta como Hiroito Joanides (criança)
Hermila Guedes como Alaíde
Jefferson Brasil como Nelsinho
Milhem Cortaz como Osmar
Paulo César Peréio como Dr. Honório
Maxwell Nascimento como Robertinho
Camila Leccioli como Clarinha
Juliana Galdino como Telma
Leandra Leal como Silvia
Claudio Jaborandy como Carlito

Adaptação da autobiografia do criminoso Hiroito de Moraes Joanides, este filme retrata a atmosfera criminosa da Boca do Lixo, região de prostituição no centro de São Paulo nas décadas de 50 e 60.

Nascido em uma família de classe media alta, Hiroito era habitué da Boca apenas como farrista atrás de aventuras sexuais. Uma tragédia pessoal, no entanto, promove uma reviravolta em sua vida. Seu pai é violentamente assassinado e ele acusado pelo crime. Revoltado, compra armas e vai viver na Boca, tornando-se rapidamente um dos bandidos mais temidos do lugar por sua pouca reflexão antes de puxar o gatilho.

Dirigido por Flávio Frederico, Boca é um filme que chama a atenção por seu apuro técnico. Nota-se ao longo de toda a produção uma preocupação clara com a elaboração de cada cena, todas muito bem construídas de fato. A fotografia de Adrian Teijido e o bom trabalho de direção de arte criam um ambiente de filme noir envolvente e driblam com desenvoltura as limitações comuns a um filme de época de baixo orçamento.

O mesmo capricho cênico, no entanto, não se vê no vínculo entre cenas. Frederico exibe habilidade na direção e faz de Boca um filme pungente, de personagens interessantes e sequências eficazes. Porém, os muitos (e às vezes bruscos) saltos cronológicos enfraquecem ligeiramente o arco dramático. A produção tenta compreender grande espaço temporal sem estender sua duração, o que a leva a parecer pressurosa a quem assiste e de ligação emocional débil entre espectador e personagens.

O bom elenco ajuda a dirimir tal impressão. Daniel de Oliveira (Cazuza - O Tempo Não Para) mostra por que é hoje um dos melhores atores de sua geração, dando vida a Hiroito em mais um bom trabalho de sua já elogiável carreira cinematográfica. Hermila Guedes (O Céu de Suely), como a prostituta que se converte em companheira do bandido, é sempre uma presença forte na tela, mas suas aparições e sumiços súbitos não ajudam no desenvolvimento desta rica personagem.

Hiroito de Moraes foi um bandido romântico, à moda antiga, emplogado com as possibilidades de ganho fácil por meio da cafetinagem e tráfico de drogas. Virou lenda quando a Boca do Lixo era território sem lei e a polícia ignorava (a troco de suborno) o que acontecia por lá. Boca explora bem o mito Hiroito e ambienta com esmero sua história. Mesmo a montagem problemática, de ritmo excessivamente acelerado, não é suficiente para apagar os méritos desse filme cheio de personalidade e bons momentos.

 

OS AMIGOS (2013)

Há momentos na vida em que se fica mais pensativo, em uma espécie de análise sobre o que aconteceu consigo até aquele instante e as possibilidades projetadas pelo futuro. Em muitos casos isto vem à tona quando acontece um grande baque, daqueles que fazem com que o chão até então firme se desmorone. Para Téo, personagem interpretado por Marco Ricca em Os Amigos, esta reflexão vem quando seu melhor amigo de infância morre. Em meio às lembranças saudosistas do passado, quando ambos dividiam as brincadeiras e as aflições decorrentes dos problemas de família, surge também a culpa pelo afastamento na fase adulta. O fato de estar sozinho já há algum tempo é outro catalisador importante, despertando em Téo questionamentos sobre se a solidão é uma sina a qual ele precisa se acostumar.

Por todas estas características, existe em Os Amigos uma certa tristeza pairando no ar, o que não significa que o filme seja também triste. Muito pelo contrário. Há uma leveza impressionante na narrativa implementada pela diretora Lina Chamie, seja pelas diversas sequências estreladas por crianças – que aparecem ocasionalmente, em participações que lembram muito o coro grego de Poderosa Afrodite – ou pelos diálogos espirituosos, que permeiam todo o filme. Além disto, a diretora por vezes brinca com a própria narrativa, como quando simplesmente escurece a tela para fazer um convite ao público. Inusitado e simpático.

Diante desta proposta reflexiva, Os Amigos é um filme cujo enfoque busca muito mais o lado emocional dos personagens do que propriamente ter uma história a contar. É por isso que certos atores, como Caio Blat, Alice Braga, Rodrigo Lombardi e Fernando Alves Pinto, simplesmente passam pela trama sem grande desenvolvimento. Cada um deles é coadjuvante na vida de Téo, por isso não recebem tanto destaque – na verdade a participação deles em alguns casos se resume a apenas duas cenas. Por outro lado, a amiga de toda hora Majú (Dira Paes) é uma figura onipresente, seja fisicamente ou em pensamento, pelo mesmo motivo.

Os Amigos é um filme bastante humano, que oferece ao espectador soluções criativas para contar uma história que surpreende. É bem verdade que por vezes Lina Chamie apela a clichês mais do que conhecidos para cativar o público, como nas sequências com um cachorro e as várias brincadeiras com os filhos de Majú, mas elas funcionam tão bem dentro deste clima de autorreflexão que aos poucos mostra que a vida vale sim a pena que são até mesmo perdoáveis. Além disto, Os Amigos possui duas sequências memoráveis: a antológica conversa de Téo com um garoto em plena loja de brinquedos, sobre super-heróis – daqueles papos que deixam qualquer nerd em êxtase – e a dura cena da expulsão de Cassiano, onde Giulio Lopes brilha intensamente. Muito bom.

Direção: Lina Chamie

 

 

ELES VOLTAM, de Marcelo Lordello (2012)

Eu estava bastante ansioso para assistir a esse filme pernambucano, principalmente após o sucesso na carreira Internacional (Seleção Rotterdan) e o Prêmio de melhor filme em Brasília, um Festival com prestígio de premiar filmes autorais. Fotografado belamente por Ivo Lopes Araújo, do excelente "Tatuagem", o filme narra a história de Cris e Peu, dois adolescentes, ela com 12 anos. O filme começa com o carro onde eles estão, parando em uma estrada. Os pais, em crise de histeria mental, abandonam os dois à mercê da sorte na estrada. Tensos e sem entender nada, os dois ficam desorientados. O irmão resolve ir até um Posto, mas não retorna. Cris, isolada, resolve seguir estrada, e pelo caminho, se depara com pessoas que farão ela mudar o seu ponto de vista da vida e da sociedade. O filme é bom. Mas não consegui ir além dessa observação. Tem um bom elenco (a menina Maria Luiza Tavares é um achado), ótima fotografia. O roteiro não surpreende, e nem tem reviravoltas na trama. Apenas acompanhamos, com extrema apatia de todos os personagens, o desenrolar da descoberta de Cris para um mundo adulto, que ela até então desconhecia. (Ela é de família classe média alta). Ela se depara com moradores de comunidade, trabalho terceirizado, com o sexo, com a solidão e a bipolaridade de seus pais. O seu rito de passagem vem acompanhado por uma narrativa extremamente lenta, e até mesmo, cansativa. Para mim, o filme, de 100 minutos, parecia eterno. "Eles voltam" surgiu com uma aura cult, mas diferente de "Som ao redor", dificilmente atingirá um público mais amplo. Tipo do filme que entra em um único horário de uma sala de cinema. Torcer para poder ser visto. Mesmo que metade da platéia ameace dormir no meio do filme. 

Crônica de um industrial 

Crônica de um Industrial (1978)

Direção: Luiz Rosemberg Filho

ELENCO

Renato Coutinho - Gimenez
Ana Maria Miranda - Amante
Wilson Grey - Político
Kátia Grumberg - Mulher
Trabalhadores do Metrô

Um empresário bem sucedido, marxista quando jovem, continua um nacionalista convicto. Entra em crise, quando pressionado pelos interesses do capital estrangeiro e pelos operários, e procura compensar com sexo o seu vazio existencial. E as tragédias acontecem.

 

Lula, o Filho do Brasil (2010) / Minhateca / Mega

Para ser justo consigo, Lula, O Filho do Brasil deveria ser rebatizado de Dona Lindu, Uma Mãe do Brasil, tamanha a importância da mãe de Lula no filme. Interpretada por Gloria Pires, a personagem é uma das poucas coisas realmente interessantes na cinebiografia do presidente.

Sendo de esquerda, direita, flamenguista ou são-paulino, é inegável que a trajetória de Luiz Inácio da Silva é repleta de elementos emotivos que naturalmente constituem matéria para um baita épico melodramático. Pobreza extrema, pai violento, mãe guerreira, migração para o Sudeste, profissão interrompida, líder popular etc.

Mas Lula, O Filho do Brasil é vítima de seu próprio esforço. Busca contar um largo período na vida de seu principal personagem (nascimento à líder do ABC). Para tal, fica preso a um roteiro dependente da estrutura de episódios da trajetória de Lula: o pai violento, o primeiro emprego, o diploma de torneiro mecânico, o primeiro desentendimento com o diretor do sindicato, o dia em que pediu a mão da namorada em casamento...enfim, uma sucessão de acontecimentos-chave.

Parece que Lula acordou na segunda-feira e, pumba, casou-se. Na terça, a mulher morreu na mesa de parto. Na quarta, conheceu Dona Marisa. Na quinta, foi aclamado pelos trabalhadores. Na sexta, sua mãe morreu. Dá a impressão de que todos os dias em sua vida foram marcantes. Apenas lá perto do final do filme, quando mostra os primeiros passos no sindicalismo até sua extrema popularidade entre os trabalhadores, ele se torna um personagem, de fato.

Aí sim Fabio Barreto parece ter compreendido qual era a alma de seu personagem. De resto, torna-se um filme episódico, vício das cinebiografias que tentam abarcar um período longo. Diretores e roteiristas têm ficado preso aos fatos que não podem faltar, em detrimento a virar uma personagem do avesso e extrair sua essência.

Em Lula, O Filho do Brasil temos apenas amostras da alma de seu personagem. Cenas como a que ele suja propositalmente o macacão de graxa para ser taxado de trabalhador é uma linda metáfora. Mas, em compensação, a direção de Barreto também é responsável por construir imagens patéticas, como o momento em que o pai alcoólatra esbraveja ao ver a família partir.

No meio de tudo isso, existe Dona Lindu, a única personagem grande que sentimos o coração bater forte. Parte disso se deve à interpretação de Gloria Pires que, apesar do sotaque nordestino mequetrefe, usa rugas, movimento dos olhos, sorrisos e posição corporal parar dar expressão emocional a sua personagem.

Assim como Rui Ricardo Dias, o Lula em fase adulta, que encarna de corpo e alma o líder dos piquetes. Outra boa surpresa de atuação é o garoto Guilherme Tortolio, o Lula adolescente.

Enfim, a direção de atores é o principal sopro de vida em um filme preso em demasia aos fatos imprescindíveis, fazendo que com que seja próximo demais de um guia do tipo “Dez Coisas que Você Ainda não Sabe Sobre Lula”. Dá vontade de imaginar como seria Lula, O Filho do Brasil se Fabio Barreto tivesse relaxado um pouco mais e flutuado com seu personagem, em vez de ser tão duro e preso a episódios.

Dirigido por Fábio Barreto

ELENCO:

Rui Ricardo Dias - Luiz Inácio Lula da Silva
Guilherme Tortólio - Lula (jovem)
Felipe Falanga - Lula (7 anos)
Glória Pires - Eurídice Ferreira de Melo (Dona Lindu)
Lucélia Santos - Professora de Lula
Cléo Pires - Maria de Lurdes da Silva
Vanessa Bizzarro - Maria de Lurdes (13 anos)
Juliana Baroni - Marisa Letícia Lula da Silva
Milhem Cortaz - Aristides Inácio da Silva
Clayton Mariano - Lambari
Luccas Papp - Lambari (15 anos)
Suzana Costa - parteira
Jones Melo - vendedor
Antônio Pitanga - Sr. Cristóvão
Celso Frateschi - Sr. Álvaro
Marcos Cesana - Cláudio Feitosa
Sóstenes Vidal - Ziza
Antonio Saboia - Vavá
Eduardo Acaiabe - Geraldão
Marat Descartes - Arnaldo
Nei Piacentini - Dr. Miguel
Matheus Braga - Luís Cláudio
Maicon Gouveia - Jaime
Jonas Mello - Tosinho
Fernando Alves Pinto - Jornalista
Rayana Carvalho - Dona Mocinha
Mariah Teixeira - Marinete
Fernanda Laranjeira - Tiana
José Ramos - motorista de pau-de-arara

Imagem

Lábios Sem Beijos (1930)

Moça rica e moderna se apaixona por um homem com reputação de Don Juan. Coincidência
de nomes a leva a crer que sua irmã caçula também está apaixonada pelo mesmo tipo e
rompe com ele. Após conhecer o noivo da irmã, a moça procura o namorado para desfazer
o mal-entendido.

Direção: Humberto Mauro

 ELENCO

Lelita Rosa
Paulo Morano
Didi Viana
Gina Cavalieri
Augusta Guimarães
Alfredo Rosário

 

Soberano - Seis Vezes São Paulo (2010) / MINHATECA

Soberano - Seis Vezes São Paulo é um longa-metragem brasileiro que conta a história dos títulos nacionais do clube São Paulo Futebol Clube. Retrata a visão de são-paulinos dos títulos de 1977, 1986, 1991, 2006, 2007 e 2008 mostrando as histórias dos principais ídolos do time a cada ano. A trilha sonora foi produzida por Luiz Macedo, da Jukebox, e conta também com canções de Nando Reis Nando Reis junto com Os Infernais.

BETE BALANÇO (1984) / Minhateca

Se tanta gente acredita que os anos 80 valeram a pena, “Bete Balanço” (1984) merecia ser relançado em dvd com edição caprichada.

Amado na época do seu lançamento pelo público sedento em consumir rock brasileiro na era pré-MTV, posteriormente ficou conhecido como a estréia bombástica de Débora Bloch no cinema – atriz até então acostumada aos papéis na tv, como na novela “Sol de Verão”. Hoje em dia, salvando-nos o distanciamento histórico, pode ser lembrado como o primeiro filme da trilogia dirigida por Lael Rodrigues – falecido em 1989 –, com a safra oitentista do rock nacional.

“Bete Balanço”, “Rock Estrela” (1986) e “Rádio Pirata” (1987), os três filmes de Lael, representaram para seu tempo a mesma coisa que os filmes de Roberto Carlos representaram para a Jovem Guarda. Ultra-datados, ultra-ingênuos, podem soar também ultra-ridículos quando vistos sem a tolerância carinhosa ou a nostalgia desmedida daqueles que viveram (ou sonharam em viver) aquelas tardes de 1984. Um 1984 carioca, cheio de juventude, praia e o sonho de montar uma banda para ser famosa e “levar todos os gatinhos para a cama”, como dizia a canção das Metralhatxecas, parte integrante da trilha-sonora campeã de vendas.

Jabás do jeans Inega, do carro em formato de tênis da Olympikus, do posto de gasolina Ypiranga, convivem com pochetes, mullets, piscadelas, ruídos e dancinhas pretensiosas, que exacerbam as coreografias no estilo “Chorus Line”. Por sinal, atenção no início do filme: Andréa Beltrão, tal qual uma coadjuvante em “Cats”, saltita ao lado de La Bloch e dançarinos, empunhando bandana, maquiagem pesada e roupas em tom cítrico.

Mas não bastasse esse deleite arqueológico, “Bete Balanço” apresenta na outra face da moeda – na primeira, a super-exposição de Bloch, protagonista em tempo integral –, a imagem calcada em Cazuza e no Barão Vermelho, compositores do hit homônimo. A banda está de tal forma associada ao filme que os músicos inclusive atuam – há a cena clássica na praia de Ipanema, todos sentados em círculo – e servem de gancho para a trama: após ver Cazuza em um show na tv, Bete copia o número e o encena em uma boate da cidade mineira de Governador Valladares, cidade da qual a menina interiorana, recém-aprovada no vestibular, foge tentando seguir carreira artística no Rio.

Prestes a completar 18 anos, Bete deixa Valladares, a segurança de uma futuro tranqüilo, com marido e filhos, e vai parar na casa de Paulinho (Diogo Vilela) – um amigo homossexual, viciado nos videogames Odissey. De início, Bete caça um produtor, que lhe prometera uma chance. Encurrala-o em um canto e eis que marcam para o dia seguinte um almoço no restaurante Sol e Mar – na época famoso pelo chiquê; em 1988, o ponto de saída para a trágica excursão do Bateau Mouche.

O produtor lhe dá um bolo e Bete conhece a personagem de Maria Zilda, ricaça que oferece entre indiretas bastante diretas algo que pudesse sustentar a coitada faminta, sem lugar para dormir. A mansão de Zilda é enorme, a piscina idem, mas a expectativa por um bom sexo lésbico na tela é frustrada. A tomada corta na hora certa e trocam apenas um selinho rápido, na típica organização pós-coito: duas moças sorrindo, um lençol na altura dos seios e uma delas indo embora.

Em seguida, no estilo cabeça feita de “o lesbianismo é só uma parte, não o todo”, Bete conhece Rodrigo (Lauro Corona) – fotógrafo que registra a agressão a meninos de rua, presenciada pela quase-estrela –, e tem com ele a versão hetero do romance; esta sim, demonstrada com exuberância de detalhes.

Por insistência de Rodrigo, que encarna o padrão de jovem estourado e justo, Bete assina contrato com umtycoon (Hugo Carvana). O rapaz invade o estúdio de gravação tremulando uma Basf-60 no ar, a mesma fita cassete que conterá a performance genial da namorada que a esta altura já estava viajando para Valladares, desiludida, “querendo dar um tempo”.

O final feliz para o casal chega no modelo de um esquete que lembra os comerciais de cigarros nos anos 80. O filme ganha um tom de fantasia, surge a zona portuária como cenário e a cantora ascende ao estrelato com um nova série de coreografias, soltando a voz pela derradeira vez.

Decisão um tanto quanto equivocada, Bloch não foi dublada em momento algum na filmagem. Mas quem em 1984 se importaria? O público entrava na sala escura “a fim de curtir um som” e de literalmente ver a música. Neste sentido, a mixagem de Roberto de Carvalho ressalta o carisma das gravações e o trabalho “vídeo-clíptico” de Lael Rodrigues – produtor de “J. S. Brown, O Último Grande Herói” e diretor de produção de “Rio Babilônia” –, aumenta a graça dos 74 minutos desta pérola, que encantou a infância e a adolescência dos trintões e quarentões de 2006.

Dirigido por Lael Rodrigues

Elenco:

Débora Bloch .... Beth

Lauro Corona .... Rodrigo

Diogo Vilela .... Paulinho

Maria Zilda .... Bia

Hugo Carvana .... Tony

Cazuza .... Tininho

Barão Vermelho

Andréa Beltrão

Duse Nacaratti 

 

O Estranho Mundo de Zé do Caixão (1968) / Depositfiles / Minhateca

Dirigido por José Mojica Marins

O Fabricante de Bonecas

Um fabricante de bonecas local é muito popular por confeccionar bonecas realistas, que são feitas por suas quatro lindas filhas. Um grupo de assaltantes, ouvindo que a fabricante de bonecas não guardava o seu dinheiro em banco, vai até a sua loja para atacar o velho. O fabricante de bonecas, aparentemente desmaia durante o ataque e os atacantes tentam estuprar suas filhas sedutoras. Resistentes, à princípio, cada uma das mulheres começa a notar os "belos olhos" dos atacantes e tornam-se receptivas e até mesmo encorajam suas investidas. Quando o recuperado fabricante de bonecas aparece na sala, cada filha de forma rápida e silenciosa se afasta de seus atacantes, deixando-os para serem baleados e mortos por seu pai. As cenas seguintes revelam que esta é a técnica pela qual o fabricante de bonecas obtém os olhos realistas para suas bonecas. (18 minutos)

Elenco: Vany Miller, Veronica Krimann, Paula Ramos, Esmeralda Ruchel, Luís Sérgio Person, Mário Lima, Rosalvo Caçador, Toni Cardi, Messias de Melo, Leila de Oliveira.

Tara

Um pobre e feio vendedor de balões com um fetiche por pés torna-se obcecado por uma bela mulher que ele vê passar todos os dias. Ele começa a segui-la e observar suas atividades, quando, assistindo ao seu casamento, ele a vê ser assassinada. Mais tarde, após voltar do funeral, ele retorna ao cemitério e viola o mausoléu onde seu caixão foi colocado. Abrindo o caixão, retira seu vestido de noiva, tem relações sexuais com o corpo e realiza o fetichismo do pé. Depois de vesti-la novamente, calça um par de belos sapatos novos nos seus pés, sapatos que o vendedor de balões recolheu após ela tê-los deixado cair enquanto fazia compras, na esperança de um dia devolvê-los a ela. (24 minutos)

Elenco: George Michel Serkeis, Iris Bruzzi, Arnaldo Brasil, Ana Maria, Pontes Santos, Antonia Siqueira, Guilermina Martins, Wilson dos Santos, Bettyr Dorffer, Luís Carlos Vianna.

Ideologia

O psicótico professor Oãxiac Odéz (José Mojica Marins) convida um professor rival e sua esposa para sua casa, então os aprisiona e submete-os a uma série de provações sádicas, inanição, e exibições de rituais chocantes envolvendo sadismo e canibalismo, em uma tentativa de provar que o instinto supera a razão e o amor. (34 minutos)

Elenco: José Mojica Marins, Osvaldo de Souza, Nidi Reis, Nivaldo de Lima, Salvador do Amaral, Kátia Dumont, Dario Santos, Carla Sotis.

 

Eliana em O Segredo dos Golfinhos / Mega

No filme, Eliana (no papel de si mesma) promove um concurso de redação, cujo prêmio é uma viagem à paradisíaca ilha de Riviera Maya, no México. Calé (João Paulo Bienemann), um garoto que, embora nunca tenha visto o mar, é apaixonado por golfinhos, faz uma redação. Seu colega Rogério (Thomas Levisky) fica encarregado de enviar a redação à Eliana e, como aparentemente não possui uma índole exemplar, põe seu nome como co-autor do texto, desejando com isso conhecer Eliana e aparecer na TV. O texto, como é de se esperar, é escolhido pela apresentadora, e os dois garotos viajam ao México, na companhia da irmã chata e esnobe de Rogério, Veralú (Fernanda Souza).

Na ilha, coisas estranhas começam a acontecer. Os golfinhos de Riviera Maya ficam misteriosamente doentes. Eliana tem uma conexão com os golfinhos a lá “E.T. – O Extraterrestre” e consegue sentir quando um deles morre, o mesmo acontece com Calé. A morte dos golfinhos é explicada por um dos funcionários do delfinário, Pepe (Jackson Antunes), como sendo conseqüência do roubo de uma relíquia ancestral, um crânio de cristal, que era protegida pelos golfinhos de Riviera Maya. O ladrão do crânio é o milionário Esquivel (Fulvio Stefanini), que usa os poderes da relíquia para comprar todos os parques aquáticos da ilha e transformá-los em parques de tubarões (com sessões de carnificinas aos fins de semana). Eliana, o biólogo Fred (Daniel Del Sarto) e Calé têm, então, a missão de recuperar o crânio de cristal e devolvê-lo à tutela dos golfinhos mexicanos.

O filme não chama atenção em nenhum aspecto. Na realidade, é verdadeiramente entediante (até mesmo para crianças, creio eu). Alguns pontos interessantes merecem ser destacados. Todos na ilha, por exemplo, parecem falar fluentemente português, sem sotaques estrangeiros e sem nem sombra do bom e velho portuñol. Na verdade, todos que aparecem no filme parecem ser bem brasileiros. Um grupo de manifestantes, liderados por Supla (em uma engraçada participação especial), urra seus gritos de protesto em português, embora seus cartazes e faixas estejam todos em espanhol! Estranho, não?

A desastrosa atuação de Eliana é superada pela do jovem João Paulo Bienemann (que mostra muito talento). Na verdade, a atuação de Eliana é superada por todo o resto do elenco, pelos golfinhos (mecânicos ou não), peixes, corais, lagostas, caranguejos e esponjas-do-mar que dão o ar de suas graças no longa.

O filme é interrompido por uma injustificada apresentação da banda Rouge. As meninas do grupo dançam e mexem a boca em frente a uma tela verde, onde são projetadas imagens de golfinhos. Tudo isso torna a cena bastante parecida com o programa “Dance o Clipe”, da Mtv. O filme tenta passar a mensagem de proteção à natureza, mas nem isso realiza satisfatoriamente. Os golfinhos, ao contrário do que poderia se imaginar, não são ameaçados por caçadores ou pela poluição. O que ameaça a vida dos cetáceos é o roubo do tal crânio de cristal pelo milionário. Dessa forma, a mensagem não chega por vias certas às nossas crianças que, ao contrário do que pensa Eliana, são bastante inteligentes. Se o filme passa alguma mensagem, é a de companheirismo e amizade, através de Calé e Rogério. Pelo menos isso.

O filme passa por momentos de repetição insuportáveis, como quando o crânio vai passando de mão em mão, conferindo poderes especiais por onde vai. Em mais de uma ocasião, são apontadas armas de fogo às crianças, o que, ao meu ver, é bastante inoportuno e repugnante. Mas, afinal, como já havia sido mencionado no início dessa crítica, o que poderia ser esperado de um filme como esse?

A triste verdade é que o cinema brasileiro ainda está muito longe de oferecer às nossas crianças filmes infantis de qualidade. Enquanto isso, os infantos são bombardeados por tudo o que presta e o que não presta que países como Estados Unidos e Japão têm a nos oferecer. O que não falta no Brasil são autores infantis de qualidade, como Monteiro Lobato e, mais atualmente, Pedro Bandeira e Ruth Rocha. O que falta é iniciativa para fazer com que contos infantis de autores como esses aqui mencionados ganhem vida nas telonas, encantando nossas crianças com o melhor de nossa cultura.

Elenco:

Eliana.... Eliana

Daniel Del Sarto.... Fred

Fernanda Souza.... Veralú

Fúlvio Stefanini.... Esquivel

Francisco Milani.... voz do crânio

Ângela Dip... Tânia

Jackson Antunes.... Pepe

Eliana Fonseca.... Cris

Roney Facchini.... Gonzalez

Elias Andreatto.... juiz

João Paulo Bienemann.... Calé

Thomas Levisky.... Rogerinho

Camila Quadros.... Clarinha

Netinho de Paula.... repórter

Supla.... ele mesmo

Karin Rodrigues.... dona dos parques

Rouge.... elas mesmo

Dirigido por Eliana Fonseca

 Imagem

Miramar (1997)

A educação sentimental e intelectual do adolescente Miramar, que é criado para ser artista.
Depois do suicídio dos pais, ele descobre o sonho de se tornar cineasta, apoiado no tripé
Oswald de Andrade - Machado de Assis - Einstein. A metáfora de seu nome explica que a ação
tenha quase sempre o mar como pano de fundo: cemitério marinho de Barra de São João, quartos
e terraços de hotel à beira-mar, praias, ruas e bares da zona sul do Rio de Janeiro.

Direção: Júlio Bressane

ELENCO

João Rebello
Giulia Gam
Diogo Vilela
Louise Cardoso
Maria Clara Abreu
Cláudio Mamberti
Fernanda Torres 

 

DOIDA DEMAIS (1989) / Minhateca

Direção: Sérgio Rezende

Elenco: Vera Fischer, Paulo Betti, José Wilker, Manfredo Bahia, Luca de Castro, Chico Expedito, Álvaro Freire, Carlos Gregório, Gílson Moura, Ítalo Rossi

Letícia (Vera Fischer), uma falsificadora de quadros, avisa para Noé (José Wilker), seu cúmplice e amante, que não quer mais fazer este "serviço" e que de agora em diante eles são apenas sócios. Esta posição desagrada Noé, que não quer perdê-la de jeito nenhum. Letícia não queria participar de uma venda feita para um fazendeiro de Mato Grosso, mas mais uma vez Noé conseguiu convencê-la. Ela viajou para fechar negócio mas nem tudo saiu como Noé planejou, pois ela conhece Gabriel (Paulo Betti), o piloto de um avião de aluguel em que ela viajava. Logo ela se envolve com Gabriel, mas os dois passam a ser perseguidos por Noé em uma fuga desesperada. 

Imagem 

Lúcia McCartney (1994)

Garota de programa, fã dos Beatles, apaixona-se por cliente, e tenta realizar seu sonho de amor.

Direção: Roberto Talma

ELENCO

Fernanda Torres – Lúcia
Taumaturgo Ferreira – José Roberto
Guilherme Leme – Rene Sotto Mayor
Antonio Calloni – Antonio Paulo
Cláudia Lira – Isa
Virginia Cavnedish – Arlete
Marcelo Faria

Imagem

Lúcia McCartney, Uma Garota de Programa (1971)

Adaptar um texto escrito e torná-lo uma realidade em termos cinematográficos é tarefa das mais ingratas. Lidamos com o problema da recepção de um fenômeno inicial (o literário) por outro, e eles nem sempre falam a mesma língua ou possuem parentesco direto. Nada mais frustrante do que vermos um diretor medíocre trabalhar um texto em movimento. O filme acaba se tornando uma espécie de objeto não-identificado, sem pai nem mãe. Nem é cinema, nem é literatura; é um terceiro gênero infeliz.

David Neves dirige “Lúcia McCartney, uma garota de programa” (1971), roteirizado por Rubem Fonseca, autor dos dois contos que servem de base à trama. O filme é paradigmático, porque nele encontramos a mistura perfeita entre a lírica cinematográfica e o universo literário.

Algumas soluções encontradas pelo diretor explicam bem este imbróglio. Reparem na seta branca que aparece por alguns segundos na tela, logo após um monólogo da protagonista. Ela indica justamente a ponte entre o final de um conto e o início de outro. Outro aspecto interessante se refere às mudanças de cores bruscas, que ocorrem como se não houvesse motivo aparente – passam ao preto-e-branco ou ficam muito saturadas, e acompanhadas ou não de legendas. Na realidade, elas se referem às múltiplas falas possíveis dos personagens, recurso utilizado freqüentemente por Fonseca no conto original.

Por outro lado, “Lúcia...”, o filme, pode ter um bom ponto de partida na inscrição que surge na tela, quase ao encerramento: “Os homens, os mais jovens em menor medida, e os adultos plenamente, vão ao bordel em busca de ficção”. Parece que no final das contas, há um descompasso entre os desejos lúbricos dos freqüentadores de bordel e a sua concretização, que pode às vezes beirar a fragilidade ou a simples necessidade do outro. Se possível, um outro angelical, dependente, mas vibrátil como Lúcia (Adriana Prieto)

Lúcia McCartney, a mais conhecida fã de Beatles da história da literatura brasileira, é uma garota de programa, órfã, divide o apartamento com uma amiga – que tomou estrategicamente por irmã. Vai à praia, à boate, conversa com os “amigos”. Apaixona-se por um cliente misterioso, José Roberto – “paulista, não gosto de paulistas” –, atribuindo-lhe um afeto que muito provavelmente ele não tem ou apenas dissimula para cumprir o modus operandi da vida adúltera, fora de casa. José Roberto não retribui, não oferece paixão, não é o Sir Galahad do Santo Cálice. Acabou. Vemos a seta.

Em outro ponto da cidade, no topo de um prédio voltado para a mítica área da Cinelândia, no Rio de Janeiro, um advogado (Luís Vilaça) ouve a missão conferida pelo cliente (Nelson Dantas): encontrar Elizabete, mocinha que trabalha na casa de tolerância de Madame Gisele (Odete Lara), antes que se corrompa no antro. Sim, é o velho caso do coroa mais velho, encantado pela inocência da jovem – lembrem-se: “buscam ficção”.

Apesar de não ser revelado em momento algum pelo filme, o advogado é Mandrake, que narra em primeira pessoa “O Caso de F.A”, conto de Fonseca, cuja história é transposta linearmente a partir desta segunda etapa. Mandrake, bacharel em direito, de aspecto bonachão, meio policialesco, manda tiradas do bas fond carioca: “advogado não trabalha com a cabeça, trabalha com os pés”, diz depois de bater um papo com o informante (Wilson Grey) e correr para o escritório.

A partir das boas notícias, Mandrake contacta um amigo (Roberto Bonfim), de excelsa figura, capoeirista que ajuda-o a solucionar o caso, bem longe fora do Judiciário, obviamente. Combinam de invadirem o prostíbulo, brigam com os leões de chácara do lugar, capturam Elizabete – ou Míriam, ou Laura, ou Lúcia – e depositam-na em um apartamento. Toda a encenação do rapto se dá em câmera lenta, fragmentada, quase semelhante as HQs.

Elizabete – ou Míriam, ou Laura – é Lúcia, que vinha usando nomes falsos para esconder-se – novamente a idéia de ficção... A história inicial portanto, permaneceu fincada em toda a trama. Os demais personagens, o entorno, serviram de veículo à premissa inicial.

Após “Lúcia...”, David Neves aprofundou-se na contemplação antropológica do Rio de Janeiro – campo de estudo que viria a ser emblemático para compreeensão de sua obra. Morreu pobre, deprimido, portador do vírus da aids e abandonado por grande parte dos que considerava seus "amigos-irmãos". Quanto a Fonseca, apenas começava em 1970. Os melhores livros ainda não haviam sido escritos e, breve, um conto antológico, “Feliz Ano Novo”, seria caçado em praça pública, sob a chancela de “anti-arte”.

Adriana Prieto faleceria na véspera do Natal de 1974, aos 24 anos de idade, vítima de um acidente automobilístico. A notícia da morte prematura caiu feito bomba, privou-a da maturidade artística ao lado de David, que já a havia eleito musa em dois filmes consecutivos – neste e no anterior, “Memórias de Helena”, estréia na direção. Foi uma das poucas atrizes a dedicar-se majoritariamente ao cinema; status que o cinema brasileiro precisa reaprender a criar.


Direção: David Neves

ELENCO

Adriana Prieto (Lúcia)
Isabella (Isa)
Odete Lara (Giselle)
Márcia Rodrigues (Heloína)
Paulo Villaça (Paulo Mendes)
Nelson Dantas (Orlandino)
Maria Gladys (Prostituta)
Wilson Grey (Informante)
Roberto Bomfin (Lutador de caratê)  

 

NÓS NA FITA / MINHATECA

O espetáculo satiriza situações do dia-a-dia. Fez enorme sucesso desde sua estreia na cidade do Rio de Janeiro, em 20 de janeiro de 2004. Atualmente, o Nós na Fita tem mais de 800 apresentações e está em turnê pelo Brasil. É formado por Marcius Melhem e Leandro Hassum Esse espetáculo 'semi-educacional' fala sobre varios assuntos, entre eles sobre pleonasmo (repetição de uma mesma ideia em palavras diferentes) e palavrões (estes dois são os atos mais conhecidos do espetáculo).

 Chapeuzinho Vermelho - A Gula do Sexo

CHAPEUZINHO VERMELHO – A GULA DO SEXO (1980)

Uma surpresa atrás da outra. É o que espera quem, como eu, se lança na tarefa árdua – mas também bastante divertida - de pesquisar pérolas da cinematografia que pouco (ou nada) condizem com o que se convencionou chamar bom gosto ou mesmo consideradas relevantes aos estudos de cinema. É o caso desse Chapeuzinho Vermelho (também conhecido como A Gula do Sexo), comédia erótica com elementos fantásticos de 1981 escrita e dirigida por Marcelo Motta.
Sério candidato ao posto de “pior filme de todos os tempos” e rodado na transição da pornochanchada para o sexo explícito, não tem nada a ver com o conto-de-fadas homônimo.
Trata da história do jovem Hércules (Oásis Minitti, um dos mais assíduos e incansáveis atores do pornô brasileiro dos anos 1980), um voyeur contumaz que não consegue ir para a cama com nenhuma mulher. Apenas se satisfaz observando, através de buracos que faz nas paredes da casa, a intimidade da prima casada e da irmã. O que preocupa seus pais, um casal de velhos italianos, e faz dele motivo de chacota dos amigos, do primo mulherengo Gavião e das garotas. Até o dia em que o pai, com medo de que o filho se tornasse (nas próprias palavras) “ou tarado ou bicha”, arruma uma prostituta para curá-lo. Fazendo-se passar por empregada, ela ataca Hércules que, sem fugir à regra, nada consegue. É quando surge, sem nenhuma explicação, um boné vermelho com poderes mágicos. Ao colocá-lo, o impotente rapaz ganha inesperada virilidade, fazendo com que se torne o garanhão do pedaço, causando inveja no primo.
Dizer que Chapeuzinho Vermelho é um filme tosco é pouco. Elenco feio, diálogos ridículos, trilha inacreditável e personagens caricatos são apenas alguns atributos que, se recorrentes em boa parte da produção da Boca do Lixo do período, são exacerbados nessa obra paupérrima, mas muito engraçada.
Destaque para a presença de José Mojica Marins numa inusitada aparição como Zé do Caixão. Ele surge num sonho em que o personagem principal estava cercado de mulheres nuas. Com seu olhar penetrante e poderes sobrenaturais, o coveiro faz desaparecer todas elas. Deixa uma mensagem, na linha das filosofias mojicanas, que dá novo sentido à vida do apavorado Hércules e prenuncia o final moralista:
- “O homem só é homem no dia em que ele provar que veio nessa dimensão terrena para ser homem!”.
Só vendo para crer!

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Mamilos em Chamas (2008)

Senha para Descompactação: shakall

Entre de cabeça na rotina flamejante de Mamilos em Chamas: Uma vida de luxúria em conflito com a descoberta do amor eterno.
Erótico! Dramático! Místico! Assustador! Relaxante! Romântico! Frenético! Belo! Sodomia! Pés excitantes! Estupro! Sadomasoquismo!
Closes de genitália! Orgias! Rodinhas de punheta! Gozo facial! Drogas! Violência! Perseguições de carro! Coelhos voadores! Gafanhotos gigantes!
E tudo mais que é necessário em um filme que fará seu corpo e toda sua família explodir em prazer com as mais excitantes cenas de sexo e ação já gravadas no cinema brasileiro. Um turbilhão de emoções e erotismo selvagem nunca antes filmado.

Direção: Gurcius Gewdner

O ASSALTO AO TREM PAGADOR (1962) Minhateca

Grilo é um inteligente criminoso da cidade que diz trabalhar para um chefão que chama de "Engenheiro" e com isso convence Tião Medonho e outros bandidos da favela a praticarem um roubo a um trem (comboio) de pagamentos.

Os bandidos combinam de não gastarem o dinheiro roubado antes de 1 ano, pois isso levantaria suspeitas. Mas Grilo acha que ele pode pois não é favelado e tem boa aparência, o que desperta a ira dos demais. Grilo então diz que o Engenheiro preparou um novo golpe, mas sua intenção é se livrar de Tião Medonho e dos outros, fazendo com que eles caiam numa armadilha.

Dirigido por Roberto Farias

Elenco:

Reginaldo Faria .... Grilo Peru
Grande Otelo .... Cachaça
Eliezer Gomes .... Tião Medonho
Jorge Dória .... delegado
Ruth de Souza .... Judith
Luíza Maranhão .... Zulmira
Miguel Ângelo... Miguel "Gordinho"
Helena Ignez .... Marta
Átila Iório .... Tonho
Miguel Rosenberg .... Edgar
Dirce Migliaccio .... mulher de Edgar
Clementino Kelé .... Lino
Gracinda Freire .... mulher de Miguel (não creditada)
Oswaldo Louzada

Resultado de imagem para na senda do crime 1954 

Na Senda do Crime - 1954

Sérgio (Miro Cerni), um rapaz pobre, porém ambicioso e sem caráter. Com aspirações de se tornar milionário, acostumado que estava em freqüentar o ambiente rico e luxuoso de alguns parentes próximos, fica inconformado por ter que lutar honestamente para sobreviver, ao mesmo tempo em que busca uma oportunidade para se tornar rico de um momento para outro. A situação parece mudar quando o banco em que trabalha é assaltado e Sérgio identifica os ladrões, encontrando aí a oportunidade que buscava: logo se associa a eles, enquanto conhece Jurema e se apaixona por ela. Logo os dois estão planejando e executando assaltos. 

O CANGACEIRO (1953) / Minhateca

Dirigido por Lima Barreto

Elenco:

  • Alberto Ruschel - Teodoro
  • Marisa Prado - Olívia
  • Milton Ribeiro - Galdino
  • Vanja Orico - Maria Clódia
  • Adoniran Barbosa - Mané Mole
  • Lima Barreto
  • Zé do Norte
  • Antonio V. Almeida
  • Hector Bernabó
  • Horácio Camargo
  • Ricardo Campos
  • Antônio Coelho
  • Cid Leite da Silva
  • Jesuíno Alves Moreira - Tiburcio
  • Jesuíno G. dos Santos
  • Galileu Garcia
  • João Batista Giotti
  • José Herculano
  • Nieta Junqueira
  • Homero Marques
  • Victor Merinow
  • Maurício Morey
  • João Pilon
  • Leonel Pinto
  • Maria Luiza Sabino
  • Nicolau Sala
  • Neusa Veras
  • Pedro Visgo

O Cangaceiro é um filme histórico por diversos motivos. O primeiro deles é que, desde a chegada do cinema em terras brasileiras, no exato dia 8 de julho de 1896, quando foi realizada a primeira exibição pública em uma sala no Rio de Janeiro, nenhum filme nacional fez tanto sucesso quanto essa produção de 1953. Curiosamente, a produtora responsável pela realização do filme – a Vera Cruz – já estava à beira da falência quando o lançou no mercado, após uma série de produções deficitárias. Se tivesse encontrado antes a fórmula, certamente teria sobrevivido por mais tempo no difícil e complexo mercado cinematográfico…

O segundo motivo tem a ver com a sua repercussão internacional: em Cannes ganhou o prêmio de melhor filme de aventura, com menção honrosa para a trilha sonora de Gabriel Migliori. Chegou a ser distribuído para cerca de oitenta países e, somente na França, ficou cinco anos em cartaz. Sem dúvidas, O Cangaceiro foi um dos filmes que conseguiram levar a cultura popular brasileira para territórios estrangeiros, ajudando a criar uma certa atmosférica folclórica a respeito do nosso país.

Em terceiro lugar, foi durante as filmagens que Adoniran Barbosa, interpretando (de forma excelente, diga-se) um dos cangaceiros do bando, conheceu o grupo “Demônios da Garoa”, encontro que resultou em uma das grandes parceiras da música brasileira. Além disso, os diálogos do filme foram escritos por Rachel de Queiroz, a primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras.

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A Gaiola da Morte (1992) / Minhateca

Em O Rei dos Kickboxers (The King of the Kickboxers), de 1990, um cineasta sem escrúpulos obrigava lutadores do mundo inteiro a se enfrentarem até a morte em uma arena cercada de bambus. Um policial, vivido por Loren Avendon, consegue se infiltrar para tentar derrubar o negócio e vingar a morte do seu irmão. Eis aí um clássico do chamado kickboxer movie, subgênero que infestava as locadoras no início da década de 1990 com centenas de fitas que traziam o termo kickboxer no título. 

Se transportarmos a história de O Rei dos Kickboxers para o Brasil, aproveitando várias ideias, como a arena de bambu e o diretor sedento por sangue, alterando apenas alguns detalhes, acrescentando elementos à brasileira, teríamos então um legítimo representante nacional dos kickboxer movies. E é exatamente isso que o produtor Fauzi Mansur e o diretor Waldir Kopezky fizeram para aproveitar o êxito comercial deste filão das locadoras. O resultado desta empreitada é o excêntrico A Gaiola da Morte, o único kickboxer movie nacional! 

E se não havia por aqui um ator do calibre de um Van Damme, ao menos Paulo Zorello estava disponível. Tricampeão mundial de kickboxer pela WAKO (World Association of Kickboxer Organization), o lutador brasileiro tirou vantagem do sucesso que a luta lhe proporcionava na época para fazer de A Gaiola da Morte, seu único trabalho como ator, um veículo de auto promoção. Inclusive, Zorello, com seu bigodinho e mullet oitentista, interpreta a si mesmo no filme. 

A trama é simples, o roteiro é desengonçado e os diálogos são pérolas cheias de momentos constrangedores e de humor involuntário, mas como o foco de seus realizadores é ser somente um sangrento filme de pancadaria, daremos um desconto. Lutadores de todo o Brasil são sequestrados e forçados a lutarem até à morte dentro da tal gaiola feita de bambus escondida em uma fazenda. O cenário é risível, mas com um pouco de criatividade, a coisa funciona. Os prisioneiros ficam detidos com correntes eletrificadas, o local é cheio de armadilhas e na arena várias pontas de bambus são apontados na direção dos lutadores. E parecem bem afiadas, já que o sujeito mal encosta nos bambus e já tem o corpo completamente perfurado!  

A irmã de um desses infelizes sequestrados, interpretada por Cláudia Abujamra, vai até a academia de Paulo Zorello pedir-lhe ajuda e este decide se infiltrar na organização para desmascará-la depois de descobrir que um amigo desaparecido também foi morto no local, travando uma luta mortal na gaiola. 

E o destaque de A Gaiola da Morte é justamente o trabalho nas cenas de combate corpo a corpo. É óbvio que não chega ao nível de um Irmãos Kickboxer, ou Retroceder Nunca, Render-se Jamais 2, exemplos do que há de melhor neste subgênero em termos de luta, até porque a pobreza dos cenários e da produção não permitiria tal coisa, porém, as sequências de porrada por aqui são curiosas, engraçadas e até funcionam, apesar da coreografia amadora, mas toda bem pensada. A direção segura de Kopezky e a seriedade com a qual os atores se dedicam para aplicar e receber pontapés e murros durante os confrontos também contribuem para o resultado.  

O que realmente mata nestas sequências são os efeitos sonoros exagerados, fazendo com que um soco ecoe como um tiro de escopeta. Relevando estes detalhes, o filme cumpre o que promete, por mais bizarro que seja. Os últimos 30 minutos, por exemplo, são compostos por um inacreditável festival de pancadaria sem fim, com lutas acontecendo em vários locais diferentes, dublês pulando de certa altura em cima de um monte de caixa de papelão, um sujeito que desvia de tiros com saltos de capoeira, enfim, é ver para crer.   

No elenco, além de Zorello, Abujamra e vários lutadores de artes marciais da época, temos algumas figuras da Boca do Lixo em fim de carreira, como Alan Fontaine e Custódio Gomes. Ênio Gonçalves também dá as caras por aqui, na pele de um policial que passa informações para o casal de heróis, mas sua participação não dura cinco minutos. 

A Gaiola da Morte foi lançado em VHS no Brasil, mas é triste constatar que hoje já virou peça de museu. Independente de ser uma tranqueira muito divertida, o filme merecia algum reconhecimento a mais por ser o primeiro e único exemplar do subgênero Kickboxer Movie no Brasil.

Diretor: Waldir Kopesky

ELENCO
Paulo Zorello
Cláudia Abujamra
Daliléia Ayala
Mestre Maurício
Laerte Ferrir
Nicanor Majado Filho 

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"Elis", de Hugo Prata (2016)

O Cineasta Hugo Prata estréia no longa de ficção com o emocionante "Elis", cinebiografia de Elis Regina, uma das cantoras mais populares do Brasil, que morreu de overdose aos 36 anos de idade, em 1982. Hugo Prata tem uma extensa carreira como Diretor de videoclips, mas a partir de "Elis", sua carreira com certeza sofrerá uma grande mudança. Com belíssima direção de atores, formado por um elenco tarimbadíssimo, capitaneado por uma Andrea Horta assombrosa (vencedora de melhor atriz em Gramado 2016), Zé Carlos Machado (pai de Elis), Gustavo Machado (Ronaldo Bôscoli), Lucio Mauro Filho (Miele), Rodrigo Pandolfo (Nelson Motta), Caco Ciocler (Cesar Camargo Mariano) e muitos outros prestigiados atores. A fotografia de Adrian Teijido é excelente, levando em consideração a linguagem do filme, que mescla musical, drama e linguagem jornalística. Todo mundo já conhece a história de Elis. O filme, assim como foi "Tim Maia", vai no caminho mais fácil para entendimento do público: cenas que ilustram a trajetória de Elis, desde sua chegada no Rio de Janeiro nos anos 60, seu sucesso em São Paulo, casamento fracassado com Boscoli e Cesar Camargo Mariano. Mostra também as várias amizades, o uso de drogas e bebidas e a relação com os filhos. É impossível não se emocionar com o filme, e mais difícil ainda, não enxergar Elis na figura de Andrea Horta. Palmas pela qualidade dramatúrgica e técnica, amparada por uma trilha sonora exemplar, ao som de jazz.

 

 INTERLÚDIO (Notorious, 1946) Minhateca

Dirigido por Alfred Hitchcock

Elenco:

Cary Grant .... T.R. Devlin

Ingrid Bergman .... Alicia Huberman

Claude Rains .... Alexander Sebastian

Louis Calhern .... capitão Paul Prescott

Leopoldine Konstantin .... madame Anna Sebastian

Reinhold Schünzel .... Dr. Anderson (as Reinhold Schunzel)

Moroni Olsen .... Walter Beardsley

Ivan Triesault .... Eric Mathis

Alex Minotis .... Joseph

Wally Brown .... Sr. Hopkins

Charles Mendl .... Comodoro

Ricardo Costa .... Dr. Julio Barbosa

Eberhard Krumschmidt .... Emil Hupka

Fay Baker .... Ethel

Antonio Moreno .... Senhor Ortiza (não-creditado)

Um agente do governo estadunidense chantageia a filha de um nazista, para forçá-la a espionar um agente alemão que mora no Rio de Janeiro.

Presságios de um crime "Solace", de Afonso Poyart

Minhateca / Dublado

Depois do sucesso com o filme "Dois coelhos", o cineasta Afonso Poyart foi convidado a dirigir um longa americano. Ele teve em suas mãos 70 roteiros disponíveis para escolher um. E é curioso que tenha escolhido um thriller psicológico (depois dessa informação sobre a quantidade de roteiros propostos para um Diretor, fico imaginando a qualidade dos mesmos). "Solace", no original, foi concebido para ser uma sequência de "Seven", de David Fincher. Porém Fincher não autorizou e o roteiro seguiu outro caminho. Anthony Hopkins assumiu além do protagonista, o papel de produtor executivo. O mais bizarro é que ele agora faz um personagem que é o oposto de Hannibal Lecter, seu vilão mais famoso de "O silêncio dos inocentes". Agora, o personagem dele, John, é um médico que possui o dom de ler pensamentos e prever futuro e até mesmo, ao encontrar em alguém vivo ou morto, saber o que se passou com ela. John por um bom tempo trabalhou para o FBI, ajudando seu colega Joe (Jeffrey Dean Morgan). Após o falecimento de sua filha por conta de leucemia, John resolve abandonar tudo. Porém, por conta de recentes assassinatos creditados a um serial Killer (Colin Farrel), Joe vai atrás de John para que ele o ajude a descobrir o paradeiro do assassino. A agente Katherine (Abbie Cornish), é descrente dos poderes de John, e acha que o Agente Joe deveria seguir o procedimento normal de investigação. Porém, para a surpresa do próprio John, ele descobre que o assassino também tem o dom de ler mentes e prever o futuro e sabe da existência um do outro. O gênero suspense parece atrair cineastas brasileiros para o mercado americano: vide Walter Salles com "Água negra" e Heitor Dhalia com "12 horas". Se ambas as produções não tiveram sucesso, a produção de Afonso Poyart ainda é uma incógnita: segue inédito no mercado de vários países, mesmo tendo sido filmado em 2013. O roteiro me soou muito deja vu, ainda mais que eu assisti ao seriado "Hannibal" e a premissa é a mesma: Will Graham é um agente do FBI que ajuda o Agente Jack através de seus poderes psíquicos. Ele vai ao local do crime e ao encostar na vítima, ele descobre como a pessoa foi assassinada, fazendo um flashback do ocorrido antes do crime. Em "Presságios de um crime" acontece igual: vemos muitas cenas de flashbacks, estilizados, e claro, em câmera lenta. Poyart realiza aqui um filme com a mesma cartilha de "Dois coelhos"; muita estilização e estética publicitária. Como parceiro, ele convocou o fotógrafo Brendan Galvin, que trabalhou em quase todos s filmes do Cineasta indiano Tarsem Singh, famoso pelo visual dos seus filmes, que aliás, se aproxima bastante do cinema de Poyart. A linguagem do flashback em jump cuts me remeteu também ao filme dos anos 80 de Ken Russel, "Viagens alucinantes". Agora, o que realmente me intriga, é que o filme se passa em Atlanta e não sei porquê, houve uma Segunda unidade filmando em São Paulo e na edição enxertaram stock shots da capital paulista como se fizesse parte de Atlanta.

Cidade do Silêncio (Bordertown, 2006) Dublado / Mega

Elenco:

Jennifer Lopez...........Lauren Adrian

Antonio Banderas........Alfonso Díaz

Maya Zapata..............Eva Jimenez

Sônia Braga.........Teresa Casillas

Teresa Ruiz............Cecila Rojas

Martin Sheen.........George Morgan

Juan Diego Botto......Marco Antonio Salamanca

Zaide Silvia Gutierrez.....Lourdes Jimenez, mãe de Eva

Rene Rivera.......Aris Rodriguez, violador

Irineo Alvarez.....Domingo Esparza, condutor e violador

Randall Batinkoff.......Frank Kozerski

Kate del Castillo........Elena Díaz

Juanes....................ele próprio

Direção: Gregory Nava

Graças ao Tratado de Livre Comércio empresas do mundo inteiro montaram fábricas no México, na fronteira com os Estados Unidos. Com mão-de-obra barata e isenção de impostos, estas companhias fabricam produtos a baixo custo, que são vendidos nos Estados Unidos. Nas mais de mil fábricas de Juarez um televisor é fabricado a cada três segundos e um computador a cada sete. As fábricas contratam mulheres, que aceitam salários menores e reclamam menos dos expedientes longos e condições ruins de trabalho. Muitas fábricas operam 24 horas por dia. Muitas mulheres são atacadas a caminho do trabalho ou de casa, tarde da noite ou no início das manhãs. As companhias não garantem a segurança dos funcionários e várias mulheres foram mortas em Juarez. Com este quadro o editor-chefe do Chicago Sentinel, George Morgan (Martin Sheen), envia para lá a repórter Lauren Adrian (Jennifer Lopez), que não queria fazer a matéria e só concordou em ir pois, se fizer um bom trabalho, terá chance de ser correspondente estrangeira. Ao chegar entra em contato com um repórter com quem já trabalhou, Alfonso Diaz (Antonio Banderas), que agora é o editor de El Sol, um jornal que não aceita a "versão oficial" sobre as mortes que acontecem na região. Diaz diz para Lauren que 375 mortes é só mais uma mentira da polícia, pois na verdade quase 5 mil mulheres já morreram. A situação fica muito tensa quando uma jovem de 16 anos, Eva Jimenez (Maya Zapata), é atacada. Seus agressores pensavam que estava morta e agora ela pode testemunhar sobre quem tentou matá-la. Lauren faz tudo para protegê-la, inclusive da polícia, mas alguns não ligam a mínima para a situação de Eva e das mulheres de Juárez.